Categoria: Artigos

  • O grande problema de missões

    O grande problema de missões

    Pr. Sylvio Raphael Azevedo Macri*
    Antigamente nós tínhamos uma visão muito romântica da obra de missões. Era vista como uma atividade heróica, em que a pessoa partia para uma verdadeira aventura em terras estranhas, para pregar o evangelho a pessoas estranhas, que nunca o teriam ouvido e, muito provavelmente, mostrariam uma forte reação à Palavra de Deus. Os lugares para onde se enviava os missionários, mesmo que fossem cidades, geralmente eram de difícil acesso e sem recursos; ser missionário representava, antes de mais nada, renunciar ao convívio da família e ao conforto do lugar de origem.

    Este conceito mudou radicalmente. Hoje temos uma visão muito mais ampla da obra missionária. Compreendemos agora que ela não se faz somente nos sertões e nos países distantes, mas igualmente bem pertinho da porta da nossa casa. E não estamos falando aqui daquele conhecido argumento que diz que cada um de nós, os crentes, pode ser também um missionário. Referimo-nos a enviar missionários e sustentá-los para trabalhar na nossa própria cidade.

    Mesmo a nossa visão de missões mundiais ampliou-se grandemente, em virtude da globalização da economia, dos transportes e das comunicações; a viagem de avião para qualquer nação do mundo pode ser feita em menos de vinte e quatro horas, e a comunicação via satélite se dá em tempo real. Através do rádio, TV e Internet pode-se penetrar no país mais fechado do mundo. Atualmente, os batistas brasileiros estão fazendo missões em muitas nações no mundo.

    Também compreendemos que fazer missões não é só enviar missionários, mas, talvez até em muito maior proporção, sustentar obreiros da própria nação ou povo que queremos evangelizar. São os chamados missionários da terra ou autóctones, que têm muito mais facilidade para fazer a obra de missões que os estrangeiros, pois não precisam, como estes, gastar um longo tempo para aprender a língua e os costumes dos povos aos quais são enviados e para ganhar a sua confiança. E há mais uma vantagem: é muito mais fácil sustentar um missionário da terra do que um estrangeiro.

    Outra coisa que contribuiu para mudar a nossa visão missionária é que o mundo tornou-se urbanizado. O nosso próprio país tornou-se tão urbanizado que hoje, segundo a ONU (Folha de São Paulo – 26/2/2008), apenas 15% da população vivem nas áreas rurais. Há verdadeiras megalópoles espalhadas por todo o mundo, onde o tráfico de drogas, o crime organizado, a prostituição, os vícios, as falsas religiões já chegaram, e o evangelho ainda não chegou. Ou se chegou, a sua penetração é ainda insignificante. O grande campo missionário da atualidade são as grandes cidades.

    Mesmo nas grandes concentrações urbanas do Brasil, onde temos tantas igrejas, tornou-se necessário ter pessoas especialmente chamadas por Deus e sustentadas por nós para trabalhar naqueles lugares onde a maioria dos crentes não pode ir por falta de tempo, de oportunidade, de treinamento e de credenciamento ou de licença. São os hospitais, as cadeias, os portos, as casas de internação de viciados, as de internação de menores, os pontos turísticos, as universidades. Há também as atividades arriscadas, como o trabalho nas favelas e com os moradores de rua.

    Realizar missões nessa nossa “aldeia global” é um privilégio e uma responsabilidade sem precedentes, porque, se por um lado o progresso facilitou o acesso a todos os pontos do planeta Terra, assim permitindo que a mensagem do evangelho penetrasse em qualquer lugar, mesmo nos mais fechados, por outro lado, esta oportunidade sem igual precisa ser urgentemente aproveitada, antes que termine a nossa geração, antes que outros milhões de pessoas morram sem ouvir falar de Jesus. Deus deu à nossa geração o que não deu às anteriores: a oportunidade de cumprir o “Ide” de Jesus numa dimensão jamais vista. Está nas nossas mãos fazê-lo, as condições estão dadas.

    Entretanto, é mais fácil para Deus mover a roda da História, como tem feito, criando tantas oportunidades para Missões, do que mover o coração duro dos crentes que não se abre para essa obra. Sim, porque essa é uma questão não só da vontade de Deus, mas também da vontade do homem. O Senhor é soberano, mas espera a nossa participação voluntária na obra, pois este é o seu plano: que homens e mulheres sejam suas testemunhas também onde moram, que se engajem, indo diretamente aos campos ou contribuindo para o sustento dos que vão, e que orem para que a obra dê resultados.

    Portanto, o grande problema da obra missionária neste mundo sem fronteiras não são as barreiras raciais, culturais ou políticas, mas a falta de recursos humanos, financeiros e espirituais. Precisamos de mais gente para ir aos campos, precisamos de mais gente participando financeiramente, precisamos de mais gente orando.

    Recentemente apurou-se que o valor médio ofertado por ano para a obra missionária pelos evangélicos brasileiros era menor que o valor de uma Coca-Cola. Isto mesmo: todo o dinheiro dado para Missões pelos crentes brasileiros dividido pelo número total desses crentes, dá menos que o preço de uma latinha de Coca-Cola por ano. Não nos enganemos, irmãos, todos nós haveremos de comparecer perante o tribunal de Cristo e prestar contas da nossa omissão nesta hora, neste mundo de tantas oportunidades. Que nenhum dos que me lêem seja achado culpado naquele dia!

    *pastor da Igreja Batista Central de Oswaldo Cruz

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  • Saindo da zona de conforto

    Saindo da zona de conforto

    Por Pr. Eraldo Coelho Bernardo

    O pastor e seu filho adolescente saíam costumeiramente aos domingos à tarde para visitar de casa em casa. Em um domingo que prometia chover o pastor disse ao filho que naquela tarde ele não iria. O filho lhe disse: pai, eu vou então sozinho.

    Chegando a uma determinada casa, tocou a campainha, e aguardou. Tocou pela segunda vez, pela terceira, pela quarta, então, veio ao portão uma senhora e quis saber o que ele queria. Ele então disse: “Eu vim aqui à sua casa para lhe dizer que Deus a ama. Que Ele enviou ao mundo o Seu filho Jesus Cristo para salvá-la, para lhe dar o perdão de todos os seus pecados e que Ele recebe a senhora como está. Jesus lhe dá razão para viver se O aceitar em seu coração”. Entregou-lhe um folheto que continha o endereço de sua igreja e os horários de cultos e foi embora.

