Categoria: Artigos

  • Longevidade “igrejal”

    Longevidade “igrejal”

    Gostaríamos de criar o neologismo ‘igrejal’ para apontar alguns aspectos que precisam sofrer uma avaliação por parte daqueles que se vangloriam de vida longa, em termos de experiência espiritual, em uma igreja local.

    Devemos fazer um exercício de reminiscência (lembrança) dos princípios que regem a vida daqueles que servem a Deus, afirmando que longevidade (termo ligado à duração da vida) ‘igrejal’ não significa maturidade em hipótese alguma. O autor bíblico ressalta: “Embora a esta altura já devessem ser mestres, vocês precisam de alguém que lhes ensine novamente os princípios elementares da palavra de Deus. Estão precisando de leite, e não de alimento sólido!” (Hb 5.12-NVI). O atraso no desenvolvimento espiritual mostra que muitas pessoas estão experimentando longevidade ‘igrejal’, nos termos já apontados acima, mas ainda vivem de forma imatura, necessitando de crescimento e alimento sólido. John F. MacArthur Jr. afirma que “Não se mede crescimento espiritual pelo calendário”.[1]

    Quando longevidade ‘igrejal’ não se transforma em vida em Deus e com Cristo, encontramos um desvio do propósito celestial, pois a vivência no espaço da fé sem conformidade com o caráter de Cristo evidencia duração de comportamento religioso aprendido sem transformação real. A denúncia de Jesus sempre teve como objetivo confrontar a não percepção de realidades espirituais por parte daqueles que deveriam vivenciá-la. Longevidade ‘igrejal’ precisa ser acompanhada por indicadores de transformação como evidência da ação divina e da Palavra experimentada no coração.

    Constatamos uma realidade evangélica apontada por números que reluzem, mas que demonstram improdutividade e distanciamento dos valores do Reino de Deus. Aqueles que pertencem ao Pai, que estão sujeitos a Ele, não vivem apenas um calendário religioso, mas somam na missão de reconciliação como servos obedientes.

    Longevidade ‘igrejal’ pode ser considerada uma bênção quando acompanhada de uma visão profunda da vontade de Deus e por sua concretização no cotidiano, afetando o mundo de forma real. Longevidade ‘igrejal’ precisa resultar em vida com Cristo, em quebrantamento que produz atos de arrependimento, reconciliação com Deus e com o próximo, consagração de vida, estranhamento da injustiça que envolve atos de misericórdia e testemunho inteligente no mundo.

    Longevidade ‘igrejal’ em si mesma denuncia um equívoco na vida daqueles que assumiram um compromisso com Deus, mas deixaram de ser atingidos de uma maneira profunda pela Palavra do Pai, se escravizaram nas formas e rituais, nos guetos denominacionais e se distanciaram do projeto divino ao longo do processo da caminhada da fé.

    Longevidade ‘igrejal’ pode ser positiva e benfazeja, conquanto traduza uma experiência de fé centralizada na pessoa de Cristo (“Fui crucificado com Cristo” – Gl 2.20), acompanhe os princípios do Reino de Deus (“Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo” – Rm 14.17) e revele uma ação profunda do Espírito Santo (“Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” – Rm 8.14).

    Evaldo Rocha

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  • No tempo de Deus

    No tempo de Deus

    O Ministério da Justiça divulgava em 2015 um crescimento de 500% do número de presidiárias nos últimos 15 anos. A pesquisa levou em consideração dados de 1.424 unidades prisionais em todo o sistema penitenciário estadual e federal. Mas o que o estudo não revela são as histórias que estão por trás dessas vidas. Sofrimento, decepção e solidão marcam por muito tempo a trajetória de ressocialização. E isso quando este processo se torna possível.

    Felizmente, para Luzinete, a personagem de nossa história, as portas se abriram ao final de um período de cinco anos (resultado de uma apelação para redução de pena de 11 anos). Este tempo, segundo ela, foi importante porque ali, em meio às dificuldades e abusos do sistema carcerário, foi lapidada pelo evangelho que conheceu muito anos antes de sua entrada na prisão.

    Luzinete frequentava igreja evangélica e cantava no ministério de louvor de sua igreja. Mas lembrava que não conhecia o Senhor verdadeiramente. Não havia dedicação pessoal. Apenas frequentava a igreja e fazia o que mais gostava: cantar. Anos depois, adulta e casada, até a rotina religiosa ficou em segundo plano.

    No primeiro casamento tinha uma vida financeira estável. Era mãe de três filhos, mas o problema era que a relação conjugal não se sustentou. Já divorciada, conheceu o segundo marido, por quem nutria grande sentimento. Só que a união entre um pedreiro e uma costureira não lhes renderam tranquilidade financeira. O marido, sentindo-se incapaz de sustentar o lar, decidiu arriscar a vida no tráfico.

    “Ele achava que precisávamos de mais. Foi quando ele arrumou um amigo que era traficante e começou a traficar. Quando descobri que ele estava fazendo isso, já haviam-se passado dois anos”.
    Um desentendimento na vizinhança onde moravam gerou uma denúncia e a consequente investigação policial na residência onde Luzinete vivia. Drogas foram encontradas e ela e o marido foram presos em junho de 2001. Uma nova realidade se apresentava. Tornara-se presidiária. Entretanto, o verdadeiro cárcere estava em seu coração. Presa ao ódio pelo delator e ao sentimento de injustiça que por algum tempo a impediu de enxergar a obra que Deus desejava fazer em sua vida.

