Estão abertas as inscrições para os cursos de Capelania Prisional e Hospitalar, desenvolvidos através de uma parceria entre a Convenção Batista Carioca, Seminário Teológico Betel e o Ministério Vida Relevante.
A palavra Capelania tem sua origem no francês “chapelain”, reconhecimento dado ao ministro religioso autorizado a prestar assistência e a realizar cultos em presídios, hospitais, comunidades religiosas, unidades socioeducativas, colégios, universidades, corporações e organizações militares.
No Brasil existem leis que dão base ao trabalho dos capelães. São elas:
Lei Federal 6.923. art. 5o. inciso VII. ” é assegurada nos termos da lei a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva (hospitais, presídios)- Constituição Federal de 1988, Lei Estadual 4.622 – 18/10/2005. Art. 1o. Fica no poder executivo autorizado a criar nos hospitais públicos de cada estado o serviço voluntário de Capelania hospitalar, com vistas ao atendimento espiritual fraterno dos pacientes internados e seus familiares”. Os cursos livres de capelanias prisional e hospitalar possuem carga-horária de 100h, sendo 60 horas presenciais e 40h de estágio. Ao final, os alunos terão direito a certificado garantido pelas três organizações parceiras.
O Presidente da Seção Carioca da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, Pastor João Fraga Filho, no uso de suas atribuições e de acordo com o Estatuto em vigor, vem, através do presente Edital, CONVOCAR todos os pastores associados à Ordem dos Pastores Batistas do Brasil – Seção Carioca, para participar da ASSEMBLEIA EXTRAORDINÁRIA a ser realizada no dia 27 de junho de 2015, no templo da Igreja Batista em Catete, à Benjamim Constat, 39, Glória, Rio de Janeiro, RJ, com início às 9h, em primeira convocação ou às 9h30 em segunda convocação, para a seguinte ordem do dia:
1) Eleição da diretoria;
2) Relatório das Comissões;
Rio de Janeiro, 08 de abril de 2015.
Pr. JOÃO FRAGA FILHO
Presidente
Rua Senador Furtado, 12 | Praça da Bandeira | 20270-020 | RIO DE JANEIRO, RJ | Tel. (21) 2254-3985
www.opbbcarioca.com.br
Samuel Lourenço Filho, 28 anos, conheceu o evangelho na prisão. Hoje é exemplo vivo de reabilitação em Cristo
Eu era um jovem criado em um contexto urbano e rural. Gostava da natureza, andar a cavalo, vender leite de carroça… Era até engraçado porque vendia leite de dia e de noite ia estudar no centro da cidade. Era rural e urbano.
Eu e meu irmão sempre estávamos ligados a coisas que pudessem nos dar retorno financeiro. Ao tempo que isso gerava um retorno, dava a sensação aos outros que éramos homens da casa. Isso nos fez crescer em meio a pessoas mais velhas e hoje vejo um problema o fato de eu ter crescido com pessoas com mais de 20 ou 30 anos. Porque algumas das pessoas adultas com as quais eu convivia bebiam.
A gente cresceu nesse contexto e, querendo ou não, a gente absorve isso. Posso assumir que isso trouxe consequências para minha vida. O consumo da bebida alcoólica aconteceu de modo recreativo a princípio. Era divertido beber com os amigos e ainda mais divertido beber escondido dos pais. Não era habitual, mas bebia. Para mim, isso não era um problema porque as notas da escola continuavam boas, não havia problema para o bairro, então não tinha problema.
Quando comecei a estudar no centro do Rio foi um momento de choque cultural, mas havia uma expectativa de estudar ali. Foi o momento em que vivi a adultização precoce. Me tornei adulto muito cedo e agora sou aquele rapaz que sai de casa para estudar e, como as aulas terminavam às 22h, me envolvi com o contexto boêmio. Fui me envolvendo e tentando viver a minha vida. Nessa época, beber se tornou uma prática e minha família ou não se preocupou ou não notou. Porque eu consegui estudar e estava indo bem, portanto, as consequências disso não eram aparentes. Houve uma vez em que uma vizinha chegou para minha mãe e disse: “Samuelzinho anda bebendo demais”. E minha mãe disse: “Qual o problema? Ele anda trazendo problema ao ser bar, bebe e não paga?”. Eu achava que, na força da juventude, eu dominava a bebida e não o contrário. Na verdade, não se percebe que você já está dominado.
Minha mãe faleceu e o consumo da bebida aumentou muito. Nesse período eu acredito que entrei em um estágio degradante da minha vida porque eu lembro que a primeira coisa que aconteceu foi que minha casa acabou. Tínhamos eletrodomésticos sofisticados para o nosso contexto e para aquele tempo e eu vi essas máquinas virando morada de morcegos e ratos. Minha casa se destruiu. Meu pai sofreu muito e logo contraiu um novo relacionamento. Minha irmã já havia saído de casa, mas eu e meu irmão ficamos. É um momento difícil porque percebi que não tinha mais família. De olhar para o mundo e ver que era apenas eu e a vida. E a vida era séria e tive que enfrentar isso, mas sem ter a estrutura para enfrentar. Faltou o núcleo familiar.
Minha vida acabou ali. É o momento em que não tinha mais nada. Eu trabalhava para sustentar o vício. Recebia na sexta-feira e no domingo à noite já tinha dívida no bar de novo. Minhas roupas eram as piores… e estou falando de um jovem com apenas 17 anos.
