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  • Para falar do evangelho e vivê-lo hoje (3/5)

    Para falar do evangelho e vivê-lo hoje (3/5)

    Pr. José Carlos Torres

     

    Meus queridos irmãos:

    Nas duas primeiras reflexões desta pequena série definimos logo no início que o nosso propósito, ao desenvolvê-la, é o de enfocar alguns assuntos de fundamental importância para a formação de cada um de nós, como servos de Cristo, e contribuir para avivar a relevância e a atualidade da pregação cristã. Para tanto, nos propusemos a abordar dois grandes males que prejudicam a comunicação da mensagem do evangelho e, como consequência, a vida da igreja e, assim, dos cristãos deste nosso tempo: a defasagem e a imprecisão linguísticas, e a indefinição conceitual.
    Consideramos já, nas reflexões anteriores, dois exemplos referentes à defasagem e imprecisão linguísticas. Hoje, na próxima e penúltima reflexões desta pequena série, vamos considerar dois exemplos referentes à indefinição conceitual que deixa os crentes perdidos diante dos desafios cristãos que, de forma imprecisa, lhe são apresentados, .

    O primeiro exemplo a considerar é o do desafio de desenvolvimento espiritual que é posto diante de cada crente. O problema, aqui, não está na apresentação deste desafio, mas na falta de definição do que ele seja. Afinal, onde encontramos uma definição do seja espiritual e, mais ainda, do que seja cristãmente espiritual?

    O fato real, meus irmãos e amigos, é que, também de forma incompreensível e que agride a inteligência, as lideranças, os pensadores e os mestres cristãos se têm recusado a conceituar espiritualidade cristã ou, o que é pior, não têm chegado à percepção da importância de que isso seja feito, e logo.

    Dizemos a todos os crentes que sejam espirituais e que cresçam espiritualmente, mas não lhes dizemos o que isso significa, não lhes apresentamos um conjunto de conceitos básicos que os orientem em sua caminhada nesta direção. Não surpreende o fato de que, inicialmente confusos diante do que fazer, depois desanimados por não perceberem nada de especial em suas vidas, muitos crentes depois disso assumam uma postura (mesmo inconsciente) do tipo “deixa isso prá lá”, e assim continuem vivendo.

    Existe uma espiritualidade, uma proposta de vida espiritual, própria do cristianismo? Para nós é claro que sim, e os conceitos e contornos básicos que a definem e compõem estão assentados nos ensinos de Jesus, expostos nos evangelhos e depois refletidos nos demais escritos neotestamentários. A espiritualidade (não a religião) proposta e ensinada por Jesus foi e é a maior e mais rica novidade que revolucionou a história da humanidade e que, redescoberta e fielmente atualizada, pode ser, de novo, o caminho das revolucionárias mudanças espirituais e, por consequência, humanas e sociais de que estamos precisando hoje em todo o mundo.

    Será a espiritualidade cristã igual à espiritualidade kardecista, à budista, à muçulmana? E dentro do cristianismo, será a espiritualidade cristã batista igual à católica, à anglicana, à luterana, à metodista, à presbiteriana, à pentecostal e à neopentecostal? Não teria cada uma delas nuances e aspectos próprios que as distinguiriam umas das outras e, como tal, ajudariam a definir mais claramente a sua identidade e a identidade dos seus fiéis?

    Diante da crise que estamos vivendo nos segmentos religiosos, quando tanto se fala da perda da unidade e da identidade, bem como do mergulho no sincretismo e no uso de estratégias de marketing de mercado (ao menos na prática, uma vez que as doutrinas nem mais são consideradas), com toda certeza esta imprecisão de conceito sobre o que seja a espiritualidade própria do grupo, a ser compreendida, vivida e praticada é o mais forte dos seus componentes. Afinal, um grupo social, de qualquer natureza, somente desenvolve sua unidade quando claramente compreende e percebe o que o identifica e quais são os seus propósitos. A falta disso gerou o quadro sincrético (de salada de conceitos, ou falta deles, e de práticas exóticas, heréticas e absurdas) que contemplamos hoje.

