Autor: Tiago Monteiro

  • O que você viveu ou deveria ter vivido

    Falar de missões é falar da proposta de Deus para a transformação de realidades. Quando se toma como ponto de partida o lugar onde moramos, é possível que essa tarefa se torne mais desafiadora. A temática de transformação do Rio foi o fio condutor do Acampamento de Promotores e Vocacionados de Missões da Convenção Batista Carioca (CBC), que aconteceu entre os dias 22 a 24 de maio, no Acampamento Batista de Areal (RJ). Foram dias de reflexão sobre o papel do cristão nos propósitos de Deus para a capital carioca, com boa dose de adoração e comunhão.

    Para a equipe da Convenção Batista Carioca, o acampamento começou na noite de quinta-feira. Missionários e funcionários da sede estiveram reunidos para uma noite de treinamento, alinhamento de visão estratégica e fortalecimento espiritual, momentos de louvor e muita oração. O dia a dia de missões urbanas é intenso e, diante dos desafios do Rio, compartilhar as dificuldades com colegas de ministério é essencial para o fortalecimento da equipe.

    Samuel é testemunha da transformação de Cristo
    Samuel é testemunha da transformação de Cristo

     

    Promotores e vocacionados chegaram ao local na noite de sexta-feira, somando um total de 100 participantes. O grupo, apesar de modesto, exalava paixão por vidas e desejava conhecer em detalhes as possibilidades de participação na obra de Deus. Naquela noite foram recebidos pelos missionários da CBC, um momento de integração simples, mas cheia de significados para aqueles que sentem arder no peito o chamado. Foram abraçados, reconhecidos como parte de um só corpo e preparados para um final de semana de imersão em missões no contexto carioca.
    Durante o evento, duas histórias de vida foram especialmente impactantes. Na manhã de sábado, Samuel Lourenço Filho foi a prova viva de que vale a pena investir em missões. Hoje cumprindo regime semiaberto, foi alcançado ainda no cárcere e recebeu acompanhamento da capelania prisional da CBC, na pessoa do pr. Claudio Baptista. “Eu vejo o próprio Deus tentando dialogar com a sociedade civil e igrejas, dizendo: ‘Recebe o Samuel, mas não como preso, homicida, recebe como alguém precioso’. Minha história é a história de muitas pessoas que estão por aí e o que a gente precisa é gerar um sentimento para que, independente do problema que ela se envolveu, ela possa retomar a vida a partir do momento em que ela acreditar”, afirma Samuel. Certo de que há esperança na fé em Cristo, ele completa: “ Se Deus acreditou, eu posso acreditar também. Ele me deu uma nova vida e é nessa nova vida que vou seguir e enxergar que nesse tempo caótico Deus continua fazendo maravilhas e dando sinais de que seu amor não acabou e que por isso nós também devemos amar, ainda que a iniquidade se multiplique.”

    A segunda história que emocionou e desafiou os participantes foi a da missionária aposentada da CBC, Adenice Baptista. Com mais de 30 anos de trabalho nos presídios do Rio, sua vida fala por si e mostra que ainda há muita gente não alcançada no Rio. Uma de suas grandes contribuições foi a plantação de uma das primeiras igrejas em cárceres do Rio. Seu apelo continua ecoando às igrejas: “As igrejas deveriam abraçar este trabalho porque a Convenção tem uma estrutura para dar às igrejas. Nem toda igreja pode entrar no hospital ou presídio e a CBC tem toda uma coordenação para isso. Meu apelo é que nessa campanha de 2015 cada um cumpra com seu dever, assumindo seu papel porque Deus espera de nós esse retorno. É um ato de obediência. Comece pela Jerusalém… é a sua cidade”.

    Samuel Dativo Mendes Monteiro é vocacionado para missões. Ele esteve no acampamento conduzindo os momentos de louvor e não esperava ser tocado de maneira tão especial por Deus. “Minhas impressões deste acampamento foram as melhores possíveis! Não tinha muitas pretensões e vim para assessorar o trabalho na parte do louvor, mas Deus falou comigo de forma tremenda! Eu tenho um chamado missionário e eu pude conhecer os missionários e as capelanias. Um mundo novo! Isso (o acampamento) é muito importante para que a gente tenha acesso às pessoas que conhecem os ministérios e as necessidades das pessoas que carecem de Jesus… fazer parte do que Deus quer fazer no Rio e a cidade carece disso”.
    Acampamento de Promotores e Vocacionados também é o espaço para aprender estratégias de promoção e envolvimento de igrejas. Pr. Nilton Antonio de Souza, diretor executivo da CBC, comandou este momento. Ele, que foi missionário por muitos anos, continua vendo a necessidade de inspirar membros de igrejas ao envolvimento com a missio dei. Foram dicas valiosas para quem precisa de ideias sobre como levantar recursos para Missões Rio.

