Categoria: Conclusões dos congressos Princípios e Práticas

  • Morre o senador Arolde de Oliveira

    Morre o senador Arolde de Oliveira

    A Convenção Batista Carioca registra sua gratidão a Deus pela vida do irmão Arolde de Oliveira, que, ao longo de sua caminhada, sempre apoiou os batistas brasileiros por meio da promoção de projetos e eventos da denominação nos veículos de comunicação do Grupo MK e como defensor dos princípios cristãos em sua carreira política.

    Arolde faleceu na noite dessa quarta-feira, em decorrência da Covid-19. Ele permanecia internado desde o dia 17 de setembro, no Hospital Samaritano, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro. Segundo informações de sua assessoria, não haverá velório. A cremação acontecerá amanhã (23), às 10h30, em cerimônia restrita.

    Arolde de Oliveira era membro da Primeira Igreja Batista do Recreio. Seu pastor, Wander Gomes, fez um pronunciamento em seu Instagram sobre o triste fato:
    “Mais um amigo parte para a eternidade. O meu irmão, minha ovelha e meu amigo Arolde de Oliveira partiu para os braços do Senhor. 2020 segue sendo este ano difícil, contudo, confiamos na soberania do Senhor e sabemos que Ele está no controle de todas as coisas. Os dias são tristes. Vou sentir muita falta do meu amigo, mas o consolo vem da certeza de que nos encontraremos na eternidade”.

    Arolde de Oliveira deixa a esposa, Yvelise de Oliveira, e a filha, Marina de Oliveira, além de quatro netos.

  • Autonomia da Igreja e Cooperação

    Autonomia da Igreja e Cooperação

    Autonomia da Igreja
    O princípio da autonomia das igrejas nasce como outros três princípios defendidos pelos batistas: a autonomia do indivíduo, a liberdade religiosa e a separação entre igreja e Estado na Inglaterra, no contexto das fortes influências do individualismo e da liberdade de consciência ao correr do século XVII.

    A ideia fundamental da autonomia da igreja local é a defesa contra a formação de uma igreja estatal que tivesse ingerência direta na vida dos cidadãos ou de um controle eclesiástico centralizador, como era na época a Igreja Anglicana em face dos movimentos puritanos e separatistas em solo inglês.

    Daí porque os batistas passaram a prezar tanto o conceito de autonomia da igreja local, uma vez que tanto padeceram com as perseguições católica e anglicana na gênese da sua existência institucional.

    O princípio da autonomia da igreja local é uma defesa contra a ingerência de outras igrejas ou mesmo de órgãos denominacionais em seus assuntos internos.
    A questão a ser debatida para convergências é se a autonomia de uma igreja, em termos administrativos e eclesiásticos, também se refere à sua autonomia doutrinária.
    Se não, a questão seguinte é até que ponto, e sob que critérios reguladores, associações, convenções e ordens de pastores podem interferir no acompanhamento e controle dos desvios doutrinários de uma igreja.

    Cooperação
    No tocante à ética no relacionamento entre as igrejas e à questão da cooperação denominacional, algumas posturas são indispensáveis:

    — solidariedade nos momentos de crise ou dificuldade;
    — respeito às diferenças de costumes que não distorçam fundamentos bíblicos ou doutrinários;
    — parceria em projetos de evangelização e missões, ou de ação social, quando os resultados da atuação coletiva podem ser maiores do que em atividades isoladas;
    — convívio harmonioso das igrejas a partir do convívio harmonioso entre os pastores (assim como as religiões não podem pedir paz entre as nações se não souberem viver em paz entre si, os pastores e líderes não podem esperar convívio harmonioso entre as igrejas se não cultivarem convívio harmonioso entre si);
    — esforços para evitar a mentalidade e o ambiente da concorrência ou da competição, a partir da consciência de que cada igreja possui características e qualidades distintas e peculiares, em áreas de atuação também peculiares e distintas, tal qual se dá também em ministérios pastorais e lideranças com ênfases que reflitam a singularidade de cada líder e pastor;
    — transformação das pretensões de cooperação em atos concretos, a partir da cooperação financeira para fins comuns, considerando que a participação consciente e voluntária resulta de planejamentos relevantes e consistentes, sob lideranças lúcidas e coerentes em estruturas organizacionais modernas e eficazes nas instituições denominacionais.

  • Quanto a práticas litúrgicas

    Quanto a práticas litúrgicas

    Os congressos anteriores (na Segunda Igreja Batista do Rio de Janeiro, em 2014, e na Primeira Igreja Batista de Madureira, em 2015) abordaram os seguintes temas: modelos eclesiásticos, liturgia do culto, dom de línguas, função apostólica, autonomia da igreja, unção com óleo, ministério como projeto de Deus e ética no relacionamento entre igrejas.

