Livro polêmico

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Christopher Hitchens foi um escritor e jornalista britânico polêmico. Suas opiniões em torno da fé e da religião o colocaram como uma persona non grata para líderes de várias crenças. Aqui no Brasil, a editora Globo Livros acabou de lançar uma obra de sua autoria. Com a afirmação “Deus não criou o homem à sua imagem, foi o contrário”, Deus não é grande – como a religião envenena tudo é, do início ao fim, um tratado contra toda doutrina de fé estabelecida.

Segundo o autor, a religião organizada é imoral, irracional, intolerante e racista. Ela degrada crianças ao doutriná-las e provoca repressão sexual; controla a alimentação e aumenta a culpa ao multiplicar proibições mas arbitrárias possíveis; além de distorcer as origens do ser humano e do cosmos, incentiva o fanatismo e é cúmplice da ignorância e do obscurantismo.

As análises de Hitchens partem de conclusões que se apoiam em experiências pessoais, fatos históricos e críticas a textos religiosos. No alvo do escritor estão o cristianismo, judaísmo e islamismo, mas também cita o budismo e hinduísmo. Um dos casos citados por ele, que sustentam seus princípios, é a presença da pedofilia na Igreja Católica dos Estados Unidos, episódios de intolerância religiosa entre católicos e protestantes na Europa e conflitos movidos pelo radicalismo de judeus e muçulmanos no Oriente Médio.

Em Deus não é grande – como a religião envenena tudo, Hitchens afirma que nenhuma religião possui resposta satisfatória para a existência humana, seus dilemas morais e éticos. Para o autor, estas questões estão melhor representadas em autores clássicos como Shakespeare, Dostoiévski e Tólstoi, do que em qualquer escritura sagrada.

Defendendo o racionalismo científico, ele diz que “Se você dedicar um pouco de tempo a estudar as impressionantes fotografias tiradas pelo telescópio Hubble, estará examinando coisas que são muito mais assombrosas e belas – e mais caóticas e atordoantes e ameaçadoras – que qualquer história da criação”.

Christopher Hitchens morreu em 2011, vítima de câncer no esôfago. Era considerado um herdeiro intelectual de George Orwell e de Thomas Paine. Escreveu mais de 20 livros e livretos, incluindo ensaios, críticas e reportagens.