    No domingo seguinte, no culto matutino, aquela senhora foi à igreja e assentou-se no primeiro banco. Pediu ao pastor para dar um breve testemunho. Mesmo sem conhecê-la, ele assentiu, e passou-lhe o microfone, ela, então, disse o seguinte: “No domingo passado, na parte da tarde, eu estava em casa preparando-me para suicidar-me com uma corda, quando ouvi a campainha tocar uma, duas, três, quatro vezes. Então, face à insistência de quem estava à porta, fui atender e, apontando para o filho do pastor, disse: ele, como um anjo de Deus, me falou que Deus me amava e que Jesus Cristo perdoaria todos os meus pecados e que havia esperança para mim. Naquele momento quando que ele se despediu de mim, entrei e compreendi que Deus o havia mandado a minha casa naquela hora. Entreguei meu coração a Jesus e desisti de dar cabo à minha vida”.

    Amados, esta história verídica é também a história de muitas outras pessoas que foram salvas, porque alguém, em nome de Deus, chegou na hora certa para desviá-las de propósitos malignos.

    Tenho tido a alegria de sair aos domingos à tarde com grupos da igreja que pastoreio para fazer o que esse pastor e filho faziam. As experiências têm sido muito gratificantes, voltamos radiantes por saber que quando nos sacrificamos um pouco, saindo de nossa zona de conforto, vidas ouvem de um Jesus, filho de Deus, que veio para nos ajudar e salvar e são salvas e libertas.

    Creio que o que temos que fazer Deus não fará. Nosso Mestre disse que precisaríamos “ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda a criatura”. Essa é tarefa minha e sua. Podemos visitar uma pessoa ou uma família, não só no domingo à tarde, mas nos demais dias da semana, quando uma história de salvação como essa poderá se repetir.

    Crendo que a solução está em Jesus Cristo e que o que devemos fazer Deus não fará.

     
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  • O justiceiro e o pacificador

    O justiceiro e o pacificador

    Por Mateus Lopes*

    Pensei em uma frase dita pelo talentoso professor Henrique Araújo. Quando pregava numa igreja para jovens, em um congresso, ele dizia:

    – Não tratem as pessoas como elas merecem. Trate-as como elas precisam ser tratadas. Se ela te “fechou” no trânsito, não revide “fechando” ela. Se alguém te maltratou, não maltrate este alguém. Lembre-se de que as pessoas que ainda nos tratam conforme não merecíamos ser tratados, precisam de algo muito maior, a saber: Graça de Jesus.

    Esta frase, de imediato, me insuflou a ler certa vez um artigo mitológico que trata de um herói chamado Xing Tian, cuja fama andava de boca em boca entre todas as populações. Empunhando um machado na mão esquerda e um escudo na mão direita, ele corria por todo o mundo atacando os poderosos na defesa dos fracos e necessitados. Era um homem corajoso e justiceiro, vindo gradualmente a ganhar o respeito e o apoio de todos os habitantes.

    O universo era, então, controlado por um gênio celestial egoísta e preguiçoso que levava uma vida de prazeres incontroláveis, sem se preocupar minimamente com a vida do povo. Acontecia que, frequentes vezes, ele não mandava chover durante meses seguidos e as árvores e plantas murchavam de secas; outras vezes, resolvia mandar chover a cântaros, meses sem fim, provocando enchentes que submergiam e arrastavam árvores e casas. A vida da população de então era uma miséria e ninguém tinha quaisquer garantias de um previsível futuro.

    Um dia, muito indignado com o que estava acontecendo, Xing Tian foi ter com o gênio e disse-lhe:

    – Tu realmente és um gênio malfazejo! O povo sofre muito sob o teu domínio. Se não queres fazer por bem, por que não dás o teu lugar a quem de vontade?

    O cruel gênio que, claro, não tinha quaisquer intensões de renunciar ao seu domínio, dando-lhe um riso amarelo respondeu-lhe:

    – Faço aquilo que me aprouver. O melhor é não te meteres nos negócios alheios, caso contrário, faço você saber quem sou eu!

    A arbitrariedade e a arrogância do gênio provocaram a cólera do herói justiceiro que reagiu instantaneamente, brandindo o seu machado, querendo-lhe cortar a cabeça. Vendo isto, o gênio celestial ficou apavorado e fugiu apressadamente rumo a oeste. Contudo, o herói precipitou-se ao seu alcance, perseguindo-o de perto até que, ao chegarem ao sopé das montanhas de Kunlun, Xing Tian morreu de cansaço.

    À luz desta história mitológica, fica bem compreensível entender que há uma distinção entre promover a paz e fazer justiça. O que vemos por aí, nos dias de hoje mesmo e não nos dias de ontem, são tragédias acontecendo que poderiam muito bem serem evitadas. O mais cômico deste episódio atual é que até observando pelo lado da perspectiva bíblica, cristãos estão se preocupando em serem mais justiceiros do que pacificadores.

    Discutimos por causa governo atual, xinga-se e destrói-se moralmente a figura do árbitro que prejudicou simplesmente seu time no jogo, discutimos por muitas causas. De tanto destas coisas que defendemos, queremos ser justiceiros em vez de agirmos oferecendo a outra face, pacificando as tensões social, econômica, racial e de gênero em altas por aí.

    Deveríamos nos unir juntos pela paz. A paz de Deus que excede todo entendimento necessita estar dentro de nós para que nosso diálogo seja ele teórico ou prático, contra ou a favor, nos leve a uma reação pacífica para que desta forma possamos evitar muitos dissabores, minimizar muitas guerras, e encerrar com os debates que não nos levam a lugar nenhum, somente à beira de um ataque de nervos.

    A pacificação é algo que é visto em nossa vida como um todo. Nossos vocábulos não podem mais continuar os mesmos, portanto, tire de sua boca palavras como: matar, ferir, prejudicar e etc. Também nossos comportamentos não podem ser os mesmos, tire de você atitudes como: revidar, tirar satisfação, olho por olho ou dente por dente, pois se levamos a sério nosso compromisso com a bendita Palavra de Deus, devemos mais do que nunca obedecer o conselho de Jesus ao pé da letra: “Eu porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, vota-lhe também a outra”. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

    Tudo pode muito bem ser evitado, portanto somos convidados a confrontar todos os problemas não pela nossa perspectiva de justiça, mas pela perspectiva divina. Xing Tian morreu de cansaço de tanto perseguir com razão o gênio celestial. Talvez estamos perseguindo de igual maneira nossos “gênios celestiais”, atuais em busca da ordem e da justiça, e talvez temos os melhores argumentos, razões e soluções, porém podemos correr o risco de morrer de cansaço, ao ver que nosso esforço não valeu a pena e não nos levou a nenhum lugar. Podemos fazer a diferença, podemos vencer, se humildemente seguirmos os conselhos de Jesus. Não seja justiceiro, seja um pacificador e mantenha esta atitude diante de todos.