    O fechamento do evento ficou por conta do coordenador de missões, pr. Ulisses Torres. Sua mensagem conduziu os ouvintes a uma reflexão sobre o propósito de Deus para cada vida presente. Foi uma palavra assertiva, que contribuiu para confirmações de chamada. “Qual é o propósito de Deus para a sua vida? Isso não envolve só a igreja e sim a sua vida… Será que no final da sua vida alguém vai poder falar que você viveu e cumpriu o propósito de Deus para a sua geração? Se você cumprir a sua missão com fidelidade, sua paixão será tão grande que vai mobilizar outras pessoas. Pode ser que você não mobilize muita gente porque esse negócio de missões não atrai muita gente, mas terá pessoas tão fiéis que elas te motivarão a continuar com o ministério. Portanto, pense em como Deus pode cumprir a missão que ele quer na sua cidade? “, disse pr. Ulisses.

    Em 2015, o tema “Rio: minha cidade, minha missão” tem como base o versículo Cumpra missão com fidelidade, para que ninguém possa culpa-lo de nada; e continue assim até o dia em que o nosso Senhor Jesus Cristo aparecer. (I Tim 6:14). Que esse apelo encontre abrigo nos corações de todo aquele que recebeu a vida em Cristo.

    Para saber mais sobre a campanha de Missões Urbanas, acesse www.missoesrio.com.br

  • Congresso Atitude 2015 acontecerá em junho

    11205093_1113703351979823_8903762194118622405_nJovens com foco na multiplicação do Reino é o que você vai encontrar no Atitude 2015, o congresso da Juventude Batista Carioca (JBC) que esse ano acontece, entre os dias 4 e 6 de junho, na Primeira Igreja Batista da Penha.

    O evento coloca em pauta o tema “Quem te inspira hoje?”. Assunto importante para quem deseja desenvolver um ministério com dedicação, além de ser atual. A pergunta mexe com os brios da faixa etária, sempre em busca de motivação para seus projetos pessoais.

    “Para participar, basta ir”, brinca o coordenador executivo da JBC, Ronan Lima. A ideia é simplificar a participar para ampliar o alcance da discussão que será colocada à mesa, mas não apenas isso. Há também o incentivo ao ingresso solidário, ou seja, os participantes estão sendo incentivados a levar 1kg de alimento não perecível.

    Durante o Atitude 2015, vai rolar a Assembleia Ordinária, com a apresentação de Relatório de Atividades e Financeiro, eleição da Diretoria e renovação do Conselho da JBC. Para participar da assembleia, você precisa apresentar a Ficha de Inscrição. É muito simples:
    1. Baixe a Ficha de Inscrição neste link http://www.4shared.com/rar/VQz36_aRba/JBC_-_44a_Assembleia_Ordinria.html;
    2. Imprima a Ficha e preencha os dados pedidos. A Ficha de Inscrição NÃO é individual, é POR IGREJA;
    3. Peça para o seu pastor ou líder de juventude assinar;
    4. Leve a Ficha no dia 06/06 e apresente à recepção da Assembleia para participar das nossas decisões neste dias.
    Qualquer ´duvida, fala com a gente por email (jbc@jbc.org.br) ou no celular (97943-4643/97941-6666 – Ronan).

    E você, vai ficar de fora? Acho que a melhor opção é convidar um grupo de amigos e desfrutar de boas visões acerca de estratégias de evangelização no Rio de Janeiro.

    Endereço da PIB Penha
    Rua Belisário Pena, 832 – Penha

  • Quanto um pastor pode contar à sua esposa?

    Quanto um pastor pode contar à sua esposa?