    Aí está uma razão extremamente forte para que as lideranças cristãs de qualquer segmento do cristianismo, hoje atuando no limite da irresponsabilidade no que concerne à indefinição conceitual, assumam seu papel formador, pedagógico, e trabalhem com o devido senso de prioridade e urgência, junto com o povo a que serve, na formulação ou na redescoberta e atualização da espiritualidade do seu grupo.

    Quanto a mim, cristão batista que sou e retomando apontamentos trabalhados com uma classe especial sobre este assunto que ministrei a irmãos da Igreja Batista Memorial da Tijuca, proponho-me, desde hoje, a dialogar com quem o deseje para a construção de definições fundamentais sobre o que seja a espiritualidade cristã batista. E você é meu convidado!

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  • Quando uma coisa não cabe num lugar

    Quando uma coisa não cabe num lugar

    Pr.Sergio Dusilek

    2Coríntios 6:14c – “Que comunhão há entre a luz e as trevas?”

    Já faz algum tempo que li uma coluna de Marta Medeiros, do O GLOBO, em que ela comentava um acontecimento que presenciou. Na saída de uma escola, na Zona Sul carioca, uma mulher tentava parar um carro do tamanho de um Santa Fé da Hyundai numa vaga que se coubesse um Picanto da Kia era muito. Lógico que apesar da destreza da motorista, da sua persistência, e de suas renovadas tentativas, ela não conseguiu parar seu carro naquela vaga.

    Esse relato tem muito a ver com a vida de cada um de nós. Por vezes queremos acondicionar coisas incompatíveis num mesmo espaço. Achamos que nossa persistência, nossa habilidade, nossa destreza, e até mesmo as renovadas tentativas em algum momento vão conseguir compactar o que todos sabem que não cabe. Nessa hora manifestamos nossa teimosia, perdemos tempo, energia, e deixamos de ver “outras vagas”, outras oportunidades que estão ali, bem perto de nós. Mas em nossa cabeça pensamos é melhor uma pequenina vaga do que nenhum espaço… será?

    Há coisas que são incompatíveis. Você sabe que não dá, no fundo do coração você já foi convencida de que o motivo de sua insistência será também a causa do seu fracasso. No entanto, mesmo lá dentro sabendo, você insiste. Talvez por medo de não “achar outra vaga”; talvez por domínio, por relação de poder, para dizer que tem algo que lhe pertence, ainda que esse algo honestamente não lhe sirva; talvez por consideração ou mesmo apego ao que tem de ser perdido… Entenda algo de uma vez por todas: o tempo não traz compatibilidade; ele petrifica aquilo que é incompatível, o que implica num prolongamento desse incômodo. Em outras palavras: ou você adia o fim, ou ele virá sobre “essa vaga de estacionamento”, ou mesmo sobre você, tornando-a uma pessoa irreconhecível.

    De certo modo é isso que Paulo está dizendo no texto acima. Sem me alongar, quero somente dizer que Paulo não condenava a amizade de crente com não crente. Ele condenava a associação para o mal. Na sua época o CDL (“clube de diretores lojistas”) de Corinto exercia forte e maléfica influência sobre os comerciantes. Era quase uma “milícia”. Quem não rezava a cartilha podia perder o negócio. E essa reza passava por celebrações ao Diabo e por prostituição. Com gente com vida assim, dá para ter contato, mas não dá para “ter tudo em comum” (= koinonia – comunhão). De fato jamais haverá plena identificação entre luz e trevas. Ambas estão figuradas no “Feitiço de Áquila” (lembra do filme?): quando uma aparece a outra some. De fato, plena comunhão jamais haverá. Se tem algo que puxa você para longe de Deus, em algum momento você terá que escolher o que vai querer: Deus ou essa coisa/situação/pessoa. Nesse sentido o Feitiço de Áquila se torna um exemplo também que essas partes podem se tocar, por um instante, mas não há como permanecerem juntas.

    Se tem algo que não cabe, não insista. Aconselho a você a orar e a buscar em Deus força para desapegar. Insistir só vai ferir você ainda mais, visto que a nossa teimosia não tem o poder de mudar a realidade.

    Extraído do blog pessoal sergiodusilek.worpress.com

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