Tag: intolerância

  • Intolerância religiosa

    Intolerância religiosa

    Casos de intolerância religiosa estão se tornando cada vez mais comum no Rio de Janeiro. No último sábado, uma muçulmana afirmou ter sido agredida duas vezes em Copacabana, enquanto distribuía folhetos com mensagens a favor da paz e respeito religioso.

    Tatiana Galvão, bióloga, teria sido hostilizada por um francês, que jogou o folheto em seu rosto, enquanto xingava e ameaçava. Ela contou ainda que, mais tarde, recebeu tapas de outro homem durante a entrega do mesmo folheto.

    O vice-presidente da União Nacional das Entidades Islâmicas (UNI), Ali Hussein Taha, se reuniu com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, para tratar dos casos de discriminação e intimidação de muçulmanos no Brasil. Segundo Taha, a mídia tem um forte papel na estigmatização do muçulmano como terrorista.

    “Na realidade somos brasileiros, somos quase 1,5 milhão e meio de brasileiros muçulmanos no território nacional há várias gerações. Somos brasileiros acima disso e a religião não pode tratar nem mais nem menos os brasileiros e foi essa a questão que viemos tratar aqui com o ministro”, disse Taha.

    Para o ministro Moraes, é inadmissível que todos os muçulmanos sejam confundidos com terroristas. Ele acrescentou que ministérios e as autoridades federais trocarão informações com entidades muçulmanas para o combate ao preconceito.

  • RJ terá conselho de enfrentamento à intolerância religiosa

    RJ terá conselho de enfrentamento à intolerância religiosa

    Até o final deste ano, o estado do Rio de Janeiro terá um conselho de enfrentamento à intolerância religiosa. O comunicado foi feito na segunda-feira, pela secretária estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Teresa Cristina Consentino, em meio a posse de novos integrantes do Grupo de Trabalho de Enfrentamento à Intolerância e Discriminação Religiosa.

    O grupo ganhou mais 44 membros, passando a representar 22 credos religiosos, além de ateus, agnósticos, representantes do poder público. “O conselho será criado por decreto e vai existir independente de secretário A ou B gostar ou não do tema”, declarou Consentino. “Além disso, será um órgão deliberativo. Então, as políticas públicas vão emanar de fato da sociedade civil, dos movimentos que estão na rua, que sentem diariamente o que é o preconceito, a intolerância religiosa”.

    Sobre a ampliação do grupo, o superintendente Cláudio Nascimento afirmou que havia uma necessidade de ampliar o grupo para a entrada de novos segmentos. Anteriormente, muitos participavam apenas como convidados, mas agora passam a ser titulares.

    Com atuação de pelo menos três anos, o grupo concluiu no ano passado o Plano Estadual de Enfrentamento à Intolerância Religiosa. Segundo Nascimento, a proposta será implementada a partir deste ano. “São metas de ações de curto, médio e longo prazos, para enfrentar a intolerância religiosa em diferentes áreas. O grupo vai acompanhar a implantação pelo governo do estado, e verificar se estão sendo seguidas todas as etapas, em um trabalho de controle social”.

    De acordo com o governo federal, a cada três dias surge uma denúncia de intolerância religiosa no país. A maioria feita por pessoas de religiões de matriz africana (35%). Em segundo lugar estão os evangélicos (27%). No Rio de Janeiro, 80% das denúncias estão relacionadas à intolerância contra religiões africanas.

    Para denunciar casos de intolerância religiosa no RJ, a população deve entrar em contato através do número 21 2334-9550, de 9h às 18h, de segunda a sexta-feira.

  • Pela liberdade de crença

    Uma manifestação contra a intolerância religiosa e o preconceito, realizada na manhã do último domingo, marcou a cidade do Rio de Janeiro. A ação, que contou com a presença de representantes de várias religiões, teve início com uma concentração no Largo do Bicão , na Vila da Penha, seguida de uma passeata em direção ao local onde a menina Kaillane Campos foi apedrejada na cabeça.
    Cerca de mil pessoas participaram do ato de repúdio à violência que chocou o Rio. Entre os representantes religiosos, era expressiva a presença dos evangélicos, que empunhavam cartazes em favor da paz.