Nesse tempo, recebo um convite para morar com familiares no Paraguai. Nunca me falaram se foi por bebida, pela morte da minha mãe… foi apenas um convite. Fui para o Paraguai, outra cultura, outro país… tudo novo. Mas a sensação não era a de vida nova. Isso não aconteceu. Comecei a viver no Paraguai e lembro que um dia liguei para casa e fiquei sabendo que minha avó tinha morrido há três dias. Ela disse que não contaram antes por causa do meu aniversário. Naquele momento veio um medo no meu coração de que as coisas aconteciam e eu não sabia.
Houve um domingo de manhã que acordei e chorei muito. Lembro que eu tinha uma cadela que, ao me ver chorar, foi lamber meu rosto e eu deixei por pensar que não havia mais ninguém que pudesse enxugar minhas lágrimas. Naquele dia arrumei minhas coisas e decidi voltar ao Brasil. Eu queria estar próximo da minha família aqui no Rio.
Voltei, mas havia a frustração de ter envergonhado minha família. Porque eu fui alguém que deixou o país, mas não conseguiu cumprir a missão. Eu fraquejei e voltei no meio do caminho. A sensação era de que não conseguia fazer um plano que pudesse prosperar.
Samuel dando testemunho no Acampamento de Promotores Missões Rio
Um crime
Aqui no Rio prestei vestibular e fui aprovado, mas, quando comecei a estudar, logo abri mão da faculdade. Voltei a trabalhar na feira e a beber. Nessa época estava indo para 20 anos. Estava bem perdido. Foi nessa época em que cometi um homicídio. Trabalhava com um amigo que estava com um problema extraconjugal e essa relação começou a afetar o relacionamento com sua família. A amante dele começou a ameaçá-lo, dizendo que ia destruir a família dele. Eu acabei tomando as dores dele. Pensei comigo que não poderia deixar uma família ser destruída. Na verdade, ele mesmo já estava destruindo a própria vida, mas eu não parei para pensar nisso na época. Eu só entendia que a família dele era muito bonita e não podia ser destruída como a minha tinha sido no passado.
O crime aconteceu em um contexto absurdo de luz do dia, na presença de pessoas, o que fez com que houvesse uma ação imediata da polícia. Houve tiro, mas não me atingiu e eu, em um momento de lucidez, resolvi me entregar. A história aqui não foi que a vítima se tornou culpada. Não é isso! A história é que agimos de maneira insana mesmo, cometendo esse ato de tirar a vida de alguém. Foi a coisa mais insana da minha vida! A família dele foi destruída, a família da vítima e a minha foram destruídas. Acabou tudo!
Quando cheguei à prisão pensei que fosse morrer lá dentro, mas nada do que eu temia aconteceu naquele momento. O que aconteceu foi que meus familiares chegavam e diziam: “Você tem noção do que você fez?”. E eu só conseguia responder: “Agora não adianta chorar pelo leite derramado! Acabou. Vou cumprir minha pena”. Momentos depois a ficha caiu e eu senti toda a carga dessa culpa. Vi meu pai chorar muito no momento da minha prisão. Isso se deu em abril de 2007.
Na prisão começou uma conscientização mínima, um peso de culpa. Quando começa a conversa [com outros presos] na cela, ouvia que tomaria muita cadeia. Ficava o sentimento de que agora estava tudo acabado. Lembro do transporte dos presos e, na época, vinha à mente a forma como as pessoas da Segunda Guerra Mundial eram transportadas. Em lugar que cabiam três pessoas, tinham oito ou nove. Um calor… constantemente desmaiava.
Houve um momento que me senti tão culpado que um amigo chegou pra mim e disse: “Você acredita que Jesus pode te perdoar?”. “Jesus pode me perdoar? O cara mata e agora Jesus pode me perdoar? Tá bom então”, respondi cético. Ele continuou: “É sério! Existe perdão pra tua vida!”. “Não existe perdão pra minha vida! Quem mata tem que morrer”, eu retruquei. Era um discurso que trazia da minha cultura, do meu contexto. Ele me perguntou se podia orar por mim e eu aceitei, mas avisei que não era para colocar Jesus e a Bíblia nesse crime. Na medida em que ele começava a orar eu chorava muito porque parecia que era um momento de esperança. Depois disso eu, falando comigo mesmo, decidi assumir tudo isso perante o tribunal. Disse à minha família que diria toda a verdade e que assumiria toda a verdade do que fiz. Foi naquele momento que me senti uma pessoa livre. Eu lembro que algumas pessoas tentaram me persuadir para que eu não contasse toda a história, que eu iria passar o resto dos meus dias na cadeia, mas não me importei.
Conscientização
O processo do julgamento se arrastou por dois anos e, nesse período, fui me envolvendo com o evangelho dentro da prisão. As pessoas comentavam, dizendo que eu tinha um futuro no Reino de Deus e eu brincava: “Que futuro o quê? Vamos aceitar o perdão, mas não vamos nos esconder atrás da Bíblia”. Nesse tempo fui descobrindo que havia uma chamada mesmo. E descobri que se eu não tivesse a Bíblia como escudo e Cristo como defensor, ninguém o faria. Hoje assumo que dependo da fé em Cristo.