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    Luzinete, à esquerda, ao lado de Marilena, capelã da CBC

    “Fiquei revoltada com Deus. Questionava-o sobre o fato de estar comigo ou não por causa da sentença de prisão. Numa oração disse que, se ele não me desse uma prova do seu amor, que eu nunca mais me importaria com ele”. Neste dia, cansada de tanto chorar, adormeceu. Ao acordar, por instinto observou o espelho e ouviu uma voz a dizer: “Você é a prova viva do meu amor”.

    Uma sentença de cinco anos e lições a aprender. A começar por seu relacionamento com Deus. Descobertas, conhecimento e muita paciência. “O meu pensamento era de sair da cadeia, mas, quando fui para o Talavera Bruce, o Senhor me confirmou que eu deveria limpar a casa, a minha vida.”, lembrou Luzinete. Foi aí que o foco mudou e o discernimento veio na medida de seu relacionamento pessoal com Deus, através do estudo das Escrituras.

    O contato com a missionária Marilena Nascimento, capelã prisional da Convenção Batista Carioca, foi a ajuda enviada por Deus para o sustento emocional e crescimento espiritual de Luzinete no período do cárcere. “Se sou a mulher que sou hoje, conhecedora da Palavra, eu agradeço a ela. Ela foi a minha força. Pena que lá tem muita gente que não aproveita a oportunidade, mas eu a aproveitei a cada segundo”.

    Muita coisa acontece no sistema prisional. Como presidiária, Luzinete viu muita coisa ruim, mas até esses momentos serviram de aprendizado. Sem entrar em detalhes, ela se restringiu a dizer que cada experiência foi traduzida em composições musicais. “Cheguei a quase 100 composições de louvores a Deus e usava esses momentos de adversidade ao meu favor. As coisas aconteciam e não me atingiam porque logo o Senhor colocava uma palavra de louvor na minha boca, por mais que me humilhassem”.

    O tempo passou sem que percebesse e, no dia de sua liberdade, Luzinete entrou em contato com os missionários da CBC para que a ajudassem a reencontrar a família. Na ligação a voz saiu trêmula, muito ansiosa, mas feliz em dizer que aquele era o grande dia. A missionária Marilena foi a primeira encontrá-la, trazendo-a para a sede de Missões Rio (o departamento missionário da CBC). Aqui Luzinete recebeu todo o cuidado necessário para recomeçar.

    O dia em que deixou a prisão não foi o início de uma nova história, porque esta começara há muitos anos, ainda em cárcere. Mas foi a continuidade de uma promessa recebida da parte de Deus. A liberdade que começou de dentro para fora e a ajudou a construir novas bases para sua vida.

    Luzinete tem um sonho: quer gravar as composições que recebeu da parte do Senhor. Mas se tem uma lição que aprendeu com louvor foi a da paciência. Aprendeu a identificar e respeitar o tempo de Deus. “Penso muito no tempo de Deus e vivo minha vida assim. No momento de Deus”.

  • Sobre restaurações

    Sobre restaurações

    Há conhecimentos que adquirimos e nunca mais esquecemos. Muitas vezes fazemos um esforço sobre-humano para aprendermos ou memorizarmos algo importante quando tantas outras coisas menos relevantes são absorvidas pelo nosso cérebro de forma natural e permanente. Por exemplo, eu nunca esqueci que o irmão da estagiária da minha professora da alfabetização morreu num acidente de moto em Teresópolis, no entanto nunca consigo me lembrar do número de telefone da minha irmã.

    Dentre todas as coisas que entraram no meu cérebro sem esforço, está uma aula de patologia sobre processos de restauração tecidual e cicatrização. Tive essa aula no terceiro período da faculdade de medicina e nunca mais me esqueci do que foi dito ali: “Quando um tecido sofre lesão ele sempre será restaurado, seja por regeneração ou cicatrização”. Ao sofrermos uma lesão superficial, passamos pelo processo de regeneração que não deixa marcas no tecido, permitindo que a pele retorne exatamente ao aspecto original. Já uma lesão mais grave, dessas que são profundas e sangram à beça, passa pelo processo de cicatrização. A cicatrização acontece em lesões maiores, mais importantes, exige mais tempo, mais colágeno e deixa uma marca eterna. É raro nos lembrarmos de machucados leves porque não vemos seus resquícios, mas quando temos uma cicatriz, nunca esquecemos o que aconteceu ali e muitas vezes não conseguimos esconder a injúria.