    Por Brian e Cara Croft 

    Pastores sabem de informações privilegiadas não simplesmente por causa de suas posições, mas por causa de sua influência. A confiança foi estabelecida. A ajuda foi previamente oferecida e aceita. As ovelhas encontram no pastor um lugar seguro para compartilhar profundas informações pessoais. Porém esse relacionamento se torna complicado quando pastores recebem informação pessoal em segredo, mas precisam buscar ajuda adicional para saber como oferecer cuidado e conselho sábios.
    A esposa do pastor complica ainda mais a confidencialidade. Afinal, ela é a auxiliadora e o suporte do pastor. Ela cuida dele diariamente. Quando ele chega em casa para o jantar, ela vê os fardos pesando sobre ele. Ela suporta o peso de sua mente distraída. Ela lida com suas respostas curtas. E ela naturalmente quer saber: “O que há de errado?”
    Então, quanto um pastor compartilha com sua esposa? Um pastor deveria esconder algumas coisas de sua esposa? Deixe-me mostrar uma perspectiva equilibrada de minha esposa — a esposa de um pastor.

    A Esposa do Pastor: Sua Perspectiva
    Nós não precisamos saber tudo do ministério de nossos maridos. Não é da nossa conta conhecer toda a sujeira em cada membro da igreja, nem é nosso trabalho estarmos envolvidas nessas situações de aconselhamento. Contudo, às vezes, nossos maridos precisam compartilhar o que está acontecendo ou buscar nosso conselho em como aconselhar um determinado membro. Nossas experiências podem nos tornar unicamente adequadas para ajudar outro membro da igreja. Mas precisamos responder com muito temor e tremor, pois com a informação vem a tentação de compartilhá-la.

    Nem toda mulher é tentada à fofoca, mas vamos ser sinceras, garotas — o aviso de Tito 2 para as mulheres mais velhas não serem fofoqueiras está lá por uma razão. Mesmo se você for jovem, cuidado para não se transformar naquela fofoqueira mais velha.

    Então, senhoras, não exijam informações de nossos maridos que eles não sejam livres para dar ou não vejam o benefício de compartilhar. Meu marido é cauteloso ao compartilhar informações comigo, particularmente, sobre outros homens da igreja. Por exemplo, saber a respeito de todos os homens em nossa igreja que lutam contra a pornografia não é necessário nem útil; pode, na verdade, ser prejudicial. Às vezes, compartilhar informações comigo pode até ser considerado uma violação de confidencialidade, que pode ter consequências legais.
    Quando recebemos informações, nossos maridos devem ser capazes de confiar que nós não viraremos e contaremos às nossas melhores amigas. E compartilhar as notícias como pedido de oração ainda conta como fofoca. Se não somos confiáveis com informações confidenciais, então não é necessário que as recebamos.

    Dito isto, informações confidenciais compartilhadas conosco precisam ser deixadas para o discernimento de nossos maridos. Meu marido me envolveu em diversas situações de aconselhamento com mulheres em nossa igreja, tanto como uma proteção para ele e também porque em algumas situações eu posso me identificar melhor. Ele não se encontra sozinho com mulheres. Eu confio que meu marido não está se colocando em situações comprometedoras e ele se apressa em me envolver se parece que pode haver uma questão de propriedade. Mas ele também sabe que pode confiar em mim nessas situações. Eu não compartilho qualquer informação sem a permissão daquela pessoa, e eu normalmente nem sequer peço para compartilhar a informação a menos que ela sugira tal. Nós podemos ser muito prejudiciais ao ministério de nossos maridos se somos conhecidas como fofoqueiras em nossa igreja.

    Esposa, Não Pastora
    Pastores, precisamos guiar nossas esposas bem para capturar o equilíbrio. Vá longe demais para um lado e estaremos escondendo nossos corações de nossas esposas e arrancando-as de nosso círculo interior. Vá longe demais para o outro lado e ela pode se sentir presa em situações onde ela não tem voz ou recursos. Lembre-se, ela é sua esposa, não sua co-pastora. Inclua-a para seu benefício e o benefício de outros, mas ela não é chamada nem obrigada a carregar os mesmos fardos.

    Dicas para um pastor lidar com questões confidenciais com sua esposa:
    1. Obtenha permissão logo do início em questões confidenciais para falar com outros pastores, sua esposa, ou outra mulher cristã madura se estiver lidando com questões femininas sensíveis onde a ajuda e a perspectiva de outra mulher seja benéfico.
    2. Inclua sua esposa quando isso ajudaria a ela, à situação e a sua habilidade de cuidar de você como sua auxiliadora.
    3. Certifique-se de que a permissão foi concedida por aquele que compartilhou a informação confidencial.
    4. Lembre-se, ela não é sua copastora. Esteja atento para protegê-la, não descarregar a pressão sobre ela!

