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  • Pés no Arado na IB Leme

    Pés no Arado na IB Leme

    Em solo carioca, o Pés no Arado trouxe aos jovens batistas uma atuação desafiadora nesta edição. Longe dos cartões postais da cidade do Rio, alguns voluntários do projeto estão atuando em áreas dominadas pelo tráfico, onde a flexibilidade da estratégia e a convicção de fé tornam-se elementos fundamentais no processo de transformação do próximo e, por que não, de si.

    “Acredito que esse tem sido o maior desafio e uma das maiores experiências que esses jovens de outros estados possam estar tendo nesses dias”, comentou Graziela Gomes, membro da Igreja Batista do Leme e líder da base, referindo-se ao contexto de violência no qual a comunidade está inserida. Neste cenário paradoxal, com a princesinha do mar a poucos quilômetros, o grupo segue na tentativa de alcançar o máximo de corações abertos. Uma questão de fé e muito trabalho.

    No domingo, os voluntários do Pés no Arado auxiliaram os cultos no templo da IB Leme, mas, na segunda-feira, conheceram a realidade local. “Ontem começamos a programação para fora do espaço da igreja e isso foi um entrave: romper este espaço e conhecer o ambiente da favela, as pessoas neste espaço… Eles ficaram surpresos com os locais e com os moradores da comunidade”.

    Durante as primeiras abordagens, presenciaram a realidade do poder paralelo convivendo com a presença policial. Um equilíbrio frágil que se traduz em insegurança. Nas idas e vindas, muitos tiveram a certeza de que, na realidade da favela, só a vivência prepara o obreiro. “Ficou forte no discurso deles, quando conversamos, o quanto a realidade é diferente do treinamento que é dado”, ressaltou Graziela, mostrando a especificidade do trabalho da IB Leme e de outras igrejas enquadradas no mesmo perfil.

    Nesta terça-feira, a equipe está envolvida com as atividades direcionadas ao público infantil. Um trabalho mais leve, marcado pela alegria de pequenos sorrisos despretensiosos. Em parceria com uma colônia de férias da região, voluntários realizam a estratégia Kids Games em três horários. Hoje é dessa maneira, brincando, que a alegria se transforma em verdade, amor e fé.

    O Pés no Arado 2018 segue em seu planejamento até o dia 15 de janeiro, quando as bases se reúnem para celebrar a semeadura e colheita de vidas. Até lá, os voluntários da IB Leme vão se reinventando como evangelistas, descobrindo novas maneiras de compartilhar esperança e abrindo os olhos para as singularidades e complexidades da missão. Com essas experiências todos ganham: a igreja que recebe, o jovem que aprende e a vida que encontra Cristo.

  • Ser diácono

    Ser diácono

    Comemoramos, no segundo domingo de novembro, o Dia do Diácono Batista. No capítulo 6 de Atos dos Apóstolos, Lucas faz a narrativa de um problema na Igreja de Jerusalém, quando os helenistas estavam murmurando, protestando contra os hebreus, porque as viúvas não estavam sendo devidamente tratadas. Esta murmuração estava colocando em risco a comunhão da Igreja, e era necessária uma rápida resposta dos apóstolos para a solução do problema.

    Os apóstolos ouviram as queixas, identificaram o problema e agiram com rapidez e sabedoria vinda de Deus, decidindo escolher sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para ajudá-los nesta missão.

    O resultado desta sábia decisão foi o crescimento vertiginoso da Igreja. Aqueles primeiros Diáconos, escolhidos pela Igreja, consagrados com a imposição das mãos dos apóstolos, foram chamados para servir e eram cheios do Espírito Santo e nós não podemos ser diferentes.

    Neste tempo em que fomos chamados por Deus para servir como Diáconos, precisamos ser atuantes, não somente no dia da Ceia do Senhor, mas em todo o tempo, apoiando e auxiliando os Pastores nas visitas, caminhando lado a lado com eles, promovendo a paz, agindo sempre com sabedoria e inteligência.

    Precisamos de Diáconos e Diaconisas que sejam fiéis seguidores de Cristo, que estudem a Palavra, que se dediquem a oração, que saibam ir além de suas funções, que sejam corajosos, com disposição para enfrentar as crises, que tenham visão, amor, fé e que sejam pacíficos.

    Deus levantou os primeiros Diáconos: Estevão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau. Eles nos deixaram marcas de sabedoria e fé. Também levantou Diáconos e Diaconisas que deixaram marcas com suas atitudes de compaixão, envolvimento espiritual, sendo fiéis testemunhas de Cristo.

    Queridos Diáconos e Diaconisas, chamados por Deus para servir, que possamos realizar um ótimo trabalho, conquistando o respeito dos irmãos na fé, deixando marcas relevantes para a Igreja atual.