    *Mateus representa a geração de jovens batistas engajados na obra missionária e temas sociais. O artigo acima foi um dos escolhidos em concurso literário organizado pela Uol, cujo tema foi “Por uma cultura a favor da paz”.

     

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  • Há um preço a pagar – parte 2

    Há um preço a pagar – parte 2

    Pr. José Carlos Torres

    ¨Se o meu povo que se chama pelo meu nome se humilhar, orar, me buscar e se desviar dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, o perdoarei dos seus pecados e sararei a sua terra.¨ (II Crônicas 7:14).

    Na mensagem anterior, antes de considerar as condições postas por Deus para abençoar o seu povo, destacamos três expressões fundamentais que geram e explicam as exigências que lhes são consequentes.

    Quais são as condições que Deus coloca diante do seu povo e de cada servo seu, segundo a mensagem do texto em consideração, para que por ele sejam abençoados nas diferentes dimensões de suas vidas?

    1- A primeira condição é retratada nesta expressão: “Se o meu povo se humilhar”.
    Não parece paradoxal esta exigência e condição para ser abençoado pelo Senhor? Como ser servo sem ser humilde? Mas o paradoxo fomos nós que o criamos, dizendo-nos povo de Deus, mas vivendo sem compromisso real com o seu senhorio sobre nossas vidas.

    A única forma de se viver diante de Deus, como servo, é sendo humilde. Somente sendo humildes, reconheceremos seu senhorio sobre nós e teremos condições de ser-lhe conscientemente obedientes. Chega de soberba, orgulho e vaidade! Chega de hipocrisia, desobediência e vida corrompida pelo pecado!

    A humildade é o caminho para que sejamos abençoados pelo Senhor. Esta afirmação está alinhada com o que Jesus nos diz em Mateus 5:3: “Bem aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus”. Da mesma forma, está em harmonia com a mensagem colocada pelo profeta Amós sobre o que seja o cerne da vontade de Deus para seus servos e seu povo: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?” (Miquéias 6:8)

    2- A segunda condição é traduzida nestas palavras: Se o meu povo “se desviar dos seus maus caminhos”.
    É impressionante o realismo bíblico! Fala sobre o povo de Deus e, de forma transparente e honesta, muitas vezes o mostra andando por caminhos que não são os do Senhor, que são caminhos maus! É isso mesmo! Basta que lhe falte humildade e deixe de ver que a vida feliz, como Jesus disse, “consiste em fazer a vontade do Pai que está nos céus.
    E não adianta espernear, pois não há vida em Cristo, aqui na terra, sem a ameaça ou a tentação do pecado, como podemos nos lembrar nos exemplos de Abraão, Jacó, Davi, Salomão, Judas, Paulo e outros mostrados na própria Bíblia.

    Fique a advertência: andar em maus caminhos, fecha os ouvidos de Deus aos nossos clamores e, ao invés das bênçãos que podemos receber dele, restarão apenas as migalhas que o mundo dá, levando-nos ainda ao engano de pensar que essas migalhas são bênçãos do Senhor.

    3- A terceira condição é traduzida nesta outra expressão: “Se o meu povo orar”.
    O Senhor pode escutar nossas orações ou, de outro modo, fechar seus ouvidos às nossas súplicas. Tudo depende de o Senhor nos encontrar ou não no caminho da fidelidade aos seus mandamentos.

    A oração que Deus escuta é a do crente que, comprometido radicalmente com a fidelidade a ele, ora e fala ao Senhor tudo que vai ao seu coração, e lhe pede o que pensa e deseja; do crente que ora e escuta o Senhor falar a sua vontade, até que rápida e paulatinamente dela torna-se consciente; do crente que ora, fala, escuta e, uma vez convencido da vontade divina, apenas diz, como Jesus nos deixou o exemplo: “Seja feito o que Tu queres.”

    4- A quarta e última condição é assim retratada: “Se o meu povo buscar a minha face”.
    Esta expressão significa buscar a comunhão com o Senhor e uma vida vivida na sua santa presença. Isso se torna muito menos difícil de se realizar quanto temos consciência de que nossas vidas foram transformada em templo do Espírito Santo, e ele habita em nós.

    Quando vivemos conscientes desta verdade, logo nos apercebemos de que não há como escapar da presença de Deus, pois o Senhor não apenas está conosco, mas ele vive em nós.
    Por isso mesmo, Paulo nos diz que não devemos “entristecer o Espírito Santo” o que se dá quando pecamos; nem apagar as marcas da sua presença em nossas vidas, o que acontece quando pecamos tão contumazmente que ninguém pode enxergar os frutos da sua presença santificadora em nós.
    Mais ainda, o apóstolo aos gentios nos exorta a buscar uma vida cheia do Espírito Santo, na qual o pecado tenha cada vez menos lugar, e a vontade de Deus seja feita como a coisa mais natural, como deve ocorrer na vida de um cristão, o qual é um seguidor Jesus, o mestre que nos deixou o exemplo que nos vem nestas suas palavras: “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou”.

    Creio que a vida do crente e de todo povo de Deus, seria diferente se tivéssemos consciência da morada do Espírito em nossas vidas. Seria muito mais difícil pecar e andar em caminhos que não fossem do Senhor. Seria muito mais fácil resistir e vencer as tentações, esvaziar-nos cada vez mais de pecados, para que assim, vendo realizar-se a vontade de Deus em nós, vivamos mais e mais na plenitude do Espírito Santo?

    Estamos dispostos a pagar o preço? Queremos verdadeiramente ser abençoados por Deus? As condições para tanto estão claramente expostas pelo Senhor neste breve texto da sua Palavra. Aí está o caminho para o verdadeiro avivamento (vida de Deus em nós) e para um novo tempo de comunhão e compromisso com Deus que resulte na glorificação do seu nome no meio do povo seu, por ele abençoado para abençoar vidas.

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  • Há um preço a pagar

    Há um preço a pagar

    Pastor José Carlos Torres

    “Se o meu povo que se chama pelo meu nome se humilhar, e orar, e me buscar e se desviar dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, o perdoarei dos seus pecados e sararei a sua terra.¨ (II Crônicas 7:14).

    Este texto tem sido repetidamente usado por pregadores e escritores que discorrem sobre avivamento ou desejam chamar a igreja para um novo tempo de comunhão e compromisso com Deus.
    Ele foi escrito num contexto de festa e celebrações, mas ao mesmo tempo, de riscos para o povo de Deus. Salomão, o rei, acabara de construir o templo, para o Senhor e o culto do seu nome, bem como o palácio, para o rei – naquele momento, ele mesmo.