    No entanto, quando perfeitamente fechado o ferimento, a cicatriz não dói, não coça, não incomoda e só nos lembramos do acontecido quando olhamos pra ela. Lembramos do que não deu certo e sabemos que não podemos repetir aquele feito. Ficamos mais cuidadosos porque a cicatriz nos lembra da dor que sentimos e o quanto custou até que a ferida secasse. Percebemos que nosso corpo encontrou uma forma de se restaurar, às vezes com ajuda de uns pontos ou curativos. Nossa tendência é fechar feridas, superá-las e voltarmos ao nosso funcionamento normal. Frustrações, decepções, perdas, mágoas, traições, rejeições, lutos e toda a sorte de dramas são capazes de provocar cortes gravíssimos, mas infalivelmente é feita a cicatrização. Sempre somos restaurados, por mais que doa e que demore, fomos feitos fortes e eficientes pra isso, temos essa capacidade, aliás, é mais que capacidade, é inevitável. Não sabemos fazer de outra forma se não ir fechando, regenerando, juntando as bordas, expondo menos o interior até que fica apenas a marca do que passou e cá entre nós, tem cicatrizes que rendem histórias incríveis.

    Fomos criados com essa vontade e capacidade de superar e nunca precisamos fazer isso sozinhos. Até podemos, mas coisa boa é saber que Deus faz a limpeza dos nossos machucados, troca nossos curativos e nos coloca inteiros novamente. Ele nos ensina a evitarmos que as feridas inflamem, nos poupa de agentes infecciosos e permite uma nova chance a cada machucado.
    Eu não sei qual é a sua ferida nem onde ela foi feita, mas o prognóstico é bom: você vai sobreviver, mesmo com a cicatriz. Você foi criado pra isso e tem o médico dos médicos esperando seu chamado de emergência.

    Luisa Moté Novaes

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  • O Legado da Vida

    O Legado da Vida

    Vivemos uma das maiores festas da humanidade em muitos sentidos: Os Jogos Olímpicos. A vinda de pessoas de todo o mundo para o Rio de Janeiro nos obrigou a uma série de contratempos no dia a dia (trânsito, segurança, obras) a fim de se criasse a estrutura perfeita para a recepção dos atletas, turistas e qualquer outro interessado nos jogos olímpicos.

    Muito se discute em qual o legado, em outras palavras, o que de bom isso tudo deixará para os cariocas além do já inegável rombo no orçamento. O levante popular diz que: “não podemos nos preocupar apenas com a festa, é necessário arrumar a casa depois pra quem fica” – tipo nossa mãe obrigando a gente a arrumar a bagunça depois que os amigos vão embora.

    E essa discussão, sadia e pertinente para este tempo de festa (não a música) tomou outro significado pra mim, enquanto refletia em um cemitério. Às 11:00 da manhã um amigo de adolescência foi sepultado. Não consegui chegar a tempo da cerimônia graças as Olimpíadas (trânsito), mas quando cheguei vi a mãe do Wesley chorando copiosamente a perda do filho.

    Começo a pensar no que dizer, afinal um pastor no velório precisa dizer alguma coisa né? Na dor não se faz Teologia, como diz Ed René Kivitz, então não dava pra dar respostas prontas, mas não podia deixar de abraçar dona Rosângela, afinal, na dor se sofre junto e lá fui eu compartilhar as lágrimas. Contudo, como a boca fala do que o coração está cheio, não me furtei de dizer para aquela mãe que “ao olhos do Senhor, preciosa é a morte dos seus santos”.

    Continuei dizendo que ela fez um bom papel ao educar aquele menino. Era um bom amigo, nunca menosprezou ninguém (mesmo sendo jogador de futebol do Fluminense, Porto e outros…), sempre com um sorriso no rosto, gente que vive a vida leve como só Jesus pode proporcionar.

    Ela me agradeceu, me deu um beijo e continuou em sua dor, que também continuou – em doses infinitamente menores – em mim. Mas eu pude testemunhar para aquela mãe, que o filho dela deixou um legado positivo na minha vida. Quem sabe, no clamor pelo “legado da Olimpíada”, a sociedade esteja, na verdade, carente do legado da vida do jovem salvo por Jesus (no nosso caso, Batista).
    Ao mesmo tempo em que a olimpíada carioca é única, a oportunidade do Jovem Batista Carioca também é. Deixar um legado de vida pra sociedade, Igreja e mundo. Que Deus nos abençoe, nos ajude, nos guarde, e receba o “Nem”.

    Em Cristo,

    Pr. André Oliveira – TIB Anchieta

     

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  • Oferta Missionária

    Oferta Missionária

    Como agência missionária dos batistas cariocas, Missões Rio sonha com um Rio de Janeiro aos pés de Cristo, vivendo o evangelho que transforma realidades, promove a paz e a verdadeira prosperidade. Afinal de contas, quem se sente bem ao ver nas ruas a miséria, a violência, a falta de compaixão e as mazelas de uma vida guiada pelo consumo? A questão é que, para mudar este quadro, precisamos unir nossos recursos, o humano e o financeiro, para que a esperança da glória seja conhecida.

    Oferta de Campanha
    Em 2016, o alvo de Missões Rio é de 800 mil reais. Essa quantia é necessária para o sustento de todos os projetos, missionários, compra de materiais de apoio e o equilíbrio financeiro do departamento. Além disso, há o desejo de ampliar as ações de capelania socioeducativa e, para isso, mais recursos serão aplicados no desenvolvimento de atividades nas unidades de reclusão de menores. Se sua igreja já realizou a campanha de Missões Rio – e está sem o boleto da Oferta de Missões, pedimos que entre em contato através do e-mail evangelismoemissoes@batistacarioca.com.br ou pelo telefone (21) 2569-0988. Missões Rio enviará uma segunda via para que sua igreja possa ofertar.

