Por muito tempo a igreja deixou de aproveitar as oportunidades de evangelização durante o Carnaval. Mas, há cerca de 20 anos, essa visão mudou e, entre os batistas, existe um grupo crescente que está decidindo impactar vidas, levando o evangelho durante a Festa da Carne. O Impacto de Carnaval, realizado pelo departamento missionário da Convenção Batista Carioca (Missões Rio), contou com a participação de 350 inscritos. Divididos em equipes de evangelização e de intercessão, eles desafiaram as trevas e, como prometido pelas Escrituras, venceram o domínio do mal com a verdade que liberta.
Durante o Carnaval, quem passou pela região do sambódromo viu gente de todas as idades impactando vidas. No uniforme, uma frase chamava atenção: Eu sou a fonte da vida. A princípio uma frase solta, mas que aguçou a curiosidade e abriu portas para a evangelização. Cada oportunidade foi aproveitada como se fosse a última. O brilho nos olhos dos impactantes contagiou e foi canal de bênçãos para muitos que estavam sedentos da Água da Vida. Falando em brilho, destaque para a irmã Cenira Meira, que aos 72 anos deu exemplo de vida cristã e compromisso com o Reino para os voluntários mais jovens. Incansável, ela evangelizou e testemunhou do que Cristo pode fazer por quem aceita seu convite de salvação.
Ao contrário de irmã Cenira, esta foi a primeira vez em que Juliana Alves, da Igreja Batista Monte Horebe, em Campo Grande, participou do Impacto de Carnaval. Ela, que nutre fortes expectativas com relação ao ministério de missões, lembra que se “apaixonou de cara” ao ouvir as experiências de uma amiga que já tinha participado do projeto. “É uma experiência perfeita porque ali a gente vê o que Jesus quis dizer com o Ide, com amar o próximo e a importância disso”, afirmou. Ela, que no início sentiu alguma dificuldade nas abordagens diretas, notou a grande carência que as pessoas, mesmo em meio ao Carnaval, possuem de conversar sobre os grandes dilemas da vida e a esperança de mudança a partir do contato com Cristo. “Como as pessoas estão sedentas de amor! E a Palavra de Deus é realmente a única que pode mudar tudo!”

Além de provocar mudanças na vida daquele que é alvo do projeto, o Impacto muda a perspectiva de quem participa. Marianna Von Kruger, da IB Nova Jerusalém, em Sampaio, afirma que o evento também tem uma proposta de edificação que gera crescimento. “Saber que temos um objetivo desses (de evangelizar) nos faz crescer em Cristo e conhecer sua Palavra para passar vida para essas pessoas. Tudo que sabemos é muito pouco e lá (no Impacto) a gente quer crescer e conhecer mais de Deus”, afirma Marianna.
Porém, em alguns momentos, a lógica do impacto se inverte. Ou seja, o próprio folião vai ao encontro do voluntário e abre seu coração, como lembra o pastor Cleudair Godoi, da Igreja Batista Itacuruçá. “As pessoas começaram a observar nossa chegada e um casal que estava desviado (do evangelho) viu a frase da camisa e aquilo chamou a atenção deles. Esse casal chamou um trio de impactantes para conversar e disse que tinha colocado Deus à prova, pois já estavam incomodados com o estilo de vida que estavam vivendo. Os voluntários puderam dizer que eram a resposta de Deus naquela ocasião e aquelas pessoas se reconciliaram com Cristo, aos prantos”.
As abordagens de rua contaram com uma força-tarefa especial, que priorizou a evangelização de crianças durante o carnaval. Dessa maneira, enquanto adultos eram alcançados, meninos e meninas também recebiam uma atenção especial, numa linguagem acessível. A responsável pela estratégia, Vania Carvalho, explica que as crianças também carecem de Deus e estão sedentas de Cristo. “Sabemos que o mundo jaz no maligno e que as crianças são o futuro do nosso país. Portanto, precisamos investir nelas. Nesse ano sentimos a sede dessas crianças e percebemos que isso aumenta a cada ano. Elas estão nos procurando”, comentou.
Mais de 470 decisões por Cristo
A oração constante foi um elemento fundamental para a realização das ações desse ano. Um dos líderes de intercessão, Filipe Zappala, da SIB de Petrópolis, explicou que parte dos impactantes intercessores permaneciam na base – o Colégio Batista Shepard, na Tijuca – enquanto outros seguiam ao campo, como integrantes de equipes. Dessa forma foi possível uma cobertura espiritual completa. “Oramos e cuidamos dos voluntários. Quando a gente chega e começa a orar, as pessoas param e prestam atenção. Muitos afastados do evangelho também voltam e vemos nisso o agir de Deus”. Sobre o desafio de levar a igreja a sair das quatro paredes, Filipe afirma: “A gente tem passado por um momento difícil na igreja brasileira. Temos discutido isso em congressos e seminários. Vemos que a igreja tem deixado de cumprir o ide, tem se prendido apenas a projetos internos. Mas todos os anos temos recebido uma nova geração de inconformados. Uma geração que está sim dentro das igrejas, mas que sabe que precisa trabalhar lá fora, evangelizando”.
O coordenador do Impacto 2016, Pr. Miguel Kopanishin, avaliou a ação missionária como abençoadora para as vidas que foram alcançadas e para os voluntários participantes. “Esse é o nosso desafio: levar a mensagem e a esperança que há em Cristo Jesus. Esse é o impacto: preparação de vidas, igrejas envolvidas, jovens envolvidos para que Cristo Jesus seja levado a todos”.
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