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  • Será que não é para isso que Deus nos permitiu continuar existindo?

    Será que não é para isso que Deus nos permitiu continuar existindo?

    Nos dias 5 a 15 de janeiro de 2018, as convenções batistas Brasileira, Fluminense e Carioca estarão unidas no propósito de evangelizar o estado do Rio de Janeiro. O Pés no Arado, como é conhecido o projeto missionário da Juventude Batista Brasileira (JBB), vem para compartilhar esperança a moradores cansados da violência e da falta de perspectiva.

    Nesse ano, numa das pontas do Pés no Arado está o departamento de missões urbanas da Convenção Batista Carioca (Missões Rio). O pastor Ulisses Torres, coordenador de Missões Rio, responde a questões importantes sobre a unidade denominacional em torno deste projeto, bem como explica os detalhes da participação dos cariocas nessa mobilização que vem marcar o início do próximo ano.

    O que motivou a parceria com a JBB na realização do Pés no Arado?
    Pr. Ulisses: Há muitos anos, eu e a irmã Gilciane começamos nossa caminhada em organizações denominacionais, no mesmo período. Ela era executiva da Juberj e eu secretário da JBC. Desde então, nossas vidas e nossas famílias têm se cruzado na caminhada de buscar envisionar adolescentes e jovens a terem uma vida dedicada a Jesus. Quando a irmã Gil informou que estava encerrando o ciclo na JBB, avisei-a que também estava encerrando o ciclo como líder de Missões Rio. E foi uma grande oportunidade de fecharmos esse ciclo em conjunto, fazendo o que mais amamos: levar adolescentes e jovens a uma experiência missionária profunda com Cristo. Missões precisa ser um estilo de vida!

    Qual será a contribuição de Missões Rio em todo o projeto?
    Pr. Ulisses: Enquanto CBC, Missões Rio assumiu toda a articulação administrativa e logística do evento. Toda a parte de comunicação com todos os envolvidos, a gestão dos recursos e orientação na forma de abordagem na cidade. A Convenção Batista Fluminense (CBF) também foi convidada a participar conosco, já que o Estado do Rio de Janeiro precisa de uma intervenção divina, e não só a capital.

    Quais serão as bases de atuação de Missões Rio e como elas foram escolhidas?
    Pr. Ulisses: Na última assembleia da Convenção Batista Carioca, informamos as igrejas sobre a possibilidade de receber o projeto. Explicamos quais seriam as funções de cada parte envolvida e abrimos a possiblidade das igrejas se cadastrarem. Caso a igreja que se cadastrou concorde e atenda as demandas, assinamos um compromisso e começamos os trabalhos.
    Bases de trabalho no RJ:
    – PIB Viva – congregação de Bento Ribeiro
    – CB Vida – congregação no Morro da Providência
    – IB Jardim Arimateia – Morro da Mangueira
    – IB do Sampaio
    – IBM do Mallet

     

    “Dezenas de pessoas são alcançadas e
    discipuladas por dias através dos projetos
    da CBC”

     

    Quais os benefícios deste tipo de projeto para as igrejas locais e para o voluntário?
    Pr. Ulisses: O voluntário é abençoado na sua formação missionária. Em uma experiência prática, ele é preparado para abordar com o evangelho e consolidar com o discipulado. Quando esse voluntário volta para a igreja, uma parte da sua formação cristã recebe grande conteúdo.

    As inscrições já foram encerradas, mas ainda existe alguma possibilidade de participação para os que não conseguiram se inscrever?
    Pr. Ulisses: Não existe.

    Esperança tem sido o foco de Missões Rio durante os últimos dois anos e agora esse termo vem como ênfase do Pés no Arado 2018. Como você analisa o papel dos batistas com relação a esta missão, de levar esperança aos cariocas?
    Pr. Ulisses: Os batistas têm uma obra missionária consolidada e em expansão na cidade do Rio de Janeiro. São cerca de 54 projetos, 21 missionários e mais de 180 voluntários atuando em diversas áreas na cidade. Dezenas de pessoas são alcançadas e discipuladas por dias através dos projetos da CBC. Realmente vivemos um tempo difícil da cidade, mas será que não é para isso que Deus nos permitiu continuar existindo?

    O próximo projeto evangelístico de Missões Rio, o Impacto de Carnaval, já está bem próximo. O que podemos esperar como diferencial para 2018?
    Pr. Ulisses: Também fizemos uma parceria com a CBF, e esse ano teremos nove bases de trabalho. Todas em igrejas locais, perto de espaços onde ocorrem festas de rua. Além disso, teremos uma base voltada só para oração, que ficará orando de 00h do dia 10 até as 10h do dia 13 de fevereiro de 2018. Continuaremos fazendo uma vigília na primeira noite e encerrando com um evangelismo na Av. Presidente Vargas, ao lado do Sambódromo.

    Alguns criticam projetos como o Pés no Arado e o Impacto de Carnaval, afirmando que não há planejamento para os convertidos. O que você diria sobre essa questão?
    Pr. Ulisses: Que todo crente deveria ir uma vez na vida em um evento desse. Vendo pessoas nesses lugares se rendendo a Jesus, superamos quaisquer críticas que possam fazer a esses projetos.