    Contribuindo com projetos/missionários específicos
    Quando compartilhamos recursos nos tornamos parceiros de uma mesma missão. Em Missões Rio, essa parceria ocorre por meio do programa Parceiros na Ação Missionária (PAM). É um instrumento pelo qual cada crente, igreja ou empresa cristã pode ajudar mensalmente na manutenção de obreiros que estão no campo missionário, dedicando-se integralmente ao ministério de capelania.

    A maneira mais simples de participar é visitando o site www.missoesrio.com.br e acessando o canal “PAM”. Lá o parceiro preencherá o formulário de participação, escolherá um projeto para o qual deseja contribuir e, automaticamente, já se tornará um mantenedor desta obra. Após este procedimento, passará a receber, mensalmente, boletos para que sua contribuição seja enviada. Junto ao boleto irá uma carta da capelania escolhida, informando sobre os desafios da área e experiências missionárias.

    Outra forma de participar é preencher um formulário impresso em um de nossos panfletos e enviar para o endereço da Convenção Batista Carioca – R. Senador Furtado, 12 – 20270-020 – Praça da Bandeira – Rio de Janeiro (RJ).

    Crianças também podem ser parceiras
    Estimular a contribuição infantil é desenvolver na criança um coração solidário. São muitas as histórias de pessoas que conheceram a obra missionária ainda criança e que decidiram em seus corações dedicar uma vida inteira ao resgate de vidas para Cristo. Apoiar a parceria infantil é educar e mostrar que o evangelho não é solitário e egoísta, mas se manifesta no Corpo de Cristo como expressão de unidade. Suas crianças também podem escrever cartinhas para nossa equipe. Explique a importância dessa atividade e aproveite a oportunidade para mostrar como é vital a presença do evangelho nos hospitais, presídios, unidades socioeducativas, escolas, no porto, junto aos enlutados e estrangeiros.

    Mais que dinheiro
    Recursos financeiros são importantes e todos sabemos disso, mas o que poucos sabem é que atenção e amizade são ainda melhores. O objetivo de Missões Rio, como agência missionária dos batistas cariocas, é fazer com que cada membro das igrejas tenha o desejo de se relacionar com missões. Portanto, fica o apelo para que o promotor incentive sua igreja a visitar projetos da CBC, que escreva para seus missionários, deixando-os saber que há pessoas que se importam e que estão próximos, sonhando com um Rio de Janeiro transformado.

  • Confissões de um péssimo pai

    Confissões de um péssimo pai

    Ainda me lembro da primeira vez em que suspeitei de que, ao contrário das minhas primeiras suposições, eu poderia ser um péssimo pai. Quando a nossa filha mais velha tinha dois anos, eu estava cortando as suas unhas e acabei ferindo seu dedo mindinho. Quando vi o sangue escorrer da pontinha do seu dedo, corri desesperadamente com ela até o banheiro e pedi-lhe mil desculpas enquanto enfaixava o pequeno corte uma quantidade enorme de curativos. Ela respondeu aos meus pedidos de desculpas com um olhar confuso. Para falar a verdade, acho que sequer percebeu que havia algo de errado.

    Quando era mais jovem, eu imaginava que seria um pai exemplar, basicamente porque eu adorava segurar bebês fofinhos na igreja e porque tinha trabalhado como pastor da mocidade durante três anos. Portanto, eu estava preparado! Então, minha esposa e eu tivemos a nossa primeira filha e se tornou claro para mim que eu era tudo, menos um pai exemplar. Desde o acidente do mindinho, passei a ter dúvidas a respeito das minhas habilidades como pai em várias ocasiões. Houve muitas vezes em que eu trocava a atenção que deveria dar aos meus quatro filhos por coisas profundamente desimportantes, como checar o status do meu Facebook pela décima vez; ou não entendi que, ao invés de repreendê-los para que se comportassem, deveria verificar se não havia algo os incomodando – e, na maioria das vezes, era justamente este o caso.

    O que mais revelador da minha incompetência como pai era que eu tratava meus filhos como pequenos adultos, e não como crianças que ainda estavam aprendendo – e, toda vez que agia dessa maneira, eu me convencia mais ainda de que era, de fato, um péssimo pai. Até hoje, acho que essa avaliação não está equivocada; o que estava errado era o fato de eu, por muito tempo, achar que deveria continuar assim.

    Estereótipo
    Eu sempre tive a opinião de que os melhores pais, simplesmente, nasceram assim. Fosse devido a alguma função genética, à criação que receberam ou uma combinação dos dois, a paternidade era uma habilidade que um homem deveria possuir desde o início, ou então, não seria capaz de desenvolver. Se um homem não tivesse aquele dom, não havia esperança de um crescimento considerável: apenas, no máximo, uma adaptação marginal. Eu me sentia assim por diversos motivos. Em primeiro lugar, porque nós vamos descobrindo, com o passar do tempo, que muitos aspetos de nossas vidas são ditados pela genética: nossas características físicas, nossas predisposições para determinadas doenças e até mesmo elementos das nossas personalidades. Não é difícil de imaginar que, em se tratando de habilidades da paternidade, não seria diferente.