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  • Socorro, quero um culto velho – A força da ignorância

    Socorro, quero um culto velho – A força da ignorância

    Reparado pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho para o Encontro de Músicos, na PIB de Manaus.

    Vivemos mesmo numa época de ignorância, de obscuridade intelectual e de irracionalismo. Infelizmente, a ignorância tem se tornando joia cultivada neste país, e os mais pensantes são cada vez mais postos de lado. Quando um político de expressão nacional diz que livro é como academia de ginástica: a gente olha e foge, é porque a coisa ficou feia mesmo. O pior é que a ignorância é cultivada com arrogância.

    Parece que quanto mais ignorante, mais digno de crédito. E a espiritualidade evangélica tem se distanciado do pensar, que tem sido cada vez mais visto como ato carnal, quando não diabólico. A ignorância está em alta. Está difícil ser evangélico, também, hoje, a quem é pensante.

    Ouvi no noticiário televisivo: um rapaz de vinte e poucos anos, gaúcho, estudante de Teologia na Bolívia, desapareceu nos Andes, quando fora escalar uma montanha de 6.300 metros. O rapaz não tem experiência alguma de alpinista, e ainda assim foi sozinho porque, segundo a mãe, queria ter uma experiência com o Espírito Santo, queria encontrar o Espírito Santo. Como achou que ele é boliviano e mora nos Andes foi fazer a escalada.

    Com todo respeito: o que leva a uma pessoa a sair do Rio Grande do Sul onde há bons seminários, passando pelo Paraná, onde também os há, e ir estudar Teologia na Bolívia? Respeitosamente: desde quando a Bolívia tem expressão em ensino teológico? Este jovem não tinha um pastor que o orientasse? E o que leva alguém, sem experiência alguma, a escalar sozinho uma montanha de 6.300 metros para encontrar o Espírito Santo? De onde lhe veio a ideia de que numa montanha encontraria o Espírito?

    E como convertido e aparentemente vocacionado, ainda não encontrara o Espírito? O que ensinaram a este jovem na igreja e depois no seminário? Sei que a família está sofrendo e que é hora de consolar, mas não posso deixar de dizer: quanta gente tonta, sem noção das coisas, e usando a espiritualidade como pretexto para a falta de juízo! Mas isto é reflexo do cristianismo que pregamos e cantamos hoje em dia. Cantamos autênticos absurdos teológicos e que se chocam contra a Bíblia, e ficamos por isto mesmo. As pessoas não pensam no que cantam, mas se apenas o ritmo é bom, agitado e as faz sentirem-se bem.

    Temos um cristianismo cada vez mais sem Cristo, e cada vez mais com o Espírito Santo, sendo que por Espírito Santo as pessoas entendem uma experiência extra-sensorial. Porque uma experiência com o Espírito aproxima mais de Cristo, pois esta é sua missão. O evangelho está se tornando um ajuntamento de sentimentos, sensações, experiências místicas. Culpo um púlpito que não é exegético e corinhos ingênuos e até tolos. Os muitos corinhos que enxameiam nossa liturgia nos fazem cantar tantas inconveniências que fico abismado que pessoas razoavelmente lúcidas em sua vida secular cantem aquelas letras. Boa parte delas é confusa, sendo difícil ligar uma linha à outra. Pessoas que são professores cantam tantos erros de português, em que “tua” e “sua”, que são pessoas diferentes, se misturam e por vezes nem se sabe quando se fala de Deus ou de alguma outra pessoa.

    Raramente se fala de Jesus, e quando se fala dá para notar que Jesus é cada vez mais um conceito para dentro qual as pessoas projetam seus sonhos de consumo ou de classe média, que o Redentor e Salvador. A linguagem é horrorosa: mergulhar nos teus rios, beber nos teus rios, voar nas asas do Espírito, subir o monte de Sião, estar apaixonado por Jesus, subir acima dos querubins, uma série de expressões que não fazem sentido algum. Mas os compositores estão acima da crítica, mesmo quando fazem coisas ridículas, como andar de quatro em público. E quem canta os tais corinhos se sente bem.