    Na Assembleia da CBC de 2015, foi aprovada a realização de um fórum de debates a partir das conclusões dos congressos anteriores no propósito de ser elaborado um documento com o posicionamento oficial da CBC sobre os temas abordados, fundamentando bases para o acompanhamento das igrejas.

    Dividimos esses subtemas em dois temas principais, os mesmos a serem considerados no próximo congresso a realizar-se em 2016.

    Dom de línguas
    Entendemos que o dom de línguas, não no sentido de compreender outros idiomas sem conhecê-lo, como acontece em Atos 2, mas de uma fala extática sem correspondência idiomática terrena tema da abordagem paulina no capítulo 14 de 1 Coríntios trata-se, na verdade, de uma experiência de cunho pessoal e não comunitário, isto é, que não pode ser imposto para a coletividade eclesiástica como comprovação de espiritualidade ou, tal qual se oficializou na declaração doutrinária da Assembleia de Deus, por exemplo, de marca distintiva da presença do Espírito Santo na vida do crente numa experiência posterior à conversão (popularmente chamada de batismo no Espírito Santo).

    Também não consideramos que seja um dom central e indispensável, mas de transitoriedade, no sentido de que não possui caráter de obrigatoriedade na experiência geral do cristão (até porque é uma experiência suscetível a manipulações emocionais e de fácil apropriação mimética no grupo social que a considera fator de aceitação na comunidade).
    Centralidade e indispensabilidade, como Paulo observa em 1 Coríntios 13.1-13 e em Romanos 129-27, é uma categoria do dom do amor, este sim imposto como necessário à igreja para manter sua unidade e comunhão.

    Entendemos, enfim, que não são os dons que demonstram o caráter do cristão até porque não são critérios definitivos para atestar a comunhão de alguém com o Senhor, conforme as próprias palavras de Jesus em Mateus 7.21-23 e sim as virtudes do fruto do Espírito (Gálatas 5.22-25).

    Ministério apostólico
    Entendemos que a palavra apóstolo como função na igreja refere-se inicialmente aos doze separados por Jesus e a Paulo que cumpriu em seu chamado as duas condições essenciais para exercer o ministério apostólico: ter acompanhado Jesus em seu ministério na terra e ser testemunha da ressurreição (Mateus 10.2-4; Atos 1.21-22).

    Como a palavra grega apóstolo se refere, etimologicamente, a alguém comissionado ou enviado para o cumprimento de uma missão, podemos entender que, na igreja de Cristo, temos todos uma condição apostólica, pois somos todos testemunhas de Jesus para fazer discípulos.

    Portanto, em termos de função apostólica como um ministério específico no contexto eclesiástico houve apóstolos separados diretamente por Jesus para exercerem o papel de fundamentar as bases da igreja no período inicial (Efésios 2.20). Em termos de condição apostólica como responsáveis por cumprir a missão da igreja de fazer novos discípulos e testemunhar acerca do evangelho cada crente é um apóstolo, ou seja, um vocacionado ou comissionado por Jesus.

    Unção com óleo
    A unção com óleo era um costume judaico, conforme narrativas do Antigo Testamento, para representar a consagração de pessoas a Deus ou a uma determinada função, como no caso de sacerdotes (Êxodo 30.30; Levítico 8.12), reis (1 Samuel 10.1, 16.13; 1 Reis 1.39) e profetas (1 Reis 19.16). Tanto que a palavra hebraica messias significa ungido.

    No Novo Testamento, além de ser material de preparo para o embalsamento do corpo (Marcos 14.8; Lucas 23.56) e símbolo de honraria a um visitante ilustre (Lucas 7.38,46, nesse caso foi utilizado um perfume), a unção possuía caráter terapêutico (Marcos 6.13; Tiago 5.14), no sentido de que a aplicação do unguento (aleiphos, no grego) refere-se a um processo usado na época para medicação e cura de um enfermo. A ênfase na oração é uma expectativa de que o tratamento fosse abençoado por Deus para dar resultados positivos.

    Mesmo considerando, como no caso das opiniões divergentes, que a unção não tivesse vínculo com uso terapêutico, fica claro nos textos que não há poder no ato em si, ou no óleo aplicado, mas na ação poderosa de Deus em resposta à oração confiante.

    Não há, portanto, qualquer razão para que a unção com óleo seja tratada, como em alguns ambientes evangélicos, de forma mística ou mágica, ou para que o costume seja imposto como algo fundamental, quase sacramental, para viabilizar a ação divina.