    Em segundo lugar, quando se trata de carreira – o que, para os homens, muitas vezes é considerada a característica central da personalidade –, há uma forte ênfase na aptidão: nós devemos buscar atividades nas quais possuímos habilidades intrínsecas. Não é de se admirar, portanto, que os homens apliquem essa mentalidade em seus papéis de pais, também. Essa crença foi reforçada mais tarde, sempre que eu observava um pai em ação no parquinho ou no corredor da escola. Eu via esses homens se comunicando com seus filhos, mantendo suas emoções sob controle e seus celulares guardados, inabaláveis diante das maiores pirraças das crianças, e imaginava que, provavelmente, haviam nascido com algo que eu não tinha.

    Eu cresci assistindo seriados como Os Simpsons, cujo protagonista, Homer, é um pai desastrado e preguiçoso, quase sempre indiferente às necessidades de sua família. Ele normalizou, por assim dizer, a paternidade medíocre para mim, criando a impressão de que esses tipos de pais eram, por sua própria natureza, irrevogavelmente incompetentes. Portanto, não apenas havia pouca possibilidade de melhora como pai, mas havia pouca necessidade disso, porque não se esperava de um pai nada além do que ficar sentado no sofá o dia inteiro com uma cerveja em uma mão e o controle remoto na outra.

    Esses pensamentos minaram todas as minhas inclinações de crescer como pai. Toda falha servia apenas como prova incontestável de que eu simplesmente não havia nascido para ser um bom pai – e havia mais do que apenas algumas falhas. O meu consumo diário de estereótipos apenas diminuía a minha motivação. E então, eu me conformei com meu destino: que eu sempre seria, na melhor das hipóteses, um pai medíocre. Se eu não havia nascido um pai perfeito, de que adiantava tentar?

    Porém, uma pergunta que podemos fazer a nós mesmos nesse momento é: “Jesus nasceu o Salvador perfeito?” O texto de Hebreus 2.10 afirma que o próprio Cristo, o pioneiro da salvação, foi aperfeiçoado através do que ele sofreu. Tal afirmação pode gerar surpresa porque parece sugerir que Jesus era, de alguma maneira, imperfeito. No entanto, não é isso que essa passagem sugere. A palavra usada, no original, não se refere à perfeição moral, o que o autor deixa claro no quarto capítulo, afirmando que, apesar de Jesus ter sido tentado de todas as maneiras, ele nunca pecou. O que significa, então, dizer que Jesus foi aperfeiçoado? E o que isso pode significar em relação ao nosso papel como pais?

    Papéis fortalecidos
    Quando ouvimos a palavra “perfeito”, pensamos em sua forma adjetiva, ou seja, algo que é sem defeitos. Mas a palavra usada para nessa passagem de Hebreus é o verbo grego teleioo, que carrega o significado de tornar algo completo e finalizado. Quando compreendido dessa maneira, o que esse versículo indica não é que Jesus era moralmente incompleto, mas sim, que o seu ministério conosco foi feito mais completo, ou aperfeiçoado, com o tempo e através de suas experiências.

    Considerem-se, por um momento, os acontecimentos da vida de Jesus. Ele viveu durante anos como criança na casa de José e Maria, algo com o qual podemos nos identificar. Depois, foi para o deserto enfrentar seu inimigo e sofreu tentações com as mesmas coisas com as quais nós somos tentados – glória, riqueza e conforto –, mas resistiu e venceu. Ele também lamentou pelos seus amados que sofriam rejeição e traição, assim como nós fazemos. E, depois, Jesus enfrentou o maior ícone da fraqueza e da separação humana do Pai: a própria morte.

    O resultado de todas essas experiências mostra que Jesus não é apenas um Salvador espiritual que restaura a nossa relação com nosso Pai celestial, por mais incrível que essa conquista da cruz tenha sido. Ele também é nosso amigo que nos entende; nosso encorajador que se identifica conosco; e nosso advogado, que está sempre do nosso lado. Todos esses papéis foram desenvolvidos e fortalecidos ao longo do curso da vida humana de Jesus. Isso nos ajuda a entender mais claramente a Cristo e a reconhecer a plenitude do seu ministério para nós. Mas, também, serve para nos lembrar sobre a nossa própria santificação e crescimento: Se o ministério de Jesus para nós foi aperfeiçoado através do tempo e da experiência, então deve haver possibilidade de todas as pessoas crescerem e amadurecerem da mesma maneira – inclusive, os pais, em sua relação com seus filhos.

    Esta era uma verdade que eu aprendi em primeira mão. Com apenas sete anos de casamento, minha esposa, Carol, foi diagnosticada com câncer de mama triplo negativo. Trata-se de uma forma bastante agressiva da doença, que não responde bem aos tratamentos modernos. Ela precisava fazer uma mastectomia, seguida de fisioterapia, dez meses de quimioterapia e radioterapia. Quando descobrimos que seria assim, eu me desesperei, principalmente por causa dos nossos filhos. Era a minha mulher que ficava em casa com as crianças e cuidava de suas necessidades diárias. Como ela estaria sobrecarregada com os tratamentos, essas tarefas caberiam a mim. Estremeci ao imaginar como seria o próximo ano, não só para a minha mulher, mas para as crianças, também.