    E também não aceita correção. Quem tenta corrigi-los em suas heresias e tolices é vaidoso, carnal, fossilizado, etc. O que vale não é se o que se canta é certo, mas se faz bem. As pessoas querem se sentir bem e ter alguma experiência. O conteúdo do que se canta é irrelevante. Sendo honesto: não agüento mais cantar corinhos! Chamem-me de vaidoso ou pernóstico, que não fará diferença, mas a maior parte dos corinhos, mesmo que na nova semântica se chamem pomposamente de louvor, é uma ofensa a quem sabe ler e interpretar um texto e tem uma noção mínima de conteúdo da Bíblia.

    “Eu tenho a força”, bradava He-Man. Uma força mística, não divina, mas uma energia cósmica. Parece-me que é essa força espiritual que as pessoas buscam. Eles não querem aprofundamento no evangelho nem estudar a Bíblia. Eles querem sensações e experimentar uma força. O evangelho está se diluindo no esoterismo que grassa no mundo atual.
    Esta é uma palavra especial aos pastores e ministros de música, que julgo eu, são as pessoas mais responsáveis pelo que acontece e que podem mudar a situação. Quero alinhavar algumas sugestões e lhes peço, respeitosamente, que pensem nelas.

    1. FUJAM DO COPISMO
    Chacrinha dizia que “na televisão nada se cria, tudo se copia”. No cenário evangélico também. Há uma usina produtora de corinhos, de forma comercial, que massifica nossas igrejas. Nossos jovens cantam as mesmas coisas vazias em todos os lugares. Em várias igrejas se vê a mesma deselegância de adolescentes robustas, saltitando, num monte de véus, no que pretende ser uma coreografia, mas que mostra gestos descoordenados e deselegantes. Chega a ser triste de ver as pessoas saltitando sem habilidade e com uns gestos que nada têm a ver com o ritmo da música. E a gente fica sem saber o que fazer: se olha as jovens pulando, se pensa no que está cantando, se nota as figuras do multimídia, ou os erros de português das letras, ou ainda o embevecimento do chamado “grupo de louvor”, que volta atrás, repete uma estrofe (quando há estrofe), tremelica a voz, faz ar de quem está sentindo dor. Mas é o padrão na maior parte das igrejas. Parece um shiboleth. Quem não faz assim corre risco de ser execrado. Porque os detentores da verdade litúrgica inovadora são fundamentalistas: fora do modelo deles não há louvor nem espiritualidade. Mas eu pergunto: é preciso fazer tudo igual?

    Convencionou-se que sim, porque ser antiquado é uma ofensa inominável. E para alguns, fora do padrão corinhos e danças tudo é velharia e não há espiritualidade.

    Se você é líder e não concorda, diga que não concorda. Não ceda por medo. Há pastores que têm medo de perder o pastorado e cedem a direção do culto aos jovens. Eles cantam, cantam, e depois se sentam e se desligam do resto da atividade, quando não saem do templo. Há um descompasso entre o que se cantou e o que se prega. Porque se canta um evangelho muito diluído. Há pastores que têm medo de perder o rebanho, massificado por este padrão, e o usam. Tenho ido a igrejas em que pastores ficam alheios aos corinhos (recuso-me a chamá-los de “louvor”), mas dizem-me candidamente: “Eu não gosto, mas o pessoal gosta”. Ele deixa de ser o orientador do povo e passa a ser um garçom que serve o que o povo gosta. Ministro de música também age assim. E também está errado. Se estudou música e passou por um seminário deve ter uma proposta de liturgia menos medíocre e que atenda a todas as faixas etárias da igreja. É sua responsabilidade. Nossos cultos estão sendo empobrecidos pelos corinhos. A música é de baixa qualidade e as letras são aguadas. Os corinhos são cada vez mais efêmeros. Ministro de música, não copie a pobreza musical e intelectual dos corinhos. Pensar não é pecado. E ser inteligente também não é. Se os “levitas” podem discordar dos que chamam depreciativamente de “conservadores”, por que nós, conservadores, não podemos discordar dos “mediocrizadores” da música evangélica?

