Tag: carta

  • Batistas Cariocas contra a intolerância e o preconceito

    Batistas Cariocas contra a intolerância e o preconceito

    “Não haverá paz no mundo,
    se as religiões não aprenderem a conviver em paz”.
    (Hans Küng, teólogo)

    Nós, batistas cariocas, em face da agressão sofrida por menina de 11 anos que, no domingo 14 de junho, foi vítima de intolerância religiosa, queremos expor publicamente nosso repúdio a qualquer ato contra a dignidade do ser humano, mesmo — e especialmente — em nome de Deus e da religião.

    E o fazemos porque os batistas defendem, desde o século XVII, dois princípios fundamentais para qualquer regime democrático: a liberdade religiosa e a separação entre igreja e Estado.
    Poucos sabem que, se hoje em nosso país uma pessoa tem, por lei, o direito de adotar a confissão religiosa que achar por bem, e se do estado é requerido que mantenha sua posição laica, sem a interferência de uma religião oficial, muito se deve a esses dois princípios que os batistas, desde suas origens na Inglaterra, em 1610, lutam para defender e propagar.

    Qual é o verdadeiro sentido de paz? Não pode ser meramente ausência de problemas ou adversidades. A paz que o Senhor Jesus Cristo nos dá, conforme a revelação do evangelho, existe apesar das aflições, das enfermidades e dos problemas em geral. Não podemos reduzi-la a poucos momentos de tranquilidade, pois ela precisa e pode ser vivenciada em meio às ansiedades desta vida. A Paz que tanto necessitamos como seres humanos não vem de fora, nem pode ser obtida pelo uso de força ou de violência, sob pena de se tornar apenas uma breve tregua que, aguardando por vingança, gerará ainda mais violência, numa espiral sem fim.

    As Escrituras afirmam que “não há paz para o homem sem Deus” (Isaías 57:21) e que Jesus é o Príncipe da Paz (Isaías 9:6). Também nos mostra que cada um deve ter paz consigo mesmo, pois isso é essencial para que haja paz com os outros.

    Daí, a paz com o próximo é um alvo a ser buscado e alcançado todos os dias, pois somos diferentes. Somos oriundos de estilos de criação diferentes, de formação educacional diferente e de orientações religiosas diferentes. No entanto, somos todos seres humanos criados à imagem de Deus, chamados a um relacionamento íntimo com Ele mesmo e com as pessoas que nos cercam. Por essa razão, posicionamo-nos contra toda e qualquer intolerância, seja religiosa, étnica, econômica, social e de outros matizes e formas.

    Jesus veio por amor, viveu e entregou sua vida por amor, ressuscitou e venceu a morte por amor. Aprendemos e cremos que o amor gera a paz, enquanto a intolerância gera a violência. A Palavra de Deus proclama a paz em todo tempo:

    “Se for possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Romanos 12.18).
    “Guardai a paz uns com os outros”(Marcos 9.50).
    “Sigamos as coisas que servem para a paz” (Romanos 14:19).
    “Porque Deus não é Deus de confusão, mas sim de paz” (1Coríntios 14.33).
    “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem” (Hebreus 12.14,15).
    “O fruto da justiça semeia-se em paz para aqueles que promovem a paz” (Tiago 3.18).
    “Quem quer amar a vida, e ver os dias bons, refreie a sua língua do mal, e os seus lábios não falem engano; aparte-se do mal, e faça o bem; busque a paz, e siga-a” (1Pedro 3.10,11).

    Que esse amor de Jesus esteja em todos os corações, fazendo com que de dentro para fora haja paz na terra, como os anjos que anunciaram o nascimento de Jesus proclamaram: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor” (Lucas 2.14).

    Convenção Batista Carioca