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  • Há um preço a pagar

    Há um preço a pagar

    Pastor José Carlos Torres

    “Se o meu povo que se chama pelo meu nome se humilhar, e orar, e me buscar e se desviar dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, o perdoarei dos seus pecados e sararei a sua terra.¨ (II Crônicas 7:14).

    Este texto tem sido repetidamente usado por pregadores e escritores que discorrem sobre avivamento ou desejam chamar a igreja para um novo tempo de comunhão e compromisso com Deus.
    Ele foi escrito num contexto de festa e celebrações, mas ao mesmo tempo, de riscos para o povo de Deus. Salomão, o rei, acabara de construir o templo, para o Senhor e o culto do seu nome, bem como o palácio, para o rei – naquele momento, ele mesmo.

    Ao dirigir estas palavras ao coração do seu povo, num momento que parecia pedir apenas festa e celebração, o Senhor chamava a atenção de todos para o risco implícito naquele momento especial. O risco de pensar que, no plano espiritual, o templo era sua exigência maior aos que lhe queriam ser fiéis, e que este teria o poder ¨mágico¨ de, pelo simples pisar no seu chão e reunir-se nele, tornar o povo agradável ao Senhor e digno de ser abençoado.

    Um balde de água fria? Não! Apenas uma gota de realismo. Um convite para que o rei e o povo não se deixassem seduzir pelo triunfalismo e andassem com os pés no chão, conscientes das limitações e finitude humanas, da ambiguidade e da vaidade – com as quais o próprio Salomão, por exemplo, teve várias vezes de confrontar-se.

    Uma palavra incômoda, não politicamente correta (os profetas nunca se preocuparam em ser politicamente corretos), tremendamente inconveniente e chata? Com certeza ela o foi para aqueles que, dizendo-se povo de Deus, viviam na prática como se Deus não existisse, e a toda sorte de imoralidade eles se permitiam.

    Nas palavras do texto em análise, o povo de Deus e cada servo seu, se quer ser abençoado pelo Senhor, haverá de pagar o preço para tanto, e este preço impõe exigências de ordem espiritual, moral e ética.

    Vamos a uma breve análise desta passagem bíblica e aos destaques que desejo fazer com foco no tema escolhido:
    I- Em primeiro lugar, e antes de considerar as condições postas por Deus para abençoar o seu povo, destaco três expressões fundamentais do texto, pois são elas que geram e explicam as exigências que lhes são consequentes.

    1- “Se o meu povo que se chama pelo meu nome”.
    O Senhor sempre quer ter um povo seu, um povo santificado para toda a boa obra. Um povo com identidade própria, e que não apenas se comporte de um certo jeito, pensado como agradável a Deus. Além do comportar-se, muito além e diferente disso, Deus quer que, verdadeiramente, sejamos seus filhos, seus servos, seu povo.

    Se isso acontece, dar expressão à nova natureza recebida no novo nascimento, ao fato de sermos filhos de Deus, será algo natural e consequente ao que somos. Tão natural como voar, para um pássaro; tão natural como, em nossa vida no sangue e na carne, andar e falar.

    Não é de qualquer jeito e a qualquer um, diz o Senhor, que ele abençoará. Também não basta dizer-se povo de Deus para ser abençoado. Há condições claras, por ele estabelecidas, para que “abra as janelas do céu” para fazer-se abençoadoramente presente na vida dos que são seus filhos e parte do seu povo. Quem não considerar estas condições ficará também sem as bênçãos que tanto e sempre deseja.

    Isso no coloca diante de realidades muitas vezes destacadas por Jesus, em seus ensinos sobre as novidades que Deus trazia ao mundo por meio dele (evangelho) e sobre o Reino de Deus. Para Jesus, ser povo de Deus é viver sob seu senhorio, isto é, fazendo a sua vontade; não é uma questão que possa limitar-se a um certo e estabelecido discurso, mas que exige, necessariamente, viver radicalmente comprometido com os ensinos, os mandamentos e o Reino do Senhor.

    2- “Eu ouvirei dos céus”.
    Esta afirmação representa uma promessa e uma advertência tremenda: O Senhor tem ouvidos para ouvir um povo fiel e, da mesma forma, para torna-se surdo aos infiéis, como vemos em Isaías, capítulo 1, versículos 1:11-18.

    “De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? diz o Senhor. Estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecerdes perante mim, quem requereu de vós isto, que viésseis pisar os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação. As luas novas, os sábados, e a convocação de assembleias… não posso suportar a iniquidade, junto com ajuntamentos e cultos solenes! As vossas luas novas, e as vossas festas fixas, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer. Quando estenderdes as vossas mãos, esconderei de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei; porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos; tirai de diante dos meus olhos a maldade dos vossos atos; cessai de fazer o mal; aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, acabai com a opressão, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva. Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados são como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como a lã.”

    Assim, quem verdadeira e sinceramente deseja ser abençoado pelo Senhor, precisa orar ao Senhor e ser por ele ouvido. E nós já sabemos o que isso significa, como se dá e como não deve ser.

    3- “Perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra”.
    Que síntese fantástica das bênçãos que o Senhor nos dá!

    “Perdoarei os seus pecados!”, refere-se às bênçãos espirituais que todos desejam e que é pré-condição para que todo e qualquer pecador (e todos o somos) perdoado viva na presença do Senhor e em comunhão com ele.

    “Sararei a sua Terra”, por sua vez, indica as bênçãos materiais com as quais o Senhor responde às necessidades (não a simples desejos e ambições) dos que o amam. Vivendo da terra (agricultura rudimentar) e do pastoreio, o povo sabia da importância de uma terra “sarada”, para a satisfação das suas necessidades materiais.

    O Senhor está sempre pronto para ouvir e responder ao clamor e às orações do seu povo e de qualquer filho seu. Aquele, pois, que deseja receber a resposta de amor, traduzida em bênçãos espirituais e materiais que Deus reserva para os que lhe são fiéis, deve estar atento às condições que, com meridiana clareza, ele impõe.

    Sobre as condições para que o Senhor assim nos abençoe, conversarei com vocês na segunda e última mensagem desta pequena série.

    Continua na próxima semana…

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