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  • 3° Congresso Batista Carioca

    3° Congresso Batista Carioca

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    O Congresso Batista Carioca já virou tradição entre os líderes das igrejas do município do Rio de Janeiro. O evento, que trata de questões de ordem doutrinária, veio para orientar membros sobre alguns costumes que estão tomando espaço nos arraiais batistas e que estão fora daquilo que é a compreensão bíblica da denominação. Nos dias 18 e 19 de março, a terceira edição do Congresso trouxe os pastores Dr. Irland Pereira de Azevedo e Josué Melo Salgado para tratarem dos temas Dom de Línguas, Unção com Óleo, Apostolado, Autonomia da Igreja e Cooperação. A programação aconteceu na Igreja Batista Barão da Taquara, contando com a presença de vários líderes.

    O Congresso teve início na sexta-feira à tarde, com um momento de louvor, com o apoio de músicos da igreja e da Associação dos Músicos Batistas Cariocas. Em seguida, o Pr. Irland tomou a palavra para dar início à preleção sobre os temas mais polêmicos do evento. Partindo da análise profunda de textos bíblicos, e do significado grego de palavras que são a chave para uma compreensão sadia das escrituras, ele explicou os motivos pelos quais não se costuma adotar as práticas do Dom de Línguas, Unção com Óleo e Apostolado (como titularidade).

    Dom de línguas, Unção com Óleo e Profecias
    IMG_1097“A língua estranha existiu primeiro em Atos 2, em cumprimento da profecia de Joel. Em pentecostes estavam milhares de pessoas em Jerusalém e a multidão veio ao encontro deles e cada um ouvia as obras de Deus em sua própria língua. Foram línguas estrangeiras. Já em outras ocasiões, em Éfeso, em Cesareia… falaram línguas estranhas, inteligíveis. Porque os judeus entendiam que a promessa era apenas para eles, mas a promessa alcançou também aos gentios. E lá estava a prova. O próprio Pedro ficou impressionado. Aí foram línguas estranhas para provar que o Espírito era para todos. Não há uma elite espiritual. Os dons da graça são para todos os que crêem. Na igreja que mais deu trabalho à Paulo, a igreja de Corinto, a recomendação era um ou dois falando, desde que houvesse intérprete.”, explicou o Pr. Irland.

    Para o pastor, o que há hoje em muitas igrejas é uma língua ensinada, treinada e que nada tem a ver com aquilo que se via na Bíblia. Além disso, ele ressalta que este dom, ainda que genuíno, é solitário e de edificação própria. Portanto, deve ser exercido sabiamente e de maneira particular. Pr. Irland disse também que nunca viu uma pessoa com dom de intérprete de línguas estranhas e a falta dessa pessoa na comunidade já pode ser um indicador de que esse dom não deve ser exercido diante da igreja.

    Citando as profecias, Pr. Irland declarou que hoje os profetas não declaram algo novo da parte de Deus, mas iluminam aquilo que está na Palavra para uma melhor compreensão da igreja. “Quando um crente vem a mim dizendo que Deus falou, eu pergunto onde Ele falou. Mostre-me na Bíblia porque se não bater com a Bíblia, Ele não falou”. Quanto à Unção com Óleo, ele lembra que há vários significados de unção e uma delas era o de separação de alguém para o ofício sagrado. Já no contexto do Novo Testamento, a prática aparece em Tiago, sendo analisada por alguns como óleo medicinal ou simplesmente um aditivo simbólico à fé, mas com ênfase à oração fervorosa.

    “Na verdade, Tiago ressalta que a oração de fé salvará. Não a unção. Aí a unção é símbolo ou uso terapêutico. Portanto não vejo nas minhas pesquisas feitas ao longo de 56 anos de ministério nenhuma base bíblica à unção de pessoas como fator de cura”, explicou pr. Irland. “Em algumas situações dá-se mais valor ao símbolo do que à realidade. Se eu quero que alguém seja tocado pelo Espírito, comunique a Palavra e ore sobre ela”, completou.

    Apostolado
    O apostolado também foi assunto discutido na mensagem do pastor Irland. Defendendo o posicionamento batista, ele afirmou que ser apóstolo não tem a ver com títulos, com um fundador de uma denominação. “Isso é uma usurpação do ofício apostólico”, declarou. Citando a palavra grega apostellein , que significa “aquele que é enviado”, Irland explicou que apóstolo faz referência ao ofício missionário.