    Ao dirigir estas palavras ao coração do seu povo, num momento que parecia pedir apenas festa e celebração, o Senhor chamava a atenção de todos para o risco implícito naquele momento especial. O risco de pensar que, no plano espiritual, o templo era sua exigência maior aos que lhe queriam ser fiéis, e que este teria o poder ¨mágico¨ de, pelo simples pisar no seu chão e reunir-se nele, tornar o povo agradável ao Senhor e digno de ser abençoado.

    Um balde de água fria? Não! Apenas uma gota de realismo. Um convite para que o rei e o povo não se deixassem seduzir pelo triunfalismo e andassem com os pés no chão, conscientes das limitações e finitude humanas, da ambiguidade e da vaidade – com as quais o próprio Salomão, por exemplo, teve várias vezes de confrontar-se.

    Uma palavra incômoda, não politicamente correta (os profetas nunca se preocuparam em ser politicamente corretos), tremendamente inconveniente e chata? Com certeza ela o foi para aqueles que, dizendo-se povo de Deus, viviam na prática como se Deus não existisse, e a toda sorte de imoralidade eles se permitiam.

    Nas palavras do texto em análise, o povo de Deus e cada servo seu, se quer ser abençoado pelo Senhor, haverá de pagar o preço para tanto, e este preço impõe exigências de ordem espiritual, moral e ética.

    Vamos a uma breve análise desta passagem bíblica e aos destaques que desejo fazer com foco no tema escolhido:
    I- Em primeiro lugar, e antes de considerar as condições postas por Deus para abençoar o seu povo, destaco três expressões fundamentais do texto, pois são elas que geram e explicam as exigências que lhes são consequentes.

    1- “Se o meu povo que se chama pelo meu nome”.
    O Senhor sempre quer ter um povo seu, um povo santificado para toda a boa obra. Um povo com identidade própria, e que não apenas se comporte de um certo jeito, pensado como agradável a Deus. Além do comportar-se, muito além e diferente disso, Deus quer que, verdadeiramente, sejamos seus filhos, seus servos, seu povo.

    Se isso acontece, dar expressão à nova natureza recebida no novo nascimento, ao fato de sermos filhos de Deus, será algo natural e consequente ao que somos. Tão natural como voar, para um pássaro; tão natural como, em nossa vida no sangue e na carne, andar e falar.

    Não é de qualquer jeito e a qualquer um, diz o Senhor, que ele abençoará. Também não basta dizer-se povo de Deus para ser abençoado. Há condições claras, por ele estabelecidas, para que “abra as janelas do céu” para fazer-se abençoadoramente presente na vida dos que são seus filhos e parte do seu povo. Quem não considerar estas condições ficará também sem as bênçãos que tanto e sempre deseja.

    Isso no coloca diante de realidades muitas vezes destacadas por Jesus, em seus ensinos sobre as novidades que Deus trazia ao mundo por meio dele (evangelho) e sobre o Reino de Deus. Para Jesus, ser povo de Deus é viver sob seu senhorio, isto é, fazendo a sua vontade; não é uma questão que possa limitar-se a um certo e estabelecido discurso, mas que exige, necessariamente, viver radicalmente comprometido com os ensinos, os mandamentos e o Reino do Senhor.

    2- “Eu ouvirei dos céus”.
    Esta afirmação representa uma promessa e uma advertência tremenda: O Senhor tem ouvidos para ouvir um povo fiel e, da mesma forma, para torna-se surdo aos infiéis, como vemos em Isaías, capítulo 1, versículos 1:11-18.

    “De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? diz o Senhor. Estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecerdes perante mim, quem requereu de vós isto, que viésseis pisar os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação. As luas novas, os sábados, e a convocação de assembleias… não posso suportar a iniquidade, junto com ajuntamentos e cultos solenes! As vossas luas novas, e as vossas festas fixas, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer. Quando estenderdes as vossas mãos, esconderei de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei; porque as vossas mãos estão cheias de sangue. Lavai-vos, purificai-vos; tirai de diante dos meus olhos a maldade dos vossos atos; cessai de fazer o mal; aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, acabai com a opressão, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva. Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados são como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como a lã.”

    Assim, quem verdadeira e sinceramente deseja ser abençoado pelo Senhor, precisa orar ao Senhor e ser por ele ouvido. E nós já sabemos o que isso significa, como se dá e como não deve ser.

    3- “Perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra”.
    Que síntese fantástica das bênçãos que o Senhor nos dá!

    “Perdoarei os seus pecados!”, refere-se às bênçãos espirituais que todos desejam e que é pré-condição para que todo e qualquer pecador (e todos o somos) perdoado viva na presença do Senhor e em comunhão com ele.

    “Sararei a sua Terra”, por sua vez, indica as bênçãos materiais com as quais o Senhor responde às necessidades (não a simples desejos e ambições) dos que o amam. Vivendo da terra (agricultura rudimentar) e do pastoreio, o povo sabia da importância de uma terra “sarada”, para a satisfação das suas necessidades materiais.

    O Senhor está sempre pronto para ouvir e responder ao clamor e às orações do seu povo e de qualquer filho seu. Aquele, pois, que deseja receber a resposta de amor, traduzida em bênçãos espirituais e materiais que Deus reserva para os que lhe são fiéis, deve estar atento às condições que, com meridiana clareza, ele impõe.

    Sobre as condições para que o Senhor assim nos abençoe, conversarei com vocês na segunda e última mensagem desta pequena série.

    Continua na próxima semana…

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  • Inamaldiçoáveis

    Inamaldiçoáveis

    Pr. Sérgio Dusilek

    Uma erva daninha cresce no meio dos evangélicos, mas que nada tem do Evangelho. Trata-se do praguejamento, do amaldiçoar o outro. Num tempo de crescente violência na espiritualidade, como bem asseverou o Pr.Grellert, é de se esperar que tais coisas aconteçam. Vai do crente comum (terminologia horrível essa, confesso), aos líderes de grupos, de departamentos, de ministérios, de células, passando por pastores, bispos e preferencialmente os “apóstolos” contemporâneos.

