Imagine um missionário que saiu do bairro onde moramos, no Rio de Janeiro, para evangelizar na Síria. Todas as suas orações e recursos são investidos na missão. Sua comida, casa e contas são essenciais para que o evangelho seja pregado ali. Ele, que agora está longe de sua terra-natal, suplicaria a Deus que enviasse outros obreiros para evangelizar sua família e amigos, pois eles também precisam de esperança. O problema é que muitos de nós permanecemos na cidade encarando a evangelização, a oração, a contribuição e a busca da justiça do Reino de forma eventual. Queremos viver o evangelho e, ocasionalmente, caso haja oportunidade, pregar. Mas Paulo disse que a fé vem por ouvir a mensagem, mediante a palavra de Cristo (Rm 10.17), e que Timóteo, assim como nós, deveria pregar a palavra e estar preparado a tempo e fora de tempo (2 Tm 4.2). Jesus mandou ir pelo mundo e pregar o evangelho a todas as pessoas (Mc 16.15). Ele disse “…vão e façam discípulos (…) ensinando-os a obedecer…” (Mt 28.19-20). Por isso, não basta incluir um tempo do ano na evangelização da cidade. A dedicação deve ser integral e de todos.
Quem vai levar esperança aos presídios, às escolas, às universidades, aos hospitais e às unidades de socioeducação? Quem vai alcançar os estrangeiros, os enlutados, os dependentes químicos, os moradores de rua, as minorias, enfim, os sem esperança? Reconheçamos que, do mesmo jeito que não vamos à Síria, não iremos a todos estes lugares e pessoas. Então, parte da missão envolve enviar missionários para longe e para perto, sustentando-os financeiramente, conhecendo os desafios de alguns e intercedendo por eles.
Mas isso é parte da missão, porque se você é discípulo de Jesus, ninguém pode ir em seu lugar. Diariamente, você deve ir ao seu quarto para conhecer mais a Deus e a Sua vontade em oração, arrependimento, confissão de pecados, estudo e meditação na Palavra, sendo conduzido pelo Espírito à santificação. Deve ir ao resto da sua casa, pois sua família faz parte da missão. Deve ir à escola, à universidade, ao trabalho, ao supermercado, à festa, à praia, à reunião, ao ensaio ou ao culto a fim de cumprir a missão de servir e amar em nome de Jesus, para a glória de Deus. Deve ir e levar esperança explicando o evangelho, compartilhando seu testemunho, fazendo discípulos, promovendo justiça e paz. Deve deixar o Espírito conduzir você para servir em alguns lugares onde outros já estão indo e a outros lugares onde ninguém foi, ainda que sejam poucas pessoas em poucos lugares. Deve ir como missionário enviado ao povo do Rio de Janeiro.
Então, certamente, aquele missionário que deixou o Rio e foi para a Síria ficará em paz, sabendo que Deus enviou outros missionários com dedicação integral para evangelizar, levando a esperança a todos na cidade maravilhosa.
Paz, alegria, esperança e graça,
Pr. Anderson Santos Barreto
pastor da PIB Nova Jerusalém