No início dessa trajetória de dois anos quase não falava. Na primeira vez em que fui convidado a pregar no culto, me pediram dez minutos e eu falei três, tremendo muito e de olhos fechados. Fui remanejado para outra unidade e foi onde cresci mais espiritualmente, assumi novas responsabilidades. Eu me aproximei das pessoas que já eram evangélicas ali e comecei a me integrar, a falar mais e mais, fazer reflexões com apropriações bacanas e todo mundo parava para ouvir. Isso era fruto do Espírito Santo! Nessa fase eu era chamado para ajudar quando havia problemas entre os presos na cela, eu comecei a ganhar credibilidade e vi nisso a mão de Deus. Percebi então que minhas experiências na cadeia me levaram a crer que minha prisão trata algo que está além de um crime. Minha prisão quer tratar comigo dos problemas de minhas escolhas, do meu modo de pensar… foi quando comecei a perceber que as pessoas ali podem se reabilitar.
No segundo semestre de 2009 fui sentenciado a 14 anos de prisão. [Recentemente até encontrei o juiz que me sentenciou e a gente se abraçou. Foi engraçado eu olhar para ele e contar toda a história, dizendo: “Olha o que eu fiz com a cadeia que você sentenciou?”] . No dia 11 de setembro de 2009, fui transferido da carceragem para o presídio. Com essa sentença, todo mundo chegava e dizia que servir a Deus no presídio era mais difícil. Eu estava com esse desafio, de permanecer cristão mesmo tendo mudado de unidade, de percepção de vida. Digo isso porque às vezes rola um discurso irresponsável como se o preso tivesse que ser absolvido porque aceitou a Cristo. O que aconteceu é que Deus tinha coisas para mim no meu processo de prisão.
Ressocialização pela educação
Eu queria permanecer em Cristo. Cheguei a São Cristóvão, onde tive o primeiro contato com a capelania prisional da Convenção Batista Carioca. Eu começo a meu envolver com os trabalhos de culto ali, mas percebo que também tinha que voltar a estudar. O que fiz um ano depois da minha chegada.
Um dia estou transitando pela unidade e soube que havia passado para a segunda fase da UERJ. Fiquei muito feliz porque de 40 presos que tentaram, eu era um dos três que tinham conseguido passar para o processo de qualificação final. Eu vivi essa alegria e tinha escolhido a Pedagogia. Nesse momento, o pastor Claudio Barreto teve uma participação muito especial na minha vida. Ele me trouxe uma série de provas antigas da UERJ e o conteúdo programático. Com esse material na mão, eu comecei a me nortear melhor.
Nas celas evangélicas, as atividades eram rigorosas e meus colegas, vendo meu esforço, começaram a me dispensar das atividades para eu poder estudar.
Em 2012, dia 16 de janeiro, fui convocado para ir ao gabinete do diretor. Eu fui com medo por pensar que tinha feito algo errado. Ele me chamou para me dar os parabéns e jogou uns papéis na mesa, os papeis de aprovação da UFRJ. Lembro que eu entrei nesse clima do preso que entrou para a UFRJ. Depois recebi outros resultados, sendo aprovado também para a UERJ.
Quatro meses depois, as aulas começaram e eu nada. Havia uma restrição de pena que eu precisava cumprir em regime fechado. Perdi a vaga, mas comecei a estudar de novo e consegui passar novamente para a UERJ. Depois, já em 2013, minha pena havia progredido e mudado para semiaberto. Em abril fiquei sabendo que o juiz havia permitido meus estudos.
A crise agora era: “Como vou viver lá fora? Aprovado numa faculdade pública e lá está cheio de gente”. Mas prometi para mim mesmo que precisava viver e nessa fase fui fortalecido pelo Pr. Cláudio e outras pessoas. No dia 24 de abril de 2013, depois de seis anos de pena cumprida em regime fechado, as portas se abrem.
Desafios do lado de fora
Foi um choque. Um monte de novidades que nunca havia visto na vida, a agitação, telefone touch e com internet. Todo mundo plugado e eu achando que todo mundo sabia da minha vida e que iam me matar… eu cheio de medo. No meu primeiro dia de aula, Pr. Cláudio estava lá na porta da faculdade, me esperando. Quando nos encontramos, ele disse: “Olha aí onde você está? Agora vai viver”. A gente se abraçou e eu chorei muito.
Éramos eu e outro preso na faculdade. E decidimos encarar de frente, assumindo que éramos presidiários. Isso a princípio foi um choque, uns se aproximando e outros se distanciando. Nesse período conheci um rapaz da Igreja Batista do Rocha e disse a ele: “Eu preciso de um irmão. Compartilho da mesma fé que você e não sei como você vai receber tudo isso, mas sou presidiário e preciso de um irmão com a mesma fé, que entenda que, apesar do passado, eu posso ter uma vida nova”. Ele falou assim: “Vamos juntos!”. Leandro é uma pessoa que me ajudou muito na faculdade e me ajuda até hoje. A gente começou a caminhar juntos e ele começou a mediar meu relacionamento com os outros colegas, falando bem de mim. É claro que ainda passava por resistências e ainda bem que eu passei [e passo] por algumas resistências. É o que eu falo para todo mundo: “Não quero viver numa sociedade onde todo aquele que comete um crime, as pessoas digam: “Ah! Nada a ver, vem pra cá!” Porque aí é a banalização de tudo, da vida, da humanidade. Tem que se chocar, as pessoas têm que se surpreender, mas a gente recomeça a partir daí.