    Na origem desse recrudescimento estão alguns fatores. Primeiro a própria aproximação dos chamados evangélicos com o judaísmo e com a territorialidade nele existente. Tudo se torna conquista, avanço. Escoram-se em alguns Salmos (ex.137:9), mas não no Espírito dos Salmos. Por isso suas palavras mortificam ao invés de vivificar. Na verdade quase tudo nesse tipo de pensamento é preocupante: porque o movimento é para fora, numa sacralização do mundo, e não para dentro. Dessa maneira, cada vez mais bandeiras (símbolo da territorialidade) são erguidas, menos transformação acontece. A coisa é tão gritante que se antes tínhamos gente que não conhecia a profundidade do evangelho pois não o conseguia viver, hoje nem o conteúdo, a teoria, conhecem. Daí amaldiçoar os outros, sejam em palavras, seja em atitudes. Sim, porque nem toda maldição é escancarada; há o tipo que a propaga na sutileza como achar que algo só dá certo porque determinado líder está “por detrás” daquele grupo… uma espécie de maldição com 50 tons do mais puro narcisismo. Há aquelas que escoradas em interpretações mal intencionadas do texto bíblico, como as que afirmam que o joio são as pessoas que deixam “aquela” comunidade local… A questão não é se “pega ou não pega”, mas sim que é desgastante passar por isso.

    Um segundo fator é a composição da espiritualidade do brasileiro, povo miscigenado não só nas raças, mas também nas tradições religiosas. Para esse povo que somos nós é normal aceitar que numa religião possa se invocar o mal e o bem, o “trabalho” para ajudar e o para prejudicar. Faz parte do nosso ethos cultural-religioso. Em assim sendo, as pessoas convertem a Jesus, e ao invés de serem convidadas a aprofundarem sua experiência com Deus, são mantidas na superficialidade. Talvez porque a superficialidade produza consciências fragilizadas, impressionadas e manipuladas, ao passo que a profundidade gera avaliação, crítica. Uma vez sendo rasos na fé, misturam as estações das tradições religiosas que compõem o Areópago (At.17) brasileiro, e permanecem desconhecendo que Cristo na Cruz do Calvário se fez maldição por todos nós, de uma vez por todas (Gl.3:13-14). E mais: não são instruídas que no Evangelho somos chamados a bendizer e não a maldizer.

    O terceiro fator é a falta de amor. Suspeito que o crescimento de igrejas e denominações esteja mais ligado ao sentimento de dominação do que ao amor. Não é “paixão” pelos perdidos… é a perdição dos apaixonados mesmo. A feição empresarial de muitas igrejas faz com que se veja o mundo ao redor como concorrente, num “mercado” competitivo. Definitivamente competição e concorrência não são vocativos da conciliação, mas sim da disputa e da dissensão. Ora onde há amor há benfazejo. E em comunidades de fé que vivem o amor a tônica é o compartilhar e não o binômio ter/reter. Mas na construção de um sistema político-religioso (que na minha avaliação é muito mais perverso que o político-partidário) o que se estabelece não são os laços da ternura, da compaixão, do amor; e sim os traços de seita. Por isso que quando um sai desse sistema (lembra do divergente?) ele é amaldiçoado ou visto como alguém que caminha para a maldição ou ainda para um lugar maldito, ainda que esse lugar (por exemplo) seja uma outra comunidade da mesma fé e ordem. Esse pensamento é o de qualquer seita no mundo. O que essa ideia faz no meio da Igreja de Deus?

    Por fim destaco que você sendo de Jesus, é parte do povo de Deus, o que o (a) torna inamaldiçoável (Nm.22:12, 23:8, 24:9). Aliás, o amaldiçoar é qualidade do injusto e não do justo (Rm.3:9-18). Cristo pagou um alto preço por cada um de nós (I Cor.6:17,22), para que nEle recebêssemos toda sorte de bênçãos espirituais (Ef.1:3)! Você é abençoado por Deus pois a maior benção do céu repousa no seu coração. Não se deixe aprisionar por essas “sutilezas”.

    Extraído do blog pessoal sergiodusilek.worpress.com

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  • Não chame homem honesto de corrupto

    Não chame homem honesto de corrupto

    Por William Douglas, Juiz Federal, Professor e Escritor, escrevendo na qualidade de cidadão

    Queridos,

    Vou falar sobre a corrupção no Sistema Petrobras e sobre honradez.

    Fui advogado aos 21 anos, Delegado de Polícia aos 23, e, em seguida, Defensor Público, Juiz e Professor. Acreditem: eu conheço bastante os meandros da maldade. Não bastasse tudo isso, frequento desde favelas até as altas rodas. Da favela, mudaram o nome, mas não a realidade; nas altas rodas, tirando a possibilidade de ser preso, nada mudou.

    Veiculo aqui uma lição aos corruptos e aos irresponsáveis, aos que falam mal dos outros sem ter o curial e básico cuidado de não falar besteiras. Eis a lição: se tem algo que não se deve fazer é chamar um homem honesto de corrupto.

    Se você chamar um corrupto de corrupto ele vai negar, reclamar, dizer um monte de coisas por si ou por seu advogado, mas garanto: não vai insistir nas reclamações. No fundo, ele não quer ser investigado e por isso se cala. Sabe-se que aquele que tem culpa no cartório não vai além da protocolar arguição de inocência, de dar alguma desculpa e ficar quieto torcendo para que o escândalo seguinte tire o foco de cima dele. E, como não faltam escândalos no Brasil, tudo fica por isso mesmo. Por ser assim, num país cheio de corruptos, as pessoas estão acostumadas a ofender a esmo e sem qualquer responsabilidade. Mas, repito, não faça isso com um homem honesto.

    Quem não se vende não vai ficar quieto se for ofendido, não vai querer que a coisa esfrie até passar tudo a limpo. Não, quem não vende contratos ou a coisa pública é diferente do corrupto. Este tem tudo, menos a honra; já o honesto tem uma casa menor, um carro menos luxuoso, viaja menos e não bebe o melhor do vinho que a França produz. O vinho caro do homem honesto é seu travesseiro, é sua consciência em paz, é poder olhar seus filhos sem ter vergonha do que fez no mandato passado. Isto é tudo que resta ao homem de bem. E, por incrível que pareça, e para alívio de um país cansado e desanimado, eis a notícia: servir e ter honra, sem se vender, é o que basta para alguns homens públicos.

    Então, não tire do honesto seu bem mais precioso: sua honra. E honra é algo difícil de ser compreendido por aqueles que abriram mão dela em prol de algo vil, seja o metal, seja o poder. Ou o melhor vinho da França. Sou amigo de Rubens Teixeira. Confiava em sua honestidade por mil motivos diferentes, mas nunca auditei sua vida. Só fiz as checagens possíveis antes de elegê-lo como meu coautor, e ele se saiu bem em todas. Sempre o vi dedicado à Transpetro, e quando vi seu relatório de atividades, percebi o quanto é competente e o quanto melhorou todos os índices de produtividade e qualidade da companhia.