    Um dos primeiros a chegar foi o irmão Sinval Viana, da Segunda Igreja Batista de Petrópolis. Ao ouvir o comunicado de que haveria a manifestação, decidiu apoiar essa causa em fazer da liberdade de fé e da paz. Enquanto aguardava o início da manifestação, conversava e tirava foto ao lado de representantes do candomblé, mostrando que ser cristão é ser representante do amor.
    “Hoje temos um fundamentalismo que praticamente exala uma violência que não coaduna com o povo batista e com nenhum cristão. Principalmente não coaduna com os ensinamentos de Jesus Cristo. Então eu acho muito válida essa manifestação, esse ato público. Vi que teria esse ato não em defesa de Deus porque Deus não precisa de defesa, mas que nos reuníssemos para colocar nossa indignação frente a essas questões”, afirmou Sinval.

    A menina Kaillane chegou ao local da concentração por volta das 11h. Caminhava entre sua mãe, que é evangélica, e sua avó, também do candomblé. O turbante em sua cabeça escondia parte do curativo colocado para tratar da ferida em sua cabeça. Ferida esta que continua aberta na mente de todos que defendem a liberdade de culto. “A pedrada da Kaillane foi em todo mundo, foi no Brasil, foi em toda pessoa do bem. Essa pedrada não foi só na Kaillane. Ela foi o veículo para que a gente possa gritar e exigir que achem esses culpados, e eles sejam condenados como bandidos. Eles não são religiosos”, disse Katia Marinho, avó de Kaillane Campos.

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    Pr. João (PIB Vila da Penha) ao lado de Kaillane

    O pastor da 1ª Igreja Batista de Vila da Penha, João Luiz Sá Melo, teve a oportunidade de falar ao público presente. Sua igreja tem sido fundamental nesse momento. Após ter sido procurado pela mãe de Kaillane, Karina Marinho, pr. João tem aconselhado a família e aproveitou a oportunidade para pedir desculpas em nome dos evangélicos.  “A mãe da menina é evangélica e nos procurou. Estivemos inclusive com a menina, pedindo perdão por conta da agressão dessas pessoas que não são evangélicas, são agressores. E nós, como igreja batista, sempre lutamos pela liberdade religiosa para que entendam que nós respeitamos a religião dos outros. Repudiamos qualquer ato de intolerância e anunciamos um Deus que é paz e amor. Nossa presença aqui é para passar a mensagem de que somos de Cristo, somos da paz, contra a violência e contra a intolerância porque Jesus jamais ficaria dentro das quatro paredes… ele estaria perto das pessoas que falam de paz. É ali que ele estaria e é por isso que estamos aqui”, afirmou pr. João.

    Para o babalaô Ivanir dos Santos, interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, intolerância é um fato que acontece todos os dias no país. Ele ressalta que o apedrejamento sofrido por Kaillane foi expressão facista, condenável por uma sociedade que prega a liberdade de culto. “Isso não é uma atitude bem-vinda para ninguém numa sociedade democrática como a nossa. Primeiro vão nos perseguir, mas depois virão os outros. Não quero acreditar que isso é uma postura da maioria dos cristãos porque não é, mas o silêncio da maioria faz com que esses grupos se coloquem da forma como tem se colocado”, explicou Ivanir. Segundo o representante do candomblé, tão fundamental quanto a identificação dos criminosos que apedrejaram a menina, é a identificação de doutrinas que pregam o ódio e o preconceito aos fiéis. “Do ponto de vista religioso isso é uma blasfêmia porque existe o livre-arbítrio. Essa pedra foi muito mais longe do que a gente possa pensar. Ela não foi só na menina, foi na sociedade brasileira, na democracia”.

    Outros representantes da Convenção Batista Carioca (CBC) marcaram presença na manifestação, entre eles Ronan Lima, executivo da Juventude Batista Carioca, e o presidente da CBC, pr. Dejalmir da Cunha Waldhelm. Para eles, esta é uma oportunidade que não pode ser perdida, como explica o presidente: “Entendemos como CBC que não poderíamos ficar de fora para manifestar nosso posicionamento com respeito a essa intolerância, essa atitude que foi tomada contra essa menina. Nós batistas sempre levantamos essa bandeira, no sentido de que cada um possa ter a sua liberdade. Colocamos aqui nosso posicionamento de que não aceitamos essa violência e que propagamos a paz de Cristo. Pra mim é importante participarmos desse momento histórico aqui na cidade do Rio de Janeiro.