Paradigmas quebrados
Uma cena muito fantástica marcou a minha vida. Aconteceu com os colegas da UERJ. Quando souberam que estava expirando o prazo concedido pela justiça para que eu pudesse estudar, todos vieram questionar o motivo pelo qual eu não poderia mais estar com eles. Amigas de faculdade começaram a chorar e ficou um momento legal porque o rapaz preso agora faria falta na sala de aula. E aí todos comentavam que a visão de presidiário em suas casas agora era outra.
Nessa fase, comecei a estudar novamente e descobri a faculdade de Gestão Pública na UFRJ. Dediquei-me e saiu a provação. Fiquei muito feliz e pensei que finalmente meu momento havia chegado. Consultei amigos, professores, o Pr. Cláudio e tomei a decisão de ir para Gestão Pública. Quando fiz a transferência da faculdade, foi um dia terrível porque todos sabiam que era meu último dia de aula. Esse dia me marcou muito porque a professora deu boa noite e todos começaram a se olhar, a se levantar e a chorar comigo. Essa deveria ser uma hora de alívio porque um preso estava deixando aquele ambiente, mas não. Ali já não era uma ameaça de perigo, mas um jovem que transmitia a graça de Deus, que tinha compromisso com o evangelho e que ia fazer falta.
Agora teria que entrar em outro processo na justiça para estudar novamente. Nessa época, comecei a dialogar com os alunos da UFRJ e a assumir minha condição de preso. É uma luta política para mostrar que o preso está dentro da sociedade, que o preso compõe a sociedade. E a sociedade precisa entender que ignorá-lo é potencializar a violência. Eu comecei a discutir isso nas universidades, que a sociedade precisa saber que está convivendo com essas pessoas.
Finalmente as aulas na UFRJ começaram, mas eu não conseguia estudar. Fiz algumas disciplinas pela internet e ainda não havia conseguido liberação. Isso me desanimou, mas conversando com Maíra, ganhei ânimo para continuar com o processo de liberação até que finalmente consegui.
Certa vez um amigo me disse que não acreditava em nada dessas coisas de Deus, etc. Mas perguntou o que era isso na minha vida. Foi a oportunidade que encontrei para falar de Deus, que era um preso miserável, que estudei, que alcancei, tudo como reflexo de Deus na nossa vida. Hoje participo de congressos, escrevo artigos e participo de grupos de pesquisa como voluntário e os congressos dos quais participo, só consigo porque recebo a ajuda de pessoas, professores meus inclusive. Há uma professora que sempre me ajuda, me dá até alimento.
Hoje trabalho, fazendo limpeza, mas também estou na universidade. De uma coisa eu sei: eu não posso parar porque é Cristo que me fortalece, que me ajuda. Acreditar no outro é difícil, mas é tempo de voltar a creditar no ser-humano porque é a imagem de Deus. A vida é uma construção coletiva porque em todo tempo a mão do Senhor me susteve, mas não vi a mão sobrenatural dEle, mas as mãos de pessoas que me ampararam, se estendendo para ajudar. O que fica é a gratidão a esse Deus.
Sempre vou me lembrar da atitude de Paulo, falando sobre Filemon: “Recebe esse rapaz de volta, mas não como escravo, e sim como irmão porque ele é muito útil pra mim”. Tem valores e potenciais úteis para o Reino. Em alguns momentos, vejo o próprio Deus dialogando com sua igreja sobre essa questão: “Recebe o Samuel, mas não como preso, homicida, alcoólatra, fracassado. Recebe ele como irmão precioso”. Não sou exceção, há pessoas como eu por aí, que já viveram isso e que estão em busca de oportunidades.
Pr. Eraldo Coelho Bernardo
Não sou músico, mas sempre gostei de música, e percebo que esse gosto está presente na esposa e filhos. A esposa canta no coral, tem voz afinada e bom ouvido. A filha primogênita tem CD gravado , o filho toca bem violão e guitarra e é lider do Grupo de Louvor da igreja e a caçula também tem voz afinada e a usa para louvar ao Senhor.Há algum tempo viajava com o músico e cantor Marquinhos Gomes, de carro, com destino a São Paulo. Seus CDs e DVDs eram, na época, distribuídos por nós ao mercado, em nível nacional.Ao longo da viagem conversamos sobre muitas coisas agradáveis e instrutivas, uma dessas foi sobre “tocar o segundo violino”, o que nem todos os músicos querem . Ele, empolgadamente explicou-me como isso funciona.O primeiro violino da orquestra, sob a execução do competente violinista, vai embevecendo, encantando a plateia, enquanto o segundo violino só entra em cena de quando em quando, conforme a composição musical. O violinista do segundo violino tem que esperar paciente e atentamente o seu tempo chegar, para, então, deslizar o arco em uma ,duas ou mais cordas. Feito isto, esperar, continuar atento, de olho na partitura , o novo momento, lá na frente, em que voltará a tocar por um instante.
Quero me valer desses informes das apresentações musicais com violinos para aplicar à liderança, à administração.