    IMG_1240Autonomia e Cooperação
    Falando sobre a Autonomia da Igreja e a Cooperação, o pastor Josué Melo Salgado, 2° vice-presidente da CBB, ressaltou que essa independência está firmada no Novo Testamento. “Infelizmente é o nosso bem e o nosso mal, pois traz perigos. Mas é o que somos porque somos bíblicos. Não podemos duvidar que a soberania de Deus é retraída pelo arbítrio, mas com todos os riscos Deus cede essa liberdade”.
    Segundo Pr. Salgado, não podemos correr o perigo da autonomia absolutista, aquela que deixa de lado a responsabilidade que temos com o Reino e com as alianças que nos originaram como igreja. “Esse principio do eu faço o que quero e não devo nada a ninguém… no Novo Testamento vemos Paulo e Barnabé líderes, mas mantendo a cultura da prestação de contas diante da igreja”.

    Após abordagem de outras questões, Pr. Salgado conclui dizendo que o governo da Igreja é o governo de Cristo, apesar de muitos insistirem em dizer que suas assembleias são soberanas. “Mas ela não pode ser soberana se segue a Cristo e o tem como seu Senhor”.

    Grupos de discussão
    Além das palestras, o Congresso Batista Carioca organizou grupos de discussão que tiveram como objetivo o aprofundamento dos assuntos apresentados e a formulação de propostas que possam fortalecer a identidade denominacional, servindo de base para a postura doutrinária das igrejas batistas da cidade do Rio de Janeiro. Estes documentos serão catalogados e apresentados à Convenção Batista Brasileira, que analisará as propostas através de um Grupo de Trabalho específico. O resultado das propostas poderá ser apresentado em na Assembleia Anual da Convenção Batista Brasileira.

    As palestras foram gravadas em vídeo e em breve serão disponibilizadas em no site www.batistacarioca.com.br e em nosso canal no YouTube (youtube.com/batistacarioca)

    Mais imagens do congresso

     

     

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  • Autonomia da Igreja e Cooperação

    Autonomia da Igreja e Cooperação

    Autonomia da Igreja
    O princípio da autonomia das igrejas nasce como outros três princípios defendidos pelos batistas: a autonomia do indivíduo, a liberdade religiosa e a separação entre igreja e Estado na Inglaterra, no contexto das fortes influências do individualismo e da liberdade de consciência ao correr do século XVII.

    A ideia fundamental da autonomia da igreja local é a defesa contra a formação de uma igreja estatal que tivesse ingerência direta na vida dos cidadãos ou de um controle eclesiástico centralizador, como era na época a Igreja Anglicana em face dos movimentos puritanos e separatistas em solo inglês.

    Daí porque os batistas passaram a prezar tanto o conceito de autonomia da igreja local, uma vez que tanto padeceram com as perseguições católica e anglicana na gênese da sua existência institucional.

    O princípio da autonomia da igreja local é uma defesa contra a ingerência de outras igrejas ou mesmo de órgãos denominacionais em seus assuntos internos.
    A questão a ser debatida para convergências é se a autonomia de uma igreja, em termos administrativos e eclesiásticos, também se refere à sua autonomia doutrinária.
    Se não, a questão seguinte é até que ponto, e sob que critérios reguladores, associações, convenções e ordens de pastores podem interferir no acompanhamento e controle dos desvios doutrinários de uma igreja.

    Cooperação
    No tocante à ética no relacionamento entre as igrejas e à questão da cooperação denominacional, algumas posturas são indispensáveis:

    — solidariedade nos momentos de crise ou dificuldade;
    — respeito às diferenças de costumes que não distorçam fundamentos bíblicos ou doutrinários;
    — parceria em projetos de evangelização e missões, ou de ação social, quando os resultados da atuação coletiva podem ser maiores do que em atividades isoladas;
    — convívio harmonioso das igrejas a partir do convívio harmonioso entre os pastores (assim como as religiões não podem pedir paz entre as nações se não souberem viver em paz entre si, os pastores e líderes não podem esperar convívio harmonioso entre as igrejas se não cultivarem convívio harmonioso entre si);
    — esforços para evitar a mentalidade e o ambiente da concorrência ou da competição, a partir da consciência de que cada igreja possui características e qualidades distintas e peculiares, em áreas de atuação também peculiares e distintas, tal qual se dá também em ministérios pastorais e lideranças com ênfases que reflitam a singularidade de cada líder e pastor;
    — transformação das pretensões de cooperação em atos concretos, a partir da cooperação financeira para fins comuns, considerando que a participação consciente e voluntária resulta de planejamentos relevantes e consistentes, sob lideranças lúcidas e coerentes em estruturas organizacionais modernas e eficazes nas instituições denominacionais.

  • Quanto a práticas litúrgicas

    Quanto a práticas litúrgicas

    Os congressos anteriores (na Segunda Igreja Batista do Rio de Janeiro, em 2014, e na Primeira Igreja Batista de Madureira, em 2015) abordaram os seguintes temas: modelos eclesiásticos, liturgia do culto, dom de línguas, função apostólica, autonomia da igreja, unção com óleo, ministério como projeto de Deus e ética no relacionamento entre igrejas.

