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  • Ação social no presídio feminino Talavera Bruce

    Ação social no presídio feminino Talavera Bruce

    Uma parceria envolvendo a Convenção Batista Carioca (CBC) e um grupo de médicos resultou em uma tarde de atendimentos sociais realizados na última sexta-feira (12), no presídio feminino Talavera Bruce, em Bangu, zona Oeste do Rio de Janeiro. Cerca de 15 profissionais dedicaram o período da tarde para a ação solidária que alcançou 220 mulheres em situação de cárcere.
    A ação contou com a participação dos Médicos de Cristo e Santa Casa da Misericórdia, reunindo 12 profissionais da área de saúde nas seguintes especialidades: dermatologia, nefrologia, infectologia e clínica geral. A presença do grupo no presídio foi coordenada pela missionária Marilena Ribeiro, capelã prisional e socioeducativa da CBC que já atua no local prestando aconselhamento e ensinando sobre a Palavra de Deus às 384 mulheres que cumprem pena nesta unidade. Os movimentos de assistência social são braços deste ministério, mostrando que a compaixão precisa ser exercida para que vidas sejam transformadas.

    Joana Madeira Ferreira, 33 anos, foi presa em 2013, ao tentar entrar com drogas dentro de um presídio. Ela foi uma das mulheres atendidas pelo grupo de médicos e fala sobre a importância da participação da sociedade para quem vive os desafios do cárcere. “Queria agradecer a este grupo que veio aqui. Isso mostra que, independente dos erros cometidos no passado, não estamos abandonadas. Há pessoas prestes a nos ajudar”.

    Desde o dia em que foi presa, Joana não tem recebido visitas de sua família. Ela conta que nunca foi tão próxima dos pais, mas sua voz embargou diante da lembrança de seus dois filhos: uma menina de 12 anos e um menino de 14. “Pretendo ter uma vida bem diferente do que eu tinha antes, quero cuidar dos meus filhos. A princípio, quando sair daqui, quero procurá-los. Pedir perdão por esse tempo, pelos meus erros. Queria dizer para eles que quero construir e ter minha vida de volta.”

    Enquanto aguarda o progresso da pena, Joana nutre o sonho de ser arquiteta. Na cadeia, usa o desenho como ferramenta de esperança e a fé em Deus como base de sua transformação. Na parede da biblioteca do presídio, exibe com orgulho a pintura de um livro com a frase de Clarice Lispector: “Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome”.

    A estagiária de Odontologia Letícia Ladislau da Silva, 20 anos, fez parte do grupo de atendimento às presidiárias. Ela conta que ficou surpresa pela forma como foram bem recebidos e que essa experiência jogou por terra a visão que tinha do ambiente prisional. “Achei que ia ficar mal por causa do ambiente ‘barra pesada’, mas confesso que saí melhor do que entrei. Todas se mostraram muito sensíveis, sentindo nossos gestos de amor, nossa dedicação em estar ali. Algumas chegaram a chorar, abrindo o coração, e tive a oportunidade de falar de Deus durante os atendimentos. Muitas tinham histórias de vida muito críticas e vi nessas histórias o reflexo da falta da presença do Estado nas comunidades onde viviam. No final já estavam perguntando quando íamos voltar”, afirma Letícia.

    A diretora da unidade prisional Talavera Bruce, Andreia Oliveira, busca, em sua gestão, garantir parcerias em prol da ressocialização das presas. Ela abre as portas de sua unidade para que a sociedade tenha a oportunidade de ver com os próprios olhos o trabalho que vem sendo realizado e, mais que isso, tenham o desejo de contribuir com o que puderem. “Meu modus operandi é acreditar que só com o Estado não temos condições de avançar. Eu acredito na parceria. Então eu convido aqueles que querem conhecer… saber que existe um trabalho sério sendo feito. Como cristã e cidadã, eu acredito que posso fazer a diferença. Ainda que eu consiga fazer pouco, esse pouco faz a diferença na vida de alguém. Então convido a se sensibilizarem com aquilo que pode ser feito”.

    A ação social no Talavera Bruce foi um passo importante para o crescimento do evangelho no universo carcerário. Como explica Marilena, “construir uma parceria junto à direção de uma unidade prisional é muito difícil, pois ela tende a ver o assistente religioso como um usuário do sistema. A parceria no TB com a diretora Andréa Vieira abriu uma oportunidade da CBC ser identificada como parceira para o bem das mulheres e profissionais que estão na unidade”.

    Os trabalhos missionários da CBC são realizados semanalmente nos presídios do Rio de Janeiro. Uma das grandes necessidades dos projetos de Capelania Prisional e Socioeducativa é a participação de voluntários. Se você acredita na transformação do Rio e se sente chamado para esta tarefa, entre em contato conosco pelo e-mail evangelismoemissoes@batistacarioa.com.br .

    Conheça o trabalho dos Médicos de Cristo pelo site www.medicosdecristo.org