    2. O QUE A BÍBLIA DIZ?
    Tudo na igreja deve ser submetido ao crivo da Bíblia, inclusive o que se canta. Os compositores não estão escrevendo uma nova revelação e estão sujeitos ao crivo da Bíblia. Devem ser humildes e não pensarem de si como oráculos de Iahweh. Quem queira subir o monte santo de Sião deve ler Hebreus 12.22-29 e ver que ele é um símbolo do evangelho, da igreja de Deus, e que cada crente já está nele. O monte Sião não tem nada para nós. Quem queira subir acima dos querubins deve ler Isaías 14 e verificar que alguém quis fazer isto no passado e foi expulso do céu.
    Quem cante “Quero ver a tua face, quero te tocar”, deve se lembrar que Deus disse a Moisés: “Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá” (Êx 33.20).
    As primeiras declarações de fé da igreja foram expressas em cânticos.

    Muitas afirmações litúrgicas do Novo Testamento foram expressões teológicas que firmaram os cristãos. Lutero firmou a Reforma com suas pregações, seus escritos, mas muito mais com seus cânticos. São cânticos que ficam na mente e muita gente está subindo o monte porque canta isto. A igreja precisa cantar sua fé e sua fé está na Bíblia. Toda letra de cântico deve ser submetida ao crivo bíblico. O certo não é o que a pessoa sente nem se o que ela canta lhe faz bem. O certo é o que está de acordo com a Bíblia. O conteúdo do evangelho foi muito definido: Cristo crucificado. Mas pouco se cantam Cristo e a sua cruz. Precisamos cantar o ensino da Bíblia. “Doce canto vem no ar com a primavera, Flores lindas vão chegar com a primavera, Lírios, dálias e alecrins, Violetas e jasmins, O sol vai brilhar, passarinhos vão cantar, Com a primavera”. O que isto tem a ver com Cristo, com a salvação, com a segurança dos salvos?

    Temos abandonado a Bíblia como fonte de doutrina, trocando-a por revelações e sonhos de gurus. Temo-la abandonado como inspiradora de modelo gerencial para a igreja, assumindo padrões de administração humana. Muita pregação, mesmo com ela sendo lido, é apenas emissão de conceitos culturais, e sendo ela mero pretexto para o discurso. E temo-la deixado de lado como balizadora do que cantamos. A função do cântico não é distrair as pessoas nem fazê-las sentir-se bem no culto, mas ensinar as grandes verdades de Deus. O culto deve ser doutrinador, sim. Preguei num congresso de jovens em Manaus, e deselegantemente, o dirigente tomou a palavra após minha fala e disse: “Não me interesso por doutrina, e sim por Jesus”. Pedi o microfone de volta e fiz uma pergunta: “Sem doutrina, que Jesus você tem?”.

    Com nossos cânticos atuais, não temos Jesus. Em muitos deles temos um espírito de grupo, uma cultura grupal ou um Espírito que mais se parece com a Força de He-Man que com o Espírito Santo. É preciso subordinar tudo ao crivo da Bíblia. O evangelho está se tornando cada vez menos bíblico e mais sentimental. Porque está faltando Bíblia.

    3. NÃO DESPREZE SUA HERANÇA TEOLÓGICA E LITÚRGICA
    O terceiro aspecto que abordo é este: não despreze sua herança teológica e litúrgica. Há uma tradição que engessa e que fossiliza. Mas há uma tradição que enriquece e que dá balizamento. O evangelho não começou agora. A igreja não surgiu há alguns poucos anos. Os momentos de louvor e adoração não foram criados agora. Muitos deles, no passado, deixaram marcas profundas de avivamentos que impactaram a sociedade.

    Até agora caí de tacape e borduna nos corinhos, sem abrir espaço para reconhecer que alguns sejam bons. Foi de propósito. Creio que consegui um pouco de atenção. Creio que há cânticos bons e que trazem conceitos espirituais seguros. São coerentes, biblicamente falando. E respeitam a herança teológica do protestantismo. Porque este critério também tem
    valor: os cânticos estão reafirmando nossa fé ou modificando a nossa fé?

    Infelizmente, a maioria me deixa desconfortado: não os canto porque não expressam minha fé, a fé em que fui criado, a “bendita fé de nossos pais”, como diz um hino.
    Nós temos um passado e não podemos fugir dele. A ignorância do passado leva a cometer os mesmos erros cometidos. Houve uma longa luta para firmar o cânon do Novo Testamento, e precisamos lembrar que é ele que interpreta o Antigo. Muita gente tem cantado o Antigo Testamento, mas nós somos cristãos.