Há muita gente que não sabe tocar o segundo violino, isto é, atuar de vez em quando, quando é necessário, quando é solicitado e ficar feliz por cumprir determinada função.
Quando chega o final de ano em nossas igrejas há a eleição da nova diretoria estatutária, de novos líderes de ministérios , departamentos e comissões. Esses ministérios têm seus coordenadores, vices–coordenadores, membros. As comissões têm seus relatores e respectivos membros. Quantos problemas ocorrem durante os mandatos, quando um coordenador, vice, ou um membro de ministério ou de comissão não sabe “tocar o segundo violino”!
Tem-se observado que os pastores bem sucedidos em seus ministérios souberam tocar o “segundo violino” quando seminaristas. Souberam estar atentos àqueles seus líderes que tinham condições de tocar toda a partitura.
Depreendemos da Palavra de Deus em Isaías 14.12-15(IBB) que a queda de Lúcifer (Portador de Luz), tipificado pelo rei da Babilônia, foi porque quis ir além dos limites. Diz o texto : “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por terra tu que prostravas as nações! E tu dizias no teu coração: eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte; subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. Contudo levado serás ao Seol, ao mais profundo do abismo.”
Um portador de luz que, não sabe se restringir ao papel que lhe foi confiado , pode se tornar em portador de trevas.
Porque quis usurpar a posição do Altíssimo foi desqualificado, amaldiçoado e precipitado à atmosfera da terra com os anjos que caíram com ele.(Gn.3.1/Lc.10.18). Disse Jesus que o inferno foi preparado para o Diabo e seus anjos (Mt.25.41). Nesse lugar serão presos eternamente.
Tive dois pastores nos nove primeiros anos de vida cristã. O primeiro, que me batizou, me apoiou e me estimulou a me desenvolver no seio da Igreja, seu nome, Anthidio Dias da Silveira, chamado à presença do Senhor com mais de 90 anos de idade. Após consagrado ao Ministério, convidou-me algumas vezes a pregar na Igreja que pastoreou por mais de 50 anos, onde nasci espiritualmente. O segundo Pastor, Joaze Gonzaga de Paula, foi assessor da Junta de Missões Estrangeiras, atual, Junta de Missões Mundiais, e, tempo depois, Secretário Executivo da Convenção Batista Carioca. Eu era seu Diretor de Evangelismo na PIB de Higienópolis, Rio.Atualmente, aposentado, mora em Vargem Grande, Rio. A esses dois pastores que me pastorearam sempre fui leal, sabendo, pela misericórdia de Deus, o meu lugar, isto é, o de “tocar o segundo violino”. Por mais de 40 anos trabalhei em empresas nas áreas administrativa e comercial. A gente tem que saber até onde pode ir, sem criar atrito, sem atropelar ninguém. Sem perder o emprego abruptamente.
Temos que estar atentos quanto à Síndrome de Lúcifer. Peçamos a Deus que nos ajude a atuar, dentro de nosso quadrado, até que Ele nos promova ao quadrado mais alto.
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No último domingo, dia 31, a Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro foi sede da comemoração de aniversário do Coral Eclésia, um grupo formado por leigos e profissionais que há 100 anos se unem para prestar louvores a Deus.
Sob a condução da maestrina Anna Campello Egger, o coral apresenta em seu repertório composições históricas, tais como o ”Messias” e “Judas Macabeus”, de Handel; “Réquiem”, de Mozart; “Stabat Mater”, de Dvorák, “Hear My Prayer”, de Mendelssohn; “Te Deum” de Bruckner; “Elias”, “Lobgesang”, as “Cantatas Nº4 e Nº78”, além da primeira parte do “Oratório de Natal”, de Bach, peças traduzidas para o português pela professora Joan Sutton, em sua maioria.
O Coral Eclésia nasceu em maio de 1915, com a intenção de conduzir a PIB do Rio de Janeiro em seus períodos de cânticos dominicais. Passaram pelo grupo regentes que marcaram suas gerações, entre eles: Daniel e Anna Cordes (1915-1922), Egydio Gióia (1922-1930), Arthur Lakschevitz (1930 – 1944), Regifredo Sarno (1944-1948), Guilherme Loureiro (1949-1950), Levindo Alcântara(1952-1956), Heitor Argolo(1956), Natanael Mesquita (1956-1962) e Marília Soren (1962-1966). Ao órgão, teve acompanhadores de expressão nacional e internacional como Frederico Egger, Edson Elias, Nicéa Soren, Betty Antunes de Oliveira, Leuzi Figueira, Ilem Vargas, Samuel Kardoz, Jayme Soren, Marília Soren, Domitila Ballesteros. Atualmente conta com o apoio dos pianistas Isabel Cristina de Andrade Lima e Antonio Henrique de Souza ao lado da organista Regina Lacerda.
O Coral Eclésia destaca-se historicamente por ser um dos primeiros grupos a se apresentar nas rádios do Rio de Janeiro, a partir da década de 30. Nos anos 60, teve participações em programas de TV. Hoje segue sua carreira participando de eventos denominacionais, apresentações em salas de concerto, tais como a Cecília Meirelles, Teatro Municipal e Salão Leopoldo Miguez. Participou também acompanhando as bandas da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros do Rio.