    Para minha surpresa, e ao contrário do que eu sempre acreditei, eu comecei a crescer e amadurecer como pai. Durante essa época da luta de Carol contra o câncer, eu aprendi a lavar a roupa, fazer comida, limpar a cozinha e preparar a cama. Aprendi, em suma, a ser mais competente em casa, e minhas atitudes também melhoraram. Passei a valorizar meus filhos como nunca havia feito antes. Eles eram lindos e preciosos, e essa beleza e esse valor exigiam que eu os tratasse com respeito e graça, e não com impaciência e irritação, como fazia antes. Naqueles nove meses, passei de péssimo pai para bom pai – ou, pelo menos, um pai melhor.

    Forjado e refinado
    Muito frequentemente, nós, homens ficamos indevidamente obcecados com o fato de não sermos os pais que queremos ser, o que pode muito bem ser verdade. E, por não termos essas habilidades e características inatas, nós nos desesperamos e nos conformamos com a mediocridade. Porém, a verdade é que não se nasce um bom pai. Um bom pai é forjado e refinado através de circunstâncias difíceis. Os melhores pais aprenderam a ser os pais de que suas famílias precisavam e que Deus os chamou para ser; e, por causa disso, embora um homem possa muito bem ter nascido um péssimo pai, ainda existe esperança de que ele se torne um pai melhor com o passar do tempo.

    Tudo bem eu não ser um pai perfeito, porque a perfeição pertence somente a Deus. O objetivo da paternidade não é que nós não cometamos nenhum erro novamente; mas, ao contrário, que nós possamos crescer e amadurecer. O nosso ministério com nossos filhos é que nos tornemos mais completos através de cada fase e experiência. E, no fim, nossos filhos olharão para nós e serão encorajados a saber que eles também podem amadurecer e cumprir qualquer papel que Deus tenha para suas vidas, por mais difícil que pareça.

    Por: Peter Chim
    (Tradução: Julia Ramalho)
    Fonte: Cristianismo Hoje – http://www.cristianismohoje.com.br/

  • Dar dinheiro na Igreja

    Dar dinheiro na Igreja

    Por Ed René Kivitz

    Dar dinheiro na igreja tem sido uma prática cada vez mais questionada. Certamente, em virtude dos abusos de lideranças religiosas de caráter duvidoso e da suspeita de que os recursos destinados à causa acabam no bolso dos apóstolos, bispos e pastores, não são poucas as pessoas que se sentem desestimuladas a contribuir financeiramente. Outras tantas se sentem enganadas, e algumas o foram de fato. Há ainda os que preferem fazer o bem sem a intermediação institucional. Mas o fato é que as igrejas e suas respectivas ações de solidariedade vivem das ofertas financeiras de seus frequentadores e fiéis. Entre as instituições que mais recebem doações, as igrejas ocupam de longe o primeiro lugar na lista de valores arrecadados. Por que, então, as pessoas contribuem financeiramente nas igrejas.

    Não são poucas as pessoas que tratam suas contribuições financeiras como investimento. Contribuem na perspectiva da negociação: dou 10% da minha renda e sou abençoado com 100% de retorno. Tentar fazer negócios com Deus é um contrassenso, pois quem negocia sua doação está preocupado com o benefício próprio, doa por motivação egoísta, imaginando levar vantagem na transação. É fato que quem muito semeia, muito colhe. Mas essa não é a melhor motivação para a contribuição financeira na igreja.

    Há quem contribua por obrigação. É verdade que a Bíblia ensina que a contribuição financeira é um dever de todo cristão. A prática do dízimo, instituída no Antigo Testamento na relação de Deus com seu povo Israel foi referida por Jesus aos seus discípulos, que deveriam não apenas dar o dízimo, mas ir além, doando medida maior, excedendo em justiça. A medida maior era na verdade muito maior. Os religiosos doam 10%, os cristãos abrem mão de tudo, pois creem que não apenas o dízimo pertence a Deus, mas todos os recursos e riquezas que têm em mãos pertencem a Deus e estão apenas sob seus cuidados.

    Alguns mais nobres doam por gratidão. Pensam, “estou recebendo tanto de Deus, que devo retribuir contribuindo de alguma maneira”. Nesse caso, correm o risco de doar apenas enquanto têm ou apenas enquanto estão sendo abençoados. A gratidão é uma motivação legítima, mas ainda não é a melhor motivação para a contribuição financeira.
    Existem também os que contribuem em razão de seu compromisso com a causa, com a visão, acreditam em uma instituição e querem por seu dinheiro em algo significativo. Muito bom. Devem continuar fazendo isso. Quem diz que acredita em alguma coisa, mas não mete a mão no bolso, no fundo, não acredita. Mas essa motivação está ainda aquém do espírito cristão. Aliás, não são apenas os cristãos que patrocinam o que acreditam.

