Há um preço a pagar – parte 2

Escrito por

em

Pr. José Carlos Torres

¨Se o meu povo que se chama pelo meu nome se humilhar, orar, me buscar e se desviar dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, o perdoarei dos seus pecados e sararei a sua terra.¨ (II Crônicas 7:14).

Na mensagem anterior, antes de considerar as condições postas por Deus para abençoar o seu povo, destacamos três expressões fundamentais que geram e explicam as exigências que lhes são consequentes.

Quais são as condições que Deus coloca diante do seu povo e de cada servo seu, segundo a mensagem do texto em consideração, para que por ele sejam abençoados nas diferentes dimensões de suas vidas?

1- A primeira condição é retratada nesta expressão: “Se o meu povo se humilhar”.
Não parece paradoxal esta exigência e condição para ser abençoado pelo Senhor? Como ser servo sem ser humilde? Mas o paradoxo fomos nós que o criamos, dizendo-nos povo de Deus, mas vivendo sem compromisso real com o seu senhorio sobre nossas vidas.

A única forma de se viver diante de Deus, como servo, é sendo humilde. Somente sendo humildes, reconheceremos seu senhorio sobre nós e teremos condições de ser-lhe conscientemente obedientes. Chega de soberba, orgulho e vaidade! Chega de hipocrisia, desobediência e vida corrompida pelo pecado!

A humildade é o caminho para que sejamos abençoados pelo Senhor. Esta afirmação está alinhada com o que Jesus nos diz em Mateus 5:3: “Bem aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus”. Da mesma forma, está em harmonia com a mensagem colocada pelo profeta Amós sobre o que seja o cerne da vontade de Deus para seus servos e seu povo: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?” (Miquéias 6:8)

2- A segunda condição é traduzida nestas palavras: Se o meu povo “se desviar dos seus maus caminhos”.
É impressionante o realismo bíblico! Fala sobre o povo de Deus e, de forma transparente e honesta, muitas vezes o mostra andando por caminhos que não são os do Senhor, que são caminhos maus! É isso mesmo! Basta que lhe falte humildade e deixe de ver que a vida feliz, como Jesus disse, “consiste em fazer a vontade do Pai que está nos céus.
E não adianta espernear, pois não há vida em Cristo, aqui na terra, sem a ameaça ou a tentação do pecado, como podemos nos lembrar nos exemplos de Abraão, Jacó, Davi, Salomão, Judas, Paulo e outros mostrados na própria Bíblia.

Fique a advertência: andar em maus caminhos, fecha os ouvidos de Deus aos nossos clamores e, ao invés das bênçãos que podemos receber dele, restarão apenas as migalhas que o mundo dá, levando-nos ainda ao engano de pensar que essas migalhas são bênçãos do Senhor.

3- A terceira condição é traduzida nesta outra expressão: “Se o meu povo orar”.
O Senhor pode escutar nossas orações ou, de outro modo, fechar seus ouvidos às nossas súplicas. Tudo depende de o Senhor nos encontrar ou não no caminho da fidelidade aos seus mandamentos.

A oração que Deus escuta é a do crente que, comprometido radicalmente com a fidelidade a ele, ora e fala ao Senhor tudo que vai ao seu coração, e lhe pede o que pensa e deseja; do crente que ora e escuta o Senhor falar a sua vontade, até que rápida e paulatinamente dela torna-se consciente; do crente que ora, fala, escuta e, uma vez convencido da vontade divina, apenas diz, como Jesus nos deixou o exemplo: “Seja feito o que Tu queres.”

4- A quarta e última condição é assim retratada: “Se o meu povo buscar a minha face”.
Esta expressão significa buscar a comunhão com o Senhor e uma vida vivida na sua santa presença. Isso se torna muito menos difícil de se realizar quanto temos consciência de que nossas vidas foram transformada em templo do Espírito Santo, e ele habita em nós.

Quando vivemos conscientes desta verdade, logo nos apercebemos de que não há como escapar da presença de Deus, pois o Senhor não apenas está conosco, mas ele vive em nós.
Por isso mesmo, Paulo nos diz que não devemos “entristecer o Espírito Santo” o que se dá quando pecamos; nem apagar as marcas da sua presença em nossas vidas, o que acontece quando pecamos tão contumazmente que ninguém pode enxergar os frutos da sua presença santificadora em nós.
Mais ainda, o apóstolo aos gentios nos exorta a buscar uma vida cheia do Espírito Santo, na qual o pecado tenha cada vez menos lugar, e a vontade de Deus seja feita como a coisa mais natural, como deve ocorrer na vida de um cristão, o qual é um seguidor Jesus, o mestre que nos deixou o exemplo que nos vem nestas suas palavras: “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou”.

Creio que a vida do crente e de todo povo de Deus, seria diferente se tivéssemos consciência da morada do Espírito em nossas vidas. Seria muito mais difícil pecar e andar em caminhos que não fossem do Senhor. Seria muito mais fácil resistir e vencer as tentações, esvaziar-nos cada vez mais de pecados, para que assim, vendo realizar-se a vontade de Deus em nós, vivamos mais e mais na plenitude do Espírito Santo?

Estamos dispostos a pagar o preço? Queremos verdadeiramente ser abençoados por Deus? As condições para tanto estão claramente expostas pelo Senhor neste breve texto da sua Palavra. Aí está o caminho para o verdadeiro avivamento (vida de Deus em nós) e para um novo tempo de comunhão e compromisso com Deus que resulte na glorificação do seu nome no meio do povo seu, por ele abençoado para abençoar vidas.

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