    Confira nossa galeria:

    Veja também:

    Batistas emitem nota de repúdio ao ato de violência sofrido por Kaillane Campos

  • Batistas Cariocas contra a intolerância e o preconceito

    Batistas Cariocas contra a intolerância e o preconceito

    “Não haverá paz no mundo,
    se as religiões não aprenderem a conviver em paz”.
    (Hans Küng, teólogo)

    Nós, batistas cariocas, em face da agressão sofrida por menina de 11 anos que, no domingo 14 de junho, foi vítima de intolerância religiosa, queremos expor publicamente nosso repúdio a qualquer ato contra a dignidade do ser humano, mesmo — e especialmente — em nome de Deus e da religião.

    E o fazemos porque os batistas defendem, desde o século XVII, dois princípios fundamentais para qualquer regime democrático: a liberdade religiosa e a separação entre igreja e Estado.
    Poucos sabem que, se hoje em nosso país uma pessoa tem, por lei, o direito de adotar a confissão religiosa que achar por bem, e se do estado é requerido que mantenha sua posição laica, sem a interferência de uma religião oficial, muito se deve a esses dois princípios que os batistas, desde suas origens na Inglaterra, em 1610, lutam para defender e propagar.

    Qual é o verdadeiro sentido de paz? Não pode ser meramente ausência de problemas ou adversidades. A paz que o Senhor Jesus Cristo nos dá, conforme a revelação do evangelho, existe apesar das aflições, das enfermidades e dos problemas em geral. Não podemos reduzi-la a poucos momentos de tranquilidade, pois ela precisa e pode ser vivenciada em meio às ansiedades desta vida. A Paz que tanto necessitamos como seres humanos não vem de fora, nem pode ser obtida pelo uso de força ou de violência, sob pena de se tornar apenas uma breve tregua que, aguardando por vingança, gerará ainda mais violência, numa espiral sem fim.

    As Escrituras afirmam que “não há paz para o homem sem Deus” (Isaías 57:21) e que Jesus é o Príncipe da Paz (Isaías 9:6). Também nos mostra que cada um deve ter paz consigo mesmo, pois isso é essencial para que haja paz com os outros.

    Daí, a paz com o próximo é um alvo a ser buscado e alcançado todos os dias, pois somos diferentes. Somos oriundos de estilos de criação diferentes, de formação educacional diferente e de orientações religiosas diferentes. No entanto, somos todos seres humanos criados à imagem de Deus, chamados a um relacionamento íntimo com Ele mesmo e com as pessoas que nos cercam. Por essa razão, posicionamo-nos contra toda e qualquer intolerância, seja religiosa, étnica, econômica, social e de outros matizes e formas.

    Jesus veio por amor, viveu e entregou sua vida por amor, ressuscitou e venceu a morte por amor. Aprendemos e cremos que o amor gera a paz, enquanto a intolerância gera a violência. A Palavra de Deus proclama a paz em todo tempo:

    “Se for possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Romanos 12.18).
    “Guardai a paz uns com os outros”(Marcos 9.50).
    “Sigamos as coisas que servem para a paz” (Romanos 14:19).
    “Porque Deus não é Deus de confusão, mas sim de paz” (1Coríntios 14.33).
    “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem” (Hebreus 12.14,15).
    “O fruto da justiça semeia-se em paz para aqueles que promovem a paz” (Tiago 3.18).
    “Quem quer amar a vida, e ver os dias bons, refreie a sua língua do mal, e os seus lábios não falem engano; aparte-se do mal, e faça o bem; busque a paz, e siga-a” (1Pedro 3.10,11).

    Que esse amor de Jesus esteja em todos os corações, fazendo com que de dentro para fora haja paz na terra, como os anjos que anunciaram o nascimento de Jesus proclamaram: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor” (Lucas 2.14).

    Convenção Batista Carioca