    Muitos são os que doam por compaixão. Não conseguem não se identificar com o sofrimento alheio, não conseguem viver de modo indiferente ao sofrimento alheio, sentem as dores do próximo como se fossem dores próprias. Seu coração se comove e suas mãos se apressam em serviço. A compaixão mobiliza, exige ação prática. Isso é cristão. Mas ainda não é suficiente.
    Poucos contribuem por generosidade e fazem o bem sem ver a quem. Doam porque não vivem para acumular ou entesourar para si mesmos. Não precisam ter muito. Não precisam ver alguém sofrendo, não perguntam se a causa é digna, não querem saber se o destinatário da doação é merecedor de ajuda. Eles doam porque doar faz parte do seu caráter. Simplesmente, são generosos. Gente rara, mas existe. O relacionamento com Jesus gera esse tipo de gente.

    Finalmente, há os que contribuem por piedade. Piedade, não no sentido de pena ou dó. Piedade, como devoção, gesto de adoração, ato que visa apenas e tão somente manifestar a graça de Deus no mundo. Financiam causas, mantém instituições, ajudam pessoas, tratam suas posses como dádivas de Deus, e por isso são gratos, e são generosos. Mas o dinheiro que doam aos outros, na verdade entregam nas mãos de Deus. Para essas pessoas, contribuir é adorar.

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  • Comemorar ou lamentar?

    Comemorar ou lamentar?

    Nancy Dusilek*

    Mulheres bem-sucedidas, mulheres violentadas. Mulheres com altos salários, mulheres sem salário. Mulheres com diplomas, mulheres analfabetas. Mulheres com filhos saudáveis e em boas escolas, mulheres com muitos filhos e sem perspectiva de vida. Mulheres bem casadas e amadas, mulheres abandonadas pelos consortes. Mulheres estruturadas emocionalmente, mulheres precisando de ajuda. A lista é longa e sempre inclui mulheres.

    Ao criar a mulher, Deus fez uma ajudadora idônea, ou seja, adequada e competente. A palavra “ezer”, que significa “ajuda”, é usada várias vezes no Antigo Testamento, mas nunca se referindo a um ajudador subordinado. Vejamos este exemplo: “Elevo os meus olhos para os montes, de onde me virá o socorro (‘ezer’)?” (Sl 121.1-2). A preposição “neged” significa “apropriado para”. Assim, “ezer” + “neged” significa “apropriado” e “competente”. Além disso, Deus formou o homem primeiro e descobriu que ele estava só. Então o fez dormir e criou a mulher. Nisso vemos a beleza do tratamento de Deus para conosco. A mulher conheceu a Deus antes de conhecer o homem. Foi Deus quem apresentou um ao outro. A relação ser humano–Criador não depende do gênero e Jesus, no Novo Testamento, ratifica essa singularidade. Ao pecarem, homem e mulher perdem as mordomias do jardim. A justiça de Deus não pretere nem prefere nenhum dos dois. Deus fez a mulher diferente, mas não inferior; fez o homem diferente, mas não superior. Somos distintos na maneira de pensar, de agir e de ver o mundo. Porém, essas diferenças não fazem com que um seja melhor que o outro. Na cruz de Cristo, Deus nos trata com o mesmo carinho e amor, mas também com a mesma justiça.

    Recentemente o presidente dos Estados Unidos decretou que o salário das mulheres, que era 30% menor que o dos homens, deve se igualar a este. O fato de a mulher ter as mesmas responsabilidades dos homens, mas receber um salário menor que o deles é discriminação, e vemos isso diariamente ao nosso redor. A mulher tem ganhado espaço nas áreas tecnológicas e científicas, antes de predomínio masculino. Isso deve ser celebrado. Não se trata de levantar a bandeira a favor de um e contra o outro, mas de entender que Deus nos fez diferentes, porém igualmente competentes.

    No meio evangélico, no entanto, ainda há certo preconceito, por mais que se negue. As mulheres podem trabalhar muito bem, mas no seu “quadrado” feminino. A mensagem é: “Todo o espaço é de vocês, mas lá. Não ameacem a nossa liderança!” As armas são sutis. Porém, percebemos nas entrelinhas e, às vezes, nos discursos de apologia à mulher os muros construídos. Como nosso compromisso é com Jesus, seguimos em frente. Em alguns grupos denominacionais, a mulher é “apta” para todo trabalho, menos para ser pastora, presbítera, diaconisa ou mensageira pública da Palavra; ou seja, cargos de liderança espiritual, não. Alguns usam textos bíblicos para justificar suas posições, mas a mensagem é que trata-se de um espaço de poder que não pode ser compartilhado, pois isso seria uma ameaça.

    Também é lamentável ver ainda tanta violência contra a mulher, inclusive dentro dos arraiais evangélicos. Há homens que são líderes na igreja, mas em casa agridem e desrespeitam a esposa. Comportamentos assim resultam de uma concepção errada do que é a criação de Deus — homem e mulher com direitos e deveres, não de um para com o outro, mas de ambos consigo mesmo, com o outro e com Deus.

    Apesar de tudo, tenho esperança de que nossas filhas e netas verão novos tempos. As mudanças de paradigma no âmbito religioso são sempre muito lentas.

    Independente do nosso perfil, da crise ou da situação que estejamos passando, somos criação de Deus e, acima disso, filhas adotadas por meio de Jesus Cristo.

    Comemoremos as possibilidades que surgem quando homem e mulher, com suas diferenças, se colocam ao dispor de Deus para abençoar as pessoas.