    Nós cantamos a fé em Cristo. Se o Antigo Testamento é pregado, deve ser interpretado pelo Novo. Se o Antigo é cantado, deve ser interpretado pelo Novo. Estão querendo rejudaizar o evangelho, questão que a igreja já resolvera em Atos 15 e contra a qual Paulo escreveu a sua mais dura carta, a epístola aos gálatas. Somos filhos do Novo Testamento, e não do Antigo. Somos filhos dos evangelhos e das epístolas, e não de Salmos, embora Jesus os usasse. Mas seu próprio jeito de usar os salmos nos orienta: ele os reinterpretou em sua pessoa. Cantemos Jesus, cantemos a fé cristã e não meras sensações, cantemos a cruz, o túmulo vazio, o perdão dos pecados. Cantemos a Igreja, e não Israel. Somos cristãos e não judeus. Cantemos que “a cruz ainda firme está e para sempre ficará”. Somos salvos pela graça por meio da fé em Cristo. Não somos salvos pelo Espírito Santo nem por uma experiência litúrgica. O Espírito é uma pessoa e não sensações: “O Espírito Santo se move em você com gemidos inexprimíveis” é algo sem sentido. Ele geme por nós, em oração, com gemidos inexprimíveis (Rm 8.26). Mas não se move dentro de nós, com gemidos. O ponto central do evangelho é Cristo e sua cruz. Este é nosso tesouro teológico, herança à qual devemos nos agarrar.

    Qualquer cântico que deslustre isto, que diminua Jesus, que esmaeça a cruz, é blasfêmia. Não quero cânticos de auto-ajuda. Quero Jesus e sua cruz. Quem tem Jesus não precisa de muletas emocionais. Quero cânticos bíblicos, de acordo com a fé que uma vez foi entregue aos santos (Jd 3).

    CONCLUSÃO
    Sei que foi uma palestra dura. Não vou me desculpar porque o que eu disse é o que eu creio. Sim, estou cansado da ditadura litúrgica que me parece associada a um fundamentalismo: só nós sabemos o que é espiritual e vocês estão fora, são do passado, são frios, são formais. Eu me recuso a cantar bobagens com roupagem espiritual. E desafio vocês a restaurarem a liturgia com conteúdo, com ensino. Desafio-os a não cederem à força da pobreza litúrgica que nos avassala. Há algo mais comovente e com mais conteúdo que “Castelo Forte”, “Aleluia”, “Amazing Grace”? Por que a ditadura dos corinhos? Por que, no natal, sou obrigado a cantar que quero voar nas asas do Espírito?

    Que os compositores de corinhos componham música de boa qualidade com letras de conteúdo, e ajustada às épocas, também. Os corinhos são monocromáticos. Dizem sempre a mesma coisa. Nunca ouvi um exortando à confissão de pecados, falando do natal, da dedicação de crianças, da semana da paixão, de missões, da Bíblia como Palavra de Deus. Tudo é igual: louvar, adorar, contemplar, sentir-se bem. Não permitam a monocromia, que é sinal de pobreza. Escrevi, tempos atrás, um artigo intitulado “Quero uma igreja velha”. Esta palestra é um desabafo e um pedido de ajuda: “Socorro, quero um culto velho”. Com a Bíblia exposta, com solenidade, com cânticos com nexo, com os grandes hinos de nossa fé, com Cristo e sua cruz brilhando. Sim, estou cansado da liturgia atual, que é pobre e alienante.

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  • Acampamento de Promotores do Rio de Janeiro

    Você precisa estar por dentro do avanço do evangelho no Rio de Janeiro. Por isso, torna-se indispensável sua participação no Acampamento de Promotores promovido pela Convenção Batista Carioca, entre os dias 22 e 24 de maio, no Acampamento Batista em Areal (Três Rios).

    “Rio: minha cidade, minha missão” é o tema da campanha de missões urbanas desse ano. A escolha tem como apoio a divisa que se encontra em 1 Tm 6.14: “Cumpra a sua missão com fidelidade, para que ninguém possa culpá-lo de nada, e continue assim até o  dia em que o nosso Senhor  Jesus Cristo aparecer”. Tendo esse texto como foco, missionários da Convenção Batista Carioca darão testemunho sobre o trabalho que têm desempenhado no Rio, através das capelanias prisional, hospitalar, portuária, prevenção de dependência química, esportiva, enlutados e estudantil.