    “Pois os que servirem bem como Diáconos irão adquirir um lugar de honra e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus.” (1 Timóteo 3.13)

    Que tenhamos todos um feliz e abençoado “Dia do Diácono Batista”.

    Dc. Paulo Penido
    Presidente da Associação dos Diáconos Batistas Cariocas
    1° Secretário da Associação dos Diáconos Batistas do Brasil

  • Para falar do Evangelho e vivê-lo hoje (2/5)

    Para falar do Evangelho e vivê-lo hoje (2/5)

    Pastor José Carlos Torres

    Na primeira das cinco breves reflexões que comporão esta série, dissemos que nosso propósito é o de conversar com vocês sobre alguns assuntos de fundamental importância para a formação de cada um de nós, como servos de Cristo, e para avivar a relevância e a atualidade da pregação cristã.

    Comecei dizendo que iria destacar dois grandes males que muito prejudicam a vida da igreja e, assim, dos cristãos deste nosso tempo: a defasagem e a imprecisão linguísticas, e a indefinição conceitual.

    O primeiro exemplo de defasagem e imprecisão linguísticas considerado foi o da ênfase ainda dada na pregação cristã à mudança de coração que o crente deve experimentar, como se mudando o coração de uma pessoa, transformada fosse também a sua vida.

    O segundo exemplo está no inapropriado, equivocado e prejudicial uso da imagem do templo como identificador da igreja.

    É inexplicável, considerando o ensino sobre a igreja no Novo Testamento, que continuemos chamando as pessoas para irem à igreja, continuemos estacionando carros na igreja e tendo reuniões na igreja. Tudo isso, sacramentado pelas pregações que são proferidas dos nossos púlpitos, no que elas apenas ratificam conceitos nada bíblicos e próprios, no nosso caso, do sistema conceitual da cultura brasileira.

    Mas a Bíblia é tão clara! Igreja é um milagre da graça e da ação do Espírito Santo que faz nascer os filhos de Deus, e eles, sim, é que são igreja de Cristo, povo de Deus, corpo de Cristo. Eles, sim, formavam as igrejas que se reuniam nas casas dos crentes, como é mostrado nos Atos dos Apóstolos e nos demais livros do Novo Testamento. Em nenhum momento, nesses textos bíblicos, é dito que os crentes se reuniam na ou nas igrejas.

    O resultado, neste caso é a impossibilidade de se trabalhar e se firmar na consciência dos crentes em Cristo o verdadeiro conceito cristão de igreja. Pastores e demais cristãos que repetem este conceito de templo como igreja são os mesmos que geram “igrejas templocêntricas”, com todas as suas distorções, e nem se dão conta disso. Soma-se a isso, a falta de consciência que marca a maior parte deles, de que eles mesmos é que são a igreja e o povo de Deus no mundo, com uma missão, como nos fala Pedro, em sua segunda carta, capítulo 2, versos 9 e 10:

    “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo de propriedade exclusiva de Deus, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, que em outro tempo não éreis povo, mas agora sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas agora alcançastes misericórdia.”

    No caso da formação de “igrejas templocêntricas”, acima referido, realçamos apenas quatro males que lhe são consequentes:

    – O templo é o centro de tudo na vida dessas igrejas. Como consequência tudo de significativo na vida delas acontece apenas dentro do templo. Fora dela, nada de relevante ocorre.
    – O templo e não o mundo é, também, o espaço onde se vive a missão. Por isso, o conceito distorcido de “missionário” aplicado apenas aos que vão para lugares distantes e específicos pregar o evangelho. Os outros, “os que não vão”, os que ficam, são, forçosamente, mesmo que não de forma declarada, os “demissionários”, os demitidos da missão.
    – Se a vida da igreja acontece e quase se esgota totalmente no templo, pode-se abandonar a educação cristã, a formação consciente de discípulos de cristo que sejam cristãos e não apenas se comportem como se fossem.
    – No templo, como espaço por excelência de atuação da igreja, a ética se torna desnecessária. Basta comporta-se segundo a forma culturalmente aceita como o comportamento adequado a um cristão.

    Para concluir esta reflexão, pergunto: Como podem ser igreja, e se identificar como igreja de Jesus Cristo, crentes que não têm consciência de que eles mesmos são igreja, e que, ainda por cima, estão cercados por um conjunto de conceitos equivocados repetidos a eles de forma exaustiva?

    Este e o que foi enfocado na reflexão anterior são apenas dois exemplos de conceitos e pensamentos equivocados que dominam aquilo que podemos chamar de o nosso “inconsciente coletivo”, prejudicando enormemente e na fonte a nossa caminhada rumo ao ser cristão e ser igreja conforme os padrões neotestamentários. Estes exemplos foram aqui tratados muito perifericamente, mas merecem ser bem aprofundados com urgência e tratados com a devida seriedade pelas diversas lideranças cristãs verdadeiramente responsáveis.

    Continua…

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