    Na Assembleia da CBC de 2015, foi aprovada a realização de um fórum de debates a partir das conclusões dos congressos anteriores no propósito de ser elaborado um documento com o posicionamento oficial da CBC sobre os temas abordados, fundamentando bases para o acompanhamento das igrejas.

    Dividimos esses subtemas em dois temas principais, os mesmos a serem considerados no próximo congresso a realizar-se em 2016.

    Dom de línguas
    Entendemos que o dom de línguas, não no sentido de compreender outros idiomas sem conhecê-lo, como acontece em Atos 2, mas de uma fala extática sem correspondência idiomática terrena tema da abordagem paulina no capítulo 14 de 1 Coríntios trata-se, na verdade, de uma experiência de cunho pessoal e não comunitário, isto é, que não pode ser imposto para a coletividade eclesiástica como comprovação de espiritualidade ou, tal qual se oficializou na declaração doutrinária da Assembleia de Deus, por exemplo, de marca distintiva da presença do Espírito Santo na vida do crente numa experiência posterior à conversão (popularmente chamada de batismo no Espírito Santo).

    Também não consideramos que seja um dom central e indispensável, mas de transitoriedade, no sentido de que não possui caráter de obrigatoriedade na experiência geral do cristão (até porque é uma experiência suscetível a manipulações emocionais e de fácil apropriação mimética no grupo social que a considera fator de aceitação na comunidade).
    Centralidade e indispensabilidade, como Paulo observa em 1 Coríntios 13.1-13 e em Romanos 129-27, é uma categoria do dom do amor, este sim imposto como necessário à igreja para manter sua unidade e comunhão.

    Entendemos, enfim, que não são os dons que demonstram o caráter do cristão até porque não são critérios definitivos para atestar a comunhão de alguém com o Senhor, conforme as próprias palavras de Jesus em Mateus 7.21-23 e sim as virtudes do fruto do Espírito (Gálatas 5.22-25).

    Ministério apostólico
    Entendemos que a palavra apóstolo como função na igreja refere-se inicialmente aos doze separados por Jesus e a Paulo que cumpriu em seu chamado as duas condições essenciais para exercer o ministério apostólico: ter acompanhado Jesus em seu ministério na terra e ser testemunha da ressurreição (Mateus 10.2-4; Atos 1.21-22).

    Como a palavra grega apóstolo se refere, etimologicamente, a alguém comissionado ou enviado para o cumprimento de uma missão, podemos entender que, na igreja de Cristo, temos todos uma condição apostólica, pois somos todos testemunhas de Jesus para fazer discípulos.

    Portanto, em termos de função apostólica como um ministério específico no contexto eclesiástico houve apóstolos separados diretamente por Jesus para exercerem o papel de fundamentar as bases da igreja no período inicial (Efésios 2.20). Em termos de condição apostólica como responsáveis por cumprir a missão da igreja de fazer novos discípulos e testemunhar acerca do evangelho cada crente é um apóstolo, ou seja, um vocacionado ou comissionado por Jesus.

    Unção com óleo
    A unção com óleo era um costume judaico, conforme narrativas do Antigo Testamento, para representar a consagração de pessoas a Deus ou a uma determinada função, como no caso de sacerdotes (Êxodo 30.30; Levítico 8.12), reis (1 Samuel 10.1, 16.13; 1 Reis 1.39) e profetas (1 Reis 19.16). Tanto que a palavra hebraica messias significa ungido.

    No Novo Testamento, além de ser material de preparo para o embalsamento do corpo (Marcos 14.8; Lucas 23.56) e símbolo de honraria a um visitante ilustre (Lucas 7.38,46, nesse caso foi utilizado um perfume), a unção possuía caráter terapêutico (Marcos 6.13; Tiago 5.14), no sentido de que a aplicação do unguento (aleiphos, no grego) refere-se a um processo usado na época para medicação e cura de um enfermo. A ênfase na oração é uma expectativa de que o tratamento fosse abençoado por Deus para dar resultados positivos.

    Mesmo considerando, como no caso das opiniões divergentes, que a unção não tivesse vínculo com uso terapêutico, fica claro nos textos que não há poder no ato em si, ou no óleo aplicado, mas na ação poderosa de Deus em resposta à oração confiante.

    Não há, portanto, qualquer razão para que a unção com óleo seja tratada, como em alguns ambientes evangélicos, de forma mística ou mágica, ou para que o costume seja imposto como algo fundamental, quase sacramental, para viabilizar a ação divina.