    Um dos meus orgulhos como seu amigo era ver que enquanto a Petrobras afundava em denúncias concretas de superfaturamento, a Transpetro seguia incólume. Muito mal, na época das eleições, vazamentos de uma auditoria errada deram o que parte da imprensa gosta: acusações, mesmo que sem provas e sem ouvir o outro lado. Ou seja, qualquer pessoa que compare as duas empresas verá que alguma coisa boa acontecia na Transpetro. Enfim, sempre tive muito orgulho de ver sua dedicação, seus resultados e, em especial, a inexistência de acusações sobre sua pessoa. E ele faz por merecer esse nome limpo. Não é um acidente.

    Então, foi com grande surpresa que vimos, ao ser substituído do cargo de Diretor Financeiro da Transpetro, dizerem que era porque havia “suspeitas”, que era porque havia “bandeiras vermelhas”. Eles poderiam substituir o Rubens sem dizer nada, o cargo é demissível ad nutum, algo simples de ser feito. Mas não, era preciso passar a imagem de que alguma limpeza estava sendo feita, ou de que todos são corruptos, ou sei lá o quê, mas o fato é que tinham que denegrir a imagem de quem sai. O problema é que estamos diante de um homem probo: lançaram lama sobre quem usa trajes decentes. Isso não, isso não se pode aceitar. Não.

    Desde a primeira hora, a população, acostumada a tanta corrupção, achou que era só mais um dentre tantos casos. A imprensa, fazendo mal seu papel, não ouviu o Rubens. Os que o acusaram não se preocuparam, eu suponho, já que, como se diz, “a manchete do jornal de hoje embala o peixe amanhã” e porque é bem difícil alguém insistir em apuração de denúncias. O problema é que quando se cospe em gente de bem, em gente que optou por não se vender, por não enriquecer às custas do povo, por não financiar campanha política (claro, sempre cobrando sua parte), a vítima das acusações vai querer que a verdade apareça.

    Anoto que a imprensa costuma chamar o Rubens de “pastor da Assembleia de Deus”. Isto é modalidade de perseguição e intolerância, é apedrejamento por outra via. Qual a razão de a imprensa rotular o homem pela sua fé (como se isso o desabonasse) em vez de reconhecer seu invejável currículo? Por que não dizem que é Engenheiro Civil, que tem mestrado em energia /engenharia nuclear pelo IME, que é Bacharel em Direito, que tem Doutorado em Economia pela UFF, que tem obras publicadas, e, inclusive, prêmios por seu doutorado? Por que não mencionam que foi aprovado nos concursos para a AMAN, IME, EEAR, Oficial do Corpo de Bombeiros do RJ, TCU e Analista do Banco Central do Brasil?

    Que vergonha, imprensa, que vergonha! Sempre defendi e defenderei a liberdade de imprensa, mas me entristece quando vejo que esquecem que se a liberdade da imprensa é importante, a responsabilidade com a verdade também o é. Voltemos, porém, às dicas para quem quer assassinar reputações ou quer sustentar que “todo mundo faz”: informo com alegria que nem todo mundo faz, e não chame homem honesto de corrupto. Ele não vai se calar.

    Pois bem, o fato é que já estamos há 90 dias da substituição do Rubens Teixeira. As notícias, algumas no Ministério Público do Trabalho, é que até a cárcere privado submeteram funcionários da Transpetro. Tudo para tentar achar alguma falcatrua, alguma sujeira, algum “por fora”, alguma coisa desse naipe. Mas, curiosamente, nada foi achado. Imagino que frustração deve ser para um quem acusa saber que, ao contrário do que se disse, não houve nada fraudulento. “Como é que pode ser isso?”, deve pensar. Mas e se for dito, de de forma leviana, que alguém é “suspeito”? Quem disse, vendo que errou, deve pedir desculpas, não? É o mais ético a fazer.

    Pois bem, o Rubens Teixeira está há três meses, em sucessão de e-mails e notificações diretas e, agora, por cartório, insistentemente pedindo uma mesma e única coisa: “Digam por que vocês disseram que têm suspeitas contra mim, digam por que falaram em meu nome com ‘bandeiras vermelhas!’”. A insistência do Rubens é a dos homens honestos, é a dos homens que nada têm a temer, que nada devem. Para muitos, em um país onde pululam sem-vergonhas, essa pergunta é de um “louco” ou de um “chato”. Para um país envergonhado por tanta corrupção, essa pergunta é um alento. Se existiam “bandeiras vermelhas” e “suspeitas” sobre o bom nome do Rubens, por que não vieram a público?

    Se depois de três meses de pesquisa, e, tenham certeza, de esmeradas pesquisas, algo se achou, porque não contam? Seria ótimo para a sociedade saber qual foi a suspeita, qual foi a falcatrua. E, claro, isso mostraria que a demissão motivada “por suspeitas” não foi feita com irresponsabilidade ou má-fé. Sim, não há outra possibilidade: ou você sabe que a pessoa é corrupta e a demite, ou não sabe, ou não tem provas, e nunca deveria ter acusado levianamente uma pessoa de bem. Aliás, nem aos corruptos se pode acusar levianamente. A única diferença é que os honestos reclamam bastante.

    Pois bem, eu respondo usando minha experiência de 30 anos lidando com o Direito e com o serviço público: se estão quietos é porque nada foi achado. O problema é que o silêncio de quem acusou levianamente não limpa a mácula. O certo, o digno, o probo, o ético, o decente seria emitir uma nota pública, indicando as suspeitas ou declarando que nada se achou.
    Se as suspeitas são mostradas, o acusado pode se defender; se o acusador admite que errou, o dano ainda existe mas se reduz drasticamente. Mas não, parece que o Sistema Petrobras não está interessado em ser ético aqui, e isso só pode ser feito agora de dois modos: ou mostra a suspeita ou oficialmente retira a pecha de suspeito.

    Como eu gostaria de que algumas pessoas agissem como o Rubens. Eu gostaria muito de que todos os que participaram da compra de Pasadena, de Premium I e II, de Abreu Lima e do Comperj fizessem como o Rubens, que pede investigações, que quer saber qual é a acusação, que se coloca à disposição da imprensa para responder a toda e qualquer pergunta. Lamento também a imprensa cala, que parece que só quer ouvir quem tem medo de falar.

    O Brasil merece e precisa saber que há homens públicos que não levam dinheiro e que, quando acusados de suspeitos, ficam meses insistindo para saber qual é, afinal de contas, a acusação. Nunca chamem um homem honesto de corrupto.

    Aos que falam que Rubens é pastor, e é, mas não falam do seu currículo invejável, vale ler a Bíblia, a quem ele imputa seu sucesso profissional. A leitura de Provérbios 28:1 será bem útil: “Os maus fogem, mesmo quando ninguém os persegue, mas o homem honesto é valente como um leão”.