O primeiro registro do Eclésia ocorreu em 1997, na gravação do CD que homenageou os 30 anos da regente Profª Anna Campello. Após este, vieram mais quatro, sendo o mais recente em 2012, com captação ao vivo, no templo da Primeira Igreja Batista do Rio de Janeiro.
Confira três dos clássicos que fazem parte do repertório do coral:
É aparentemente fácil entrar para o ministério pastoral e ser pastor. Creio, porém, que aquele que se diz chamado para tal ofício de Deus deve ser cauteloso e convicto, pois neste ministério existem flores com espinhos. A exemplo de Jesus na cruz, devemos dizer em sentido atual: “Pai, perdoa-os, porque não sabem o que fazem”.
Não é o homem, o pastor, a igreja, nem as instituições teológicas que chamam a pessoa para este ofício, o ministério pastoral, e sim Deus. A causa, o ofício, a obra é de Deus. Cabe a Ele chamar, vocacionar, designar o que fazer e sustenar o obreiro. Quem entra sem ser chamado, ou for empurrado, ficará frustrado, no tempo e no espaço, sem saber o que fazer. No ministério pastoral, o obreiro precisa saber o que fazer. Não se concebe alguém ser chamado, sem que Deus o tenha orientado.
“E disse o Senhor Deus a Abraão: Sai-te da tua terra […] e vai para a terra que eu te mostrarei” (Gn 12.1). “E disse Deus a Moisés: Vem, agora, pois eu te enviarei a faraó e tira o meu povo do Egito” (Ex 3.10). “E disse a Jonas: Levanta-te e vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela” (Jn 1.2). “E disse o Senhor a Samuel: Levanta-te e unge-o, porque este mesmo é” (1 Sm 16.12). “Jesus chamou a Pedro, a André […] Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (Mt 4.19). “E disse o Senhor a Ananias: Vai porque este é para mim um vaso escolhido” (At 9.15). “E disse o Espírito Santo à igreja de Antioquia: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13.2).
Eis aqui uma riqueza bíblica de quem foi chamado e designado para o que precisava ser feito. Muitos outros foram escolhidos e chamados, mas ocuparia um grande espaço nesta escruta.
Pastores, obreiros que Deus chamou e colocou na sua seara – A igreja deve cuidar e zelar por estes homens e eles, prudentemente, devem cuidar do rebanho de Jesus.
Certo homem, membro de uma igreja, nela compareceu num culto, vestido de roupa de dormir (de pijama). Causou um espanto geral. O pastor que já havia iniciado o culto não se importou com aquele homem, uma vez que entrou e sentou, quieto, e o culto transcorreu normalmente. No final do culto, o pastor e dois diáconos chamaram aquele membro para uma conversa. O pastor aconselhou-o a não frequentar a igreja com aquela roupa e lhe ofereceu outra roupa, se é que estava precisando de uma roupa adequada para andar na rua e ir à igreja. O homem se sentiu ofendido e passou a ofender o pastor e os diáconos.
Diante da atitude do ofensor, ele foi submetido à disciplina cirúrgica da igreja. Houve votos contra a sua exclusão. Assim, “a bola do homem do pijama encheu”. A igreja, porém, manteve-se firme em sua decisão.
Infelizmente, o homem de Deus se sujeita a uma queda nesta hora, por causa das “raposas e raposinhas aninhadas” (são os espinhos – Ct 2.15). Deus cuida daqueles que chama e coloca em sua obra. Dizem que “Deus tarda mas não falha”. Eu digo que Deus faz tudo no tempo próprio. O tamanho e o peso do seu amor é igual ao tamanho de sua justiça.
Aquele homem trabalhava, tinha família e uma vida normal. Era de boa aparência, mas tinha um desequilíbrio mental. Tempos depois ele foi demitido do seu trabalho. Recebeu o justo valor de sua demissão. Naquele mesmo dia, encontrou e entregou todo dinheiro de sua indenização a um agiota, em troca de um embrulho de jornais velhos. Restou-lhe apenas uma grande frustração pelos danos sofridos, do seu lado uma esposa decepcionada, por causa dos filhos que o casal tinha. O tempo passou e um novo emprego não apareceu. A família começou a padecer necessidade. O amor, a bondade e avisão beneficente da igreja, rompendo o orgulho pecaminoso daquele marido e pai, supriu com bolsas de alimentos aquela casa, até que a esposa resolver deixar o marido, indo morar com seus pais. Isto porque já não havia mais gás para fazer comida e a Light cortara a energia elétrica da casa, por falta de pagamento. A casa estava no escuro, o aluguel estava atrasado.
Aquele homem passou a perambular pelas ruas, sujo, barbudo, cabeludo e maltrapilho (um mendigo), catando restos nas latas de lixo, para se alimentar. Estava vivendo na completa miséria. Até que, num dia de sorte, encontrou uma fortuna: uns níqueis, em eufórico esbravejo de uma mente doente. O primeiro pensamento foi guardar aquele tesouro, mas há muitos dias não tomava um café quentinho. O desejo e a necessidade de tomar o café foram maiores. Então, conferiu que a fortuna dava apenas para um copo de café e um pão com manteiga. Lá ele foi fazer a cobiçada refeição, já sentindo o gosto da mesma. Ele havia levado uma lata de lixo para recolher o café e saboreá-lo mais adiante, para não ser incomodado. Foi atendio, pagou o devido preço e saiu do boteco.
