Qual o valor das pequenas ações?

Escrito por

em

Pr.Sergio Dusilek*

Alguns se desmotivam a fazer o bem, a nadar contra a correnteza, contra o “curso natural” desse mundo porque se sentem cansados de “enxugar o gelo”, de pingar gotas num “deserto”, de fazer o bem justamente quando o mal parece proliferar. É bem possível que muitos se sintam como o profeta Elias (I Reis 19:14), sozinhos a enfrentar um “mar de maldades”. Ou ainda como o juiz Sérgio Moro, o qual recentemente declarou se sentir como João Batista, pois era uma voz que clamava no deserto.

Os que assim se encontram estão discutindo o valor de sua integridade. Os que assim pensam, começam a ver alguma virtude do lado de lá…  e Jesus tinha razão ao dizer que a multiplicação da iniquidade esfriaria o amor de muitos… Sendo assim, qual é o valor das ações individuais? No dizer do salmista (Salmo 11:3): “O que pode fazer o justo quando os fundamentos são destruídos?” Quero sugerir alguns aspectos para sua reflexão.

Nossas ações, ainda que pequenas, seguem refletindo a grandeza de Deus. Na melhor compreensão Leibniziana, o mundo sensível é uma reflexão do mundo espiritual. Ao agirmos para o bem num mundo que tende para o mal, assinalamos com nossa ação a presença de algo maior, a existência de Deus. Sim, o nosso comportamento interessa a Deus não no sentido legalista de regulação individual, mas sim como testemunho, apontamento de algo maior.

Nossas ações, ainda que pequenas, são um testemunho para os agentes da maldade que é possível fazer o bem aqui nesse mundo. Nesse sentido é que Pedro falou em emudecimento alheio (I Pedro.2:11-17).

Nossas pequenas ações são como pequenas peças de um quebra-cabeça, o qual Deus pode juntar e apresentá-las todas por inteiro. Ao fazer isso percebemos que nossa participação foi importante para preencher um espaço e para conectar outras ações. Sim, fazer o bem inspira!

Nossas ações individuais podem em algum momento ganhar um contorno coletivo, não por Deus somente como dissemos, mas pela facilitação de alguma liderança. É quando um líder aglutinador reúne os esforços individuais.

Nossas pequenas ações, se não mudam o mundo, podem mudar o nosso mundo, a realidade onde nos encontramos. Muda a nossa percepção da realidade e pode interferir na própria realidade. Podemos não mudar a situação de risco na moradia de milhares de pessoas, mas quem sabe não conseguimos ajudar a mudar uma por vez? Não podemos salvar todos os golfinhos que encalharam na praia, mas será que não conseguimos salvar pelo menos um?

Não nos esqueçamos do poder multiplicador que há em Deus. Nossa pequena ação pode ter um alcance bem maior do que imaginamos. É como o menino que levou cinco pães e dois peixes para Jesus. Uma pequena ação que alimentou cerca de 20.000 pessoas (5000 eram os homens contados… e as mulheres e crianças? Mateus 14:21)

Termino essa breve reflexão sugerindo a você três coisas:

  1. Não deixe de fazer o bem. Sua pequena ação é de grande valor. Pode ser que ninguém mais veja, mas Deus está vendo o seu testemunho.
  2. Naquilo que estiver ao seu alcance, faça. Pode ser um pequeno gesto como segurar o elevador, catar um lixo e jogar no cesto, cumprimentar as pessoas com um sorriso… faça sua pequena ação e esparja o bem à sua volta;
  3. Deixe Deus multiplicar, caso Ele queira, sua pequena ação. Ou mesmo deixe o Senhor ampliar sua ação. Lembre-se que você não está sozinho. Há muitos outros que lutam pelo bem, e fazem o que é bom. E principalmente: nunca se esqueça de que Deus está contigo.

*Extraído do blog pessoal sergiodusilek.worpress.com
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