    Há, no país, pessoas entrando com habeas corpus preventivo e dizendo temer serem presos. Não sei se é o caso, mas me lembra o verso. E há pessoas valentes, que não aceitam que tirem sua honra, porque a preservam e valorizam. Tire tudo do homem honesto; tire o cargo, tire a oportunidade de servir, mas jamais tire do homem honesto sua honra e dignidade. Se fizer isso, tenha uma certeza: ele não vai ficar quieto até que mostrem o que têm contra ele, ou peçam desculpas. Se em algum momento você achar que o Rubens está sendo “chato” ou “insistindo demais nesse assunto”, é porque a epidemia de pusilânimes e ladrões está prejudicando sua avaliação. Um homem honesto leva essas coisas à exaustão.

    O Rubens (e eu, como seu amigo e cidadão) não vai parar enquanto o Conselho de Administração da Transpetro não revelar as tais “suspeitas” ou declarar publicamente que, mesmo após a demissão e três meses de esforços, nada tem contra ele. Espero que o presidente da Petrobras, que preside o Conselho de Administração da Transpetro, venha a público dizer quais são as suspeitas que mencionou ao demitir Rubens, ou se achou alguma após três meses de auditoria. Se não tiver, que diga que não acharam nada.

    Rubens não tem a força política dos que levianamente o acusaram, nem conta com uma imprensa leal ao contraditório, que só se agrada de falar de corruptos e que parece não gostar de publicar sobre os homens de bem. Mas Rubens tem três coisas: um, insiste em que a verdade venha à tona; dois, é um homem bem perseverante; três, como pastor e cristão (qualidades tão regularmente citadas pela imprensa), também conta com a justiça divina, da qual habeas corpus algum haverá de livrar os que agirem mal.

    Se Rubens Teixeira precisar ir para a Justiça dos homens para repor a verdade, sem problema, homens honestos não têm medo da Justiça. Ao contrário, é justamente a lei quem prevê a reposição da honra, as indenizações civis e as merecidíssimas reprimendas penais para os que levianamente desrespeitam a honra e a dignidade alheias.

    Texto disponível em: Facebook.com/PaginaWilliamDouglas

     

    Petição – Petrobras, Jornal O Globo e Revista Veja: não chamem um homem honesto de corrupto.
    Clique no link abaixo para assinar:

    https://secure.avaaz.org/po/petition/PETROBRAS_JORNAL_O_GLOBO_REVISTA_VEJA_ANISTIA_INTERNACIONAL_OAB_NAO_CHAMEM_UM_HOMEM_HONESTO_DE_CORRUPTO/?nBWefeb

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  • Ciladas à obediência

    Ciladas à obediência

    Pr. Eraldo Coelho Bernardo

     

    “Contudo, o homem idoso lhe respondeu: “Eu também sou profeta como tu, e um anjo me falou por ordem do SENHOR: Faze-o voltar comigo à tua casa, para que coma pão e beba água. Todavia o velho profeta não estava dizendo a verdade.”
    1Reis 13.18 – BKJA

    O profeta mais jovem que Deus enviara de Judá (sul de Israel) para profetizar contra o altar da cidade de Betel, que ficava na região central, tinha a expressa ordem de Deus para realizar a sua missão e não comer pão e beber água alí e de retornar por um outro caminho. Ele fez tudo certo até certo momento, aquele em que um profeta idoso foi ao seu encontro e achou-o sentado sob um carvalho, no caminho para casa.

    O que o profeta idoso disse-lhe é o versículo em tela. O profeta vindo de Judá caiu nas CILADAS do profeta idoso. Ei-las:

    1a.) Ter a palavra de uma pessoa idosa, experiente, do mesmo ofício, já de cabelos brancos ACIMA daquilo que Deus disse expressamente.

    2a.) Impressionar-se com o dizer “UM ANJO ME FALOU por ordem do Senhor”. Hoje há muitos profetas falsos em meio à Igreja Evangélica Brasileira, como houve nos dias do profeta Jeremias, Ezequiel e outros profetas. Não há ANJO acima do que Deus disse. Deus é a autoridade máxima e não se contradiz. Cuidado com as “profetadas”, com o “Eis que te digo…” Paulo escreveu aos Gálatas: Ainda que um anjo vos anuncie outro Evangelho diferente desse que vos preguei, seja considerado amaldiçoado, anátema.

    3a.) Ceder às necessidades da carne. Pão é uma necessidade, água, também, tomar um bom banho, também, mas a OBEDIÊNCIA ao que Deus disse e diz tem que estar em PRIMEIRO LUGAR, para nosso bem. Jesus ao ser tentado pelo Diabo, chegou ao momento de ter fome e, então, foi induzido pelo Inimigo a transformar pedras em pães e comer, mas Ele rejeitou essa proposta e saiu VITORIOSO.

    A cartilha dos vitoriosos começa assim: O-B-D-C !

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  • Transformando marginalizados em cidadãos do Reino

    Transformando marginalizados em cidadãos do Reino

    Everton Willian, executivo da Junta de Ação Social Carioca

    Os atuais dias apresentam situações de miséria generalizada. O número de pessoas marginalizadas cresce de acordo com o crescimento populacional. Isso tem conduzido a Junta de Ação Social Carioca (JASC) a realizar ações que gerem mudanças efetivas no contexto em que está inserida.

    Em 2014, a JASC desenvolveu um pequeno portfólio de projetos. São eles: Auxílio Emergencial em Catástrofes; Capacitação das Igrejas em Construção e Gerenciamento de Projetos Sociais; Dia do Impacto Social; Congresso Ação Rio; Programas Sociais na Cidade Batista (Espaço de Educacional Integral, Centro de Treinamento e Acampamento, e Lar do Ancião 2) e Desenvolvimento de Parceria através do uso de parte da Cidade Batista pela JMN (Cristolândia Homens) e do uso do terreno no Carapiá (Cristolândia Mulheres); Gestão do Lar do Ancião LM e realização das festas de maio e outubro em conjunto com a JMN. Deus está realizando maravilhas através da nova JASC.

    Uma nova visão de captação de recursos também surgiu, proporcionando diálogos com universidades, participação em editais de empresas e maior contato com as Igrejas da cidade do Rio de Janeiro. Algumas portas foram abertas, como a concretização parcerias com a Sociedade Bíblica do Brasil, Ordem dos Advogados do Brasil – Barra e Prefeitura de Duque de Caxias. A JASC entende que é hora de buscar convênios e obtenção de recursos que visem o bem-estar da sociedade carioca, encontrando nos diálogos entre instituições, novas formas de disseminar ações alinhadas com a Palavra de Deus.