Histérico, olhava e delirava com o que tinha diante de si. Estando nas nuvens, não percebeu outro mendigo se aproximando, a fim de lhe tomar a refeição. Era semelhante a um cão querendo tomar o osso de um viralata. A tempo, ele segurou a comida em suas mãos, travando-se uma luta pelo alimento (briga de cachorro grande). O café, então, entornou e o pão, por estar seguro na mão que socava o inimigo, no esforço de não deixar escapar, o mesmo virou um palito. Dias depois, por causa do golpe que levou na cabeça, o homem do pijama morreu, mas não lembrou de sua exclusão da igreja.
Amado colega pastor, eu creio na justiça de Deus na vida de seus obreiros, em duas direções: 1) no nosso visual, fortalecendo nossa fé no que ele nos confiou, naturalmente se vivermos dentro da sua vontade. 2) naquele grande dia, diante do Cordeiro, quando todos daremos provas dos nossos feitos neste mundo.
Só devemos, humildemente, cativar um coração de amor. “E todas as demais coisas nos serão acrescentadas.” Homens de pijamas já foram previstos por Jesus, que fariam parte do rebanho e da lavoura de Deus”, onde precisa trabalhar o homem de Deus, exercendo sua fé. Deus cuida deste seu servo.
“Deus cuidará de ti, em cada dia proverá” (hino 344 CC). Cuida de você porque o chamou e o colocou em sua obra.
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Na manhã de ontem, dia 28, líderes batistas estiveram reunidos no auditório da Direção Geral do Colégio Batista em Belo Horizonte, MG, para pontuar questões importantes sobre a unidade das ações da denominação em todo o Brasil. O encontro contou com a presença do presidente da CBB, Pr. Vanderlei Batista Marins; do diretor executivo da CBB, Pr. Sócrates de Oliveira; do 4° Secretário da CBB, Pr. Edgard Barreto Antunes; do secretário executivo da OPBB – MG, José de René Toledo; do diretor executivo da CB Carioca, Pr. Nilton Antonio de Souza; do diretor executivo da CB de São Paulo, Pr. Valdo Romão; e do diretor executivo de Missões Nacionais, Pr. Fernando Brandão.
O pastor Márcio Santos, diretor executivo da Convenção Batista Mineira, deu as boas-vindas aos cerca de 100 pastores e líderes reunidos. Falou da alegria de poder contar com a representação de tantas igrejas para uma discussão que envolve o avanço da ação batista no Brasil. Após um período de louvor e adoração, a palavra foi entregue ao presidente da Convenção Batista Brasileira, Pr. Vanderlei Batista Marins.
A palavra do presidente teve um tom de unidade denominacional, mostrando aos pastores e aos ouvintes da rádio CBM, que acompanhavam o encontro pela Internet, como é essencial que as ações da denominação aconteçam de forma conjugada, seguindo um discurso alinhado aos aspectos doutrinários defendidos ao longo dos anos pelos batistas. O presidente disse ainda que todas as organizações e instituições batistas precisam estar unidas, formando uma rede de cooperação que possa glorificar a Deus em seus feitos.
Pr. Vanderlei falou ainda sobre a falta de visibilidade de muitos projetos que, embora estejam sendo relevantes em suas regiões, não são reconhecidos nacionalmente pela simples falta de integração no tocante à comunicação de suas ações.
Gravamos trechos da mensagem do Pr. Vanderlei Marins em Belo Horizonte. Ouça abaixo:
Família e Sexualidade à luz da Bíblia será o tema discutido no Congresso 2015, realizado pela Associação das Igrejas Batistas de Jacarepaguá (ABJ), nos dias 12 e 13 de junho, às 19h, no templo da Primeira Igreja Batista de Jacarepaguá.
O congresso terá como preletor o Pr. Pedro Moura, PhD em Teologia, escritor, ex-diretor da Imprensa Bíblica Brasileira, ex-professor do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil e Revisor Geral da Versão Almeida Século XXI. Além de cultos inspirativos, a programação conta com oficinas para pastores, líderes e casais, bem como para adolescentes e jovens.
A PIB em Jacarepaguá está situada à Estrada do Pau Ferro, 24- Pechincha – Jacarepaguá/RJ.
Confira a programação: Dia 12 – Sexta feira Culto Inspirativo -19h
Dia 13 – Sábado
Palestra para pastores, líderes e casais – 8h até 11h
Assembleia Geral da ABJ – 16h até 18h.
Oficina para adolescentes e jovens – 15 até 17h Participação da Psicóloga Sandra Mara Culto Inspirativo e Encerramento do Congresso – 19h
Obs: Sábado, às 8h e 18h, serão oferecidos Coffee Break para todos que participarem das palestras e Assembleia geral.
Informações de contato Pr. Javier C. Ysuiza Coordenador Executivo da ABJ Contato: 3041-6477 / 98787-7987
A Associação Batista de Jacarepaguá (ABJ) e a PIB da Freguesia têm o prazer de convidar os pastores, líderes e cristãos em geral para o Treinamento do Processo de Crescimento por Multiplicação (TpT). O evento acontece nos dias 6 e 27 de junho, das 8h às 15h, no templo da PIB de Freguesia.