     

    Inscrições abertas para o Impacto de Carnaval 2018 em www.impactodecarnaval.com.br

  • O grande problema de missões

    O grande problema de missões

    Pr. Sylvio Raphael Azevedo Macri*
    Antigamente nós tínhamos uma visão muito romântica da obra de missões. Era vista como uma atividade heróica, em que a pessoa partia para uma verdadeira aventura em terras estranhas, para pregar o evangelho a pessoas estranhas, que nunca o teriam ouvido e, muito provavelmente, mostrariam uma forte reação à Palavra de Deus. Os lugares para onde se enviava os missionários, mesmo que fossem cidades, geralmente eram de difícil acesso e sem recursos; ser missionário representava, antes de mais nada, renunciar ao convívio da família e ao conforto do lugar de origem.

    Este conceito mudou radicalmente. Hoje temos uma visão muito mais ampla da obra missionária. Compreendemos agora que ela não se faz somente nos sertões e nos países distantes, mas igualmente bem pertinho da porta da nossa casa. E não estamos falando aqui daquele conhecido argumento que diz que cada um de nós, os crentes, pode ser também um missionário. Referimo-nos a enviar missionários e sustentá-los para trabalhar na nossa própria cidade.

    Mesmo a nossa visão de missões mundiais ampliou-se grandemente, em virtude da globalização da economia, dos transportes e das comunicações; a viagem de avião para qualquer nação do mundo pode ser feita em menos de vinte e quatro horas, e a comunicação via satélite se dá em tempo real. Através do rádio, TV e Internet pode-se penetrar no país mais fechado do mundo. Atualmente, os batistas brasileiros estão fazendo missões em muitas nações no mundo.

    Também compreendemos que fazer missões não é só enviar missionários, mas, talvez até em muito maior proporção, sustentar obreiros da própria nação ou povo que queremos evangelizar. São os chamados missionários da terra ou autóctones, que têm muito mais facilidade para fazer a obra de missões que os estrangeiros, pois não precisam, como estes, gastar um longo tempo para aprender a língua e os costumes dos povos aos quais são enviados e para ganhar a sua confiança. E há mais uma vantagem: é muito mais fácil sustentar um missionário da terra do que um estrangeiro.

    Outra coisa que contribuiu para mudar a nossa visão missionária é que o mundo tornou-se urbanizado. O nosso próprio país tornou-se tão urbanizado que hoje, segundo a ONU (Folha de São Paulo – 26/2/2008), apenas 15% da população vivem nas áreas rurais. Há verdadeiras megalópoles espalhadas por todo o mundo, onde o tráfico de drogas, o crime organizado, a prostituição, os vícios, as falsas religiões já chegaram, e o evangelho ainda não chegou. Ou se chegou, a sua penetração é ainda insignificante. O grande campo missionário da atualidade são as grandes cidades.

    Mesmo nas grandes concentrações urbanas do Brasil, onde temos tantas igrejas, tornou-se necessário ter pessoas especialmente chamadas por Deus e sustentadas por nós para trabalhar naqueles lugares onde a maioria dos crentes não pode ir por falta de tempo, de oportunidade, de treinamento e de credenciamento ou de licença. São os hospitais, as cadeias, os portos, as casas de internação de viciados, as de internação de menores, os pontos turísticos, as universidades. Há também as atividades arriscadas, como o trabalho nas favelas e com os moradores de rua.

    Realizar missões nessa nossa “aldeia global” é um privilégio e uma responsabilidade sem precedentes, porque, se por um lado o progresso facilitou o acesso a todos os pontos do planeta Terra, assim permitindo que a mensagem do evangelho penetrasse em qualquer lugar, mesmo nos mais fechados, por outro lado, esta oportunidade sem igual precisa ser urgentemente aproveitada, antes que termine a nossa geração, antes que outros milhões de pessoas morram sem ouvir falar de Jesus. Deus deu à nossa geração o que não deu às anteriores: a oportunidade de cumprir o “Ide” de Jesus numa dimensão jamais vista. Está nas nossas mãos fazê-lo, as condições estão dadas.

    Entretanto, é mais fácil para Deus mover a roda da História, como tem feito, criando tantas oportunidades para Missões, do que mover o coração duro dos crentes que não se abre para essa obra. Sim, porque essa é uma questão não só da vontade de Deus, mas também da vontade do homem. O Senhor é soberano, mas espera a nossa participação voluntária na obra, pois este é o seu plano: que homens e mulheres sejam suas testemunhas também onde moram, que se engajem, indo diretamente aos campos ou contribuindo para o sustento dos que vão, e que orem para que a obra dê resultados.

    Portanto, o grande problema da obra missionária neste mundo sem fronteiras não são as barreiras raciais, culturais ou políticas, mas a falta de recursos humanos, financeiros e espirituais. Precisamos de mais gente para ir aos campos, precisamos de mais gente participando financeiramente, precisamos de mais gente orando.

    Recentemente apurou-se que o valor médio ofertado por ano para a obra missionária pelos evangélicos brasileiros era menor que o valor de uma Coca-Cola. Isto mesmo: todo o dinheiro dado para Missões pelos crentes brasileiros dividido pelo número total desses crentes, dá menos que o preço de uma latinha de Coca-Cola por ano. Não nos enganemos, irmãos, todos nós haveremos de comparecer perante o tribunal de Cristo e prestar contas da nossa omissão nesta hora, neste mundo de tantas oportunidades. Que nenhum dos que me lêem seja achado culpado naquele dia!

    *pastor da Igreja Batista Central de Oswaldo Cruz

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