    Tiago nos diz “Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento (…) e um de vocês lhe disser: ‘Vá em paz (…)’, sem porém lhe dar nada, de que adianta isso? Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta” (Tg 2.15-17). A proclamação do Evangelho, sem a realização das obras, nos conduz ao mesmo erro dos seguimentos religiosos que apenas realizam as obras, sem proclamarem Jesus como Senhor.

    A transformação de marginalizados em cidadãos do Reino deve acontecer onde a Igreja de Cristo estiver implantada. O pastor Carlos Queiroz (diaconia) nos alerta dizendo que “A falta de pão na mesa do pobre pode ser uma denúncia da falta de espiritualidade no altar dos cristãos”. Somos seguidores de Cristo por causa das obras que Ele realizou, ou será que seguiríamos a Jesus se Ele não tivesse realizado tantos milagres que geraram saúde e reinserção social para muitos? Fomos criados para as boas obras, como relata Efésios 2.10 e somente os que são de Cristo podem fazer parte da transformação de marginalizados em cidadãos do Reino, pois leva o Evangelho de Cristo através de palavras e ações que geram saúde física e espiritual a todos os que forem alcançados pelos servos de Jesus.

  • O lugar da humildade na vida cristã

    O lugar da humildade na vida cristã

    Pr.Sergio Dusilek

    Está em curso no protestantismo brasileiro, quando se pensa em relação ao poder, uma espécie de feudalismo cristão. Alguns líderes se encastelam exercendo influência nas suas imediações, possuindo inclusive ares de suserano. Aliás quanto mais impositivo e postado for o líder, quanto maior for sua audácia em decretar ordens ao divino, tão mais admirado ele se torna. Se no protestantismo há uma iconoclastia, coa-se as imagens mas deixa-se passar a idolatria à pessoa, uma vez transferida para a figura do líder. Mais do que suserano, o líder se tornou uma espécie de demiurgo.

    Fato é que essa postura rompe com a humildade, virtude básica e imprescindível para o cristianismo e para o cristão. Nada tão estranho quanto ao espírito do cristianismo quanto esse apego pelo poder, pela posição e pelo palco. Vale a pena lembrar que o cristianismo (ou cristandade, como preferiria Heidegger), nasce numa manjedoura e não num palácio…

    É pelo resgate da humildade que sugiro essa reflexão. E quando falo em humildade não abordo o seu estereótipo. A vaidade precisa de estereótipos e se transmuta neles. A humildade não. Aliás qualquer penduricalho que se coloque sobre a humildade a torna descaracterizada. Nesse sentido, destaco que: a) a pobreza pode ser sinal de um tipo de humildade, a financeira, mas não significa humildade cristã. Há muito pobre orgulhoso, com cerviz dura, que resiste a Deus e aos outros; b) a cara de piedade, de auto-comiseração não é sinal de humildade. É de patologia mesmo; c) a voz mansa igualmente não é sinal de humildade. Sob uma voz mansa se escondem muitas vezes corações duros como a pedra. A humildade cristã tem a ver com postura em relação a vida, a Deus, num reconhecimento da finitude pessoal e da necessidade de outros.

    Passemos agora a algumas considerações sobre o lugar da humildade cristã.

    A Humildade Cristã é o meio de compreensão da Relevação (Fil.2:6-8)

    Auerbach bem asseverou que se Cristo viesse em todo seu esplendor e glória não haveria revelação. Primeiro porque ninguém conseguiria compreender o que seria mostrado. Segundo porque impediria o processo de interpretação e registro do conteúdo revelatório. Ao se humilhar, ao encarnar, Cristo tornou a revelação divina acessível aos homens. Sem humildade não é possível compreender nada a respeito de Deus.

    Os umbrais do entendimento humano não conseguem açambarcar a plenitude da Glória de Deus. Da sua Shekinah temos somente emanações, nas experiências espirituais e presença como símbolo salvífico.

    A Humildade Cristã é o meio de compreensão da Palavra (Mt.13:13,23; 5:3)

    Há uma caráter universal na mensagem bíblica. Mas como ela pode ser acessível a todos os homens? Mediante a humildade. O intellectus spiritualis só é acessado pelo caminho da humildade. Quer entender a Palavra de Deus? Seja humilde. E humilde aqui se traduz num coração pronto, como uma terra fofa pronta para receber a semente.

    A Humildade Cristã é o meio para a unidade da Igreja (Col.3:12; Rm.12:16; I Pe.3:8)

    Segundo o dicionário, humildade é “a virtude que nos dá a dimensão de nossa fraqueza”. Ao nos enxergarmos como fracos, reconhecemos a necessidade de ajuda, de andar com o outro, do apoio do outro. Por isso que o autor de Hebreus dizia que não era bom abandonar a congregação (Heb.10:25). Há momentos que essa teia chamada igreja será o recurso que Deus usará para nos segurar, nos sustentar, nos suportar.

    Pela humildade eu posso caminhar junto. É sobre ela que se sedimenta o caro conceito da unidade. Ora, se cada um se bastasse, se cada pequeno grupo se bastasse, para que a Igreja? Mas não, a Igreja está construída num aspecto humano, sobre uma necessidade que é a nossa fraqueza.

    A Humildade Cristã é o canal para Salvação (Mt.19:23-24)

    Por que o camelo passar pelo fundo da agulha? Por que a dificuldade do rico em entrar no Reino de Deus? São figuras que apontam para a necessidade de humildade. O camelo porque a agulha era um limitador de altura na entrada que obrigava o camelo a se ajoelhar, mesmo carregado. E o rico porque se bastava…

    A condição primeira para salvação é humildade. Era o que faltava ao jovem rico. Ele era o retrato da autopretensão. O que mais preciso fazer para ser salvo? – perguntava. Ora, a resposta era nada (porque a salvação fora feita por Deus) e tudo (precisava abdicar de usa posição pretensiosa). Sem humildade não reconhecemos a necessidade de um salvador. Sem humildade não abdicamos dessa postura moderna de tentar resolver tudo, inclusive de ser capaz de efetivar uma auto-salvação. Sem humildade não há descanso em Deus.

    Conclusão:
    Não estamos aqui para sermos senhores, nem tampouco orgulhosos. Estamos aqui por conta da humildade. E saiba que uma pessoa que se afasta da Igreja tem na perda da humildade um de seus motivos fundantes.

    Você “pode” ser maduro espiritualmente para não precisar de igreja; mesmo assim e especialmente nesse caso, a Igreja precisará de você, missão esta que precisa ser acolhida com humildade. Pense nisso.

    Extraído do blog pessoal sergiodusilek.worpress.com

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