O método TPT (Treinamento para Treinadores) foi desenvolvido pelo chinês Ying Kai, que multiplicou um pequeno grupo de discípulos em um movimento de 80.000 novas igrejas com mais de 2 milhões de batismos. Atualmente, o treinamento TPT está sendo adaptado a comunidades em vários lugares no mundo, levando para Cristo pessoas que eram hindus , muçulmanas , budistas , Etc. O discipulado usa a Bíblia como a base de obediência, prestando conta em grupos pequenos pelo processo TpT .
Os treinamentos trarão como palestrante o irmão Mário Ikeda, que tem se dedicado à propagação deste modelo de discipulado. Mário recomenda que os participantes adquiram previamente o livro TpT Re-revolução do discipulado e já lessem para que a atenção seja voltada apenas ao que é essencial à ocasião.
Os interessados em adquirir o livro, podem fazê-lo no valor de R$36, pelas mãos do pastor Javier C. Ysuiza, coordenador executivo da ABJ. Mas estes devem se apressar, pois há apenas 50 volumes disponíveis.
Informações de contato Pr. Javier C. Ysuiza Coordenador Executivo da ABJ Contato: 3041-6477 / 98787-7987
Um dos temas que têm tido mais espaço, embora seja antigo, mas recentemente bastante exposto nos meios de comunicação, é aquele que fala acerca da PEC 171/1993, que visa alterar o artigo 228 da Constituição Federal para reduzir a maioridade penal de dezoito para dezesseis anos.
O assunto envolve os aspectos jurídicos, políticos e sociais que merecem uma abordagem séria e comprometida com os valores humanos e coerentes com o discurso e fé cristãos. Não há dúvida de que a sociedade deseja que os atos praticados por adolescentes infratores sejam punidos (na verdade, já podem ser punidos e muitos o são) e, neste contexto, políticos de várias origens e partidos aproveitam o “momento” para apresentarem-se como “defensores” das vítimas.
A constituição de um país visa o equilíbrio das relações entre as pessoas e a proteção da sociedade ante qualquer déspota, podendo ser este ditador, talvez até o próprio Estado, objetivando segurança jurídica e visando, em nosso caso, permitir que a democracia seja fortalecida e que não sirva de pretexto para atingir as minorias (minoria é conceito de força política e não de quantitativo). Assim, o artigo 228 da Constituição Federal de 1988, para parte considerável da doutrina jurídica, é um artigo que não pode ser alterado nem por emenda constitucional.
Explico. A chamada ADIN 939-7/DF, já consagrou o entendimento do STF de que os direitos individuais protegidos pelo artigo 5º da Constituição Federal são uma lista exemplificativa, assim, sabe-se que podem, e de fato existem, outros direitos fundamentais protegidas com o poder da imutabilidade fora daquele artigo. Neste sentido, o artigo 228 da CF/88 é um exemplo de cláusula pétrea (imodificável), fora do rol do artigo 5º da Constituição Federal e protegida pelo artigo 60 da referida Constituição (a qual pode-se dizer que confere em relação às cláusulas que lidam com direitos individuais, que estas não podem ser alteradas para a sua supressão ou abolição em uma diminuição de direitos individuais, sob pena de ferir-se a própria Constituição), o que faz que tal artigo, seja protegido pelo manto constitucional que veda emendas abolicionistas e reducionistas.
Repito. A Constituição Federal, no tocante às suas cláusulas de pedra que versam sobre garantias de liberdade religiosa, liberdade de expressão, direito à vida, de propriedade, de imunidade tributária para templos religiosos, dentre outras garantias e direitos, também protege os direitos individuais que todos os adolescentes em nossa pátria têm de apenas serem julgados e tratados perante uma legislação diferenciada que não pode ser suprimida, sob risco, inclusive, de perda simbólica de força nos demais direitos humanos tão preciosos e já mencionados neste parágrafo. Um passo terrível em direção a uma situação constrangedora dos pontos de vista institucional e humano.
Mas pode alguém perguntar: Quanto aos direitos da vitima? A sociedade não pode reclamar por justiça? Temos então questões de importante destaque para o presente tema. Não temos como esgotar esta matéria em poucas linhas. Quem já foi vitima de um ato de violência em sua vida jamais pode ser tratado com indiferença. O problema é que ao longo dos séculos avançamos para sairmos de uma sociedade da “vingança pelas próprias mãos” para um sistema que visa tratar com isonomia os diferentes. Como cristãos, nossa justiça precisa ser superior e, urgentemente, precisamos saber o que é justiça.
Assim, pensemos no seguinte: perguntando a uma pessoa traída nos negócios o que faria com a pessoa que a traiu, deixando-a arruinada financeiramente, será que não teríamos como resposta o seu desejo de exterminar aquela pessoa má, como também a família dela, sua esposa, seus filhos e até seus animais? A raiva, a amargura e os demais sentimentos tiram por completo sua condição de analisar e resolver o problema. A justiça tem que ser restaurativa. Uma descoberta: Nem a vítima e nem o réu podem decidir o caminho da melhor medida, da medida mais proporcional.
Reduzir a maioridade penal é dar uma resposta inadequada aos problemas que enfrentamos (todas as pesquisas sobre violência apontam que os adolescentes não são responsáveis nem por um por cento dos crimes violentos), e pode, esconder, o real abandono social, e de que precisamos como igreja também intervir como agentes de transformação da realidade que nos cerca.
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