    Participar do Acampamento de Promotores da CBC é a melhor forma de se preparar para a campanha de missões urbanas em sua igreja. Além disso, a vantagem é poder acompanhar de perto os frutos de projetos que acontecem bem próximos à sua realidade. A experiência é única e essencial para o ministério de fazer a obra missionária conhecida em sua comunidade.
    Para participar, você precisa acessar o endereço www.missoesrio.com.br/acampamento-de-promotores , preencher a ficha de inscrição e , em seguida, efetuar o pagamento de uma taxa no valor de R$135,00 (inscrição, hospedagem, alimentação, transporte e kit de missões). Em caso de dúvidas, entre em contato pelo telefone (21) 2569-0988 ou pelo e-mail  evangelismoemissoes@batistacarioca.com.br .

    Você não vai deixar para depois, vai? Há coisas na vida que não podem esperar e missões é uma delas.

  • 111ª Assembleia da Convenção Batista Carioca

    111ª Assembleia da Convenção Batista Carioca

    Os batistas do Rio de Janeiro estiveram reunidos, nos dias 21 e 24 de abril, para a 111ª Assembleia Anual da Convenção Batista Carioca (CBC). Na ocasião, departamentos e instituições submeteram seus relatórios aos convencionais – servindo de base para decisões estratégicas para o ano de 2015 – e a nova diretoria foi eleita e empossada.

    A assembleia foi sediada na Igreja Batista Central de Olaria, que na ocasião celebrava seus 60 anos de fundação. O pastor da igreja, Gecé Pinheiro, agradeceu a participação dos membros que se disponibilizaram, dando apoio à realização do encontro anual. O diretor geral da CBC, pr. Nilton Antonio de Souza, entregou à igreja o certificado em comemoração ao Jubileu de Diamante.

    Participaram como mensageiros da Assembleia os pastores Russel Shedd, João Soares da Fonseca, Sócrates Oliveira de Souza (Executivo da Convenção Batista Brasileira), Vanderley Marins e Fausto Aguiar Vasconcelos (Diretor de Evangelismo e Missões da Aliança Batista Mundial).

    O evento foi ainda a oportunidade de filiar novas igrejas e prestar homenagens. As igrejas PIB no Conjunto da Marinha e a IB Emanuel receberam seus certificados de filiação, sendo agora consideradas igrejas do rol da CBC. O presidente da CBC João Fraga Filho recebeu uma placa em homenagem ao período de serviço prestado aos batistas do Rio, ocasião em que agradeceu pelo apoio de todos que o ajudaram em sua jornada.

    Um dos grandes momentos da Assembleia foi a eleição da nova diretoria. Após algumas reflexões e contagem de votos, ficaram definidos os seguintes nomes:

    Presidente: Pr. Dejalmir da Cunha Waldhelm – IB Central em Bonsucesso
    1º Vice-presidente: Pr. João Luiz Sá Melo – PIB Vila da Penha
    2° Vice-presidente: Nancy Gonçalves Dusilek – IB. Igreja Batista Itacuruçá
    3° Vice-presidente: Pr. Nelson Taylor Filho – IBE do Engenho Novo
    1° Secretário: Pr. David Curty – SIB de Inhaúma
    2ª Secretária: Lucia Helena da Silva – PIB. Copacabana
    3ª Secretária: Ilazy Ildefonso de Oliveira – PIB do Rio de Janeiro

    Ciente do desafio de unir igrejas em torno da expansão do Reino na capital carioca, o novo presidente da CBC, Pr. Dejalmir Waldhelm, comentou: “Conto com a oração de vocês para a grande responsabilidade que a gente tem aqui. Estou feliz porque na equipe temos o Pr. João Melo, da Primeira Igreja Batista de Vila da Penha, como 1º Vice-Presidente. A professora Nancy Dusileck é a segunda vice. Nelson Taylor é o terceiro vice. Temos uma turma boa. O David Curty, como Secretário, conhece tudo de denominação batista. Uma equipe maravilhosa. Orem, orem e orem!”.

    O mandato da nova diretoria tem a duração de um ano. Nesse período, muitos desafios… tais como a participação de mais igrejas na CBC para que o evangelho se espalhe no Rio e a preparação do terreno para novas estratégias missionárias, em especial a que acontecerá por ocasião dos Jogos Olímpicos de 2016.