    *Nancy Dusilek é 2ª Vice-presidente da Convenção Batista Carioca e autora do livro “Mulher sem nome”

    Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião do site.

  • Qual o valor das pequenas ações?

    Qual o valor das pequenas ações?

    Pr.Sergio Dusilek*

    Alguns se desmotivam a fazer o bem, a nadar contra a correnteza, contra o “curso natural” desse mundo porque se sentem cansados de “enxugar o gelo”, de pingar gotas num “deserto”, de fazer o bem justamente quando o mal parece proliferar. É bem possível que muitos se sintam como o profeta Elias (I Reis 19:14), sozinhos a enfrentar um “mar de maldades”. Ou ainda como o juiz Sérgio Moro, o qual recentemente declarou se sentir como João Batista, pois era uma voz que clamava no deserto.

    Os que assim se encontram estão discutindo o valor de sua integridade. Os que assim pensam, começam a ver alguma virtude do lado de lá…  e Jesus tinha razão ao dizer que a multiplicação da iniquidade esfriaria o amor de muitos… Sendo assim, qual é o valor das ações individuais? No dizer do salmista (Salmo 11:3): “O que pode fazer o justo quando os fundamentos são destruídos?” Quero sugerir alguns aspectos para sua reflexão.

    Nossas ações, ainda que pequenas, seguem refletindo a grandeza de Deus. Na melhor compreensão Leibniziana, o mundo sensível é uma reflexão do mundo espiritual. Ao agirmos para o bem num mundo que tende para o mal, assinalamos com nossa ação a presença de algo maior, a existência de Deus. Sim, o nosso comportamento interessa a Deus não no sentido legalista de regulação individual, mas sim como testemunho, apontamento de algo maior.

    Nossas ações, ainda que pequenas, são um testemunho para os agentes da maldade que é possível fazer o bem aqui nesse mundo. Nesse sentido é que Pedro falou em emudecimento alheio (I Pedro.2:11-17).

    Nossas pequenas ações são como pequenas peças de um quebra-cabeça, o qual Deus pode juntar e apresentá-las todas por inteiro. Ao fazer isso percebemos que nossa participação foi importante para preencher um espaço e para conectar outras ações. Sim, fazer o bem inspira!

    Nossas ações individuais podem em algum momento ganhar um contorno coletivo, não por Deus somente como dissemos, mas pela facilitação de alguma liderança. É quando um líder aglutinador reúne os esforços individuais.

    Nossas pequenas ações, se não mudam o mundo, podem mudar o nosso mundo, a realidade onde nos encontramos. Muda a nossa percepção da realidade e pode interferir na própria realidade. Podemos não mudar a situação de risco na moradia de milhares de pessoas, mas quem sabe não conseguimos ajudar a mudar uma por vez? Não podemos salvar todos os golfinhos que encalharam na praia, mas será que não conseguimos salvar pelo menos um?

    Não nos esqueçamos do poder multiplicador que há em Deus. Nossa pequena ação pode ter um alcance bem maior do que imaginamos. É como o menino que levou cinco pães e dois peixes para Jesus. Uma pequena ação que alimentou cerca de 20.000 pessoas (5000 eram os homens contados… e as mulheres e crianças? Mateus 14:21)

    Termino essa breve reflexão sugerindo a você três coisas:

    1. Não deixe de fazer o bem. Sua pequena ação é de grande valor. Pode ser que ninguém mais veja, mas Deus está vendo o seu testemunho.
    2. Naquilo que estiver ao seu alcance, faça. Pode ser um pequeno gesto como segurar o elevador, catar um lixo e jogar no cesto, cumprimentar as pessoas com um sorriso… faça sua pequena ação e esparja o bem à sua volta;
    3. Deixe Deus multiplicar, caso Ele queira, sua pequena ação. Ou mesmo deixe o Senhor ampliar sua ação. Lembre-se que você não está sozinho. Há muitos outros que lutam pelo bem, e fazem o que é bom. E principalmente: nunca se esqueça de que Deus está contigo.

    *Extraído do blog pessoal sergiodusilek.worpress.com
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  • Impacto no Carnaval de 2016

    Impacto no Carnaval de 2016

    Por Pr. Ulisses Torres*

    Nos dias 6 a 9 de fevereiro de 2016, estaremos diante de uma das festas mais populares do Brasil: o Carnaval. O Carnaval registra, por dia, a venda de mais de 88 mil ingressos. Ao redor do Sambódromo, concentram mais de 200 mil pessoas, por noite, durante o evento. Além dessa região, existem mais de 400 blocos de rua espalhados pela cidade, contando com a participação de mais de 900 mil turistas. Apenas pelos portos do Rio de Janeiro serão mais de 130 mil pessoas chegando à nossa cidade.

    Essa é a realidade do Rio de Janeiro durante o Carnaval. Infelizmente, sabemos que esse tipo de evento aumenta o número de crimes, atendimentos de emergência em unidades de saúde, o comercio de drogas e etc. Mas, da mesma forma, enquanto parece que a cidade está sitiada e que o inimigo está sendo vitorioso, surge uma geração que está disposta a não entregar o controle do Rio para as forças do mal. Um grupo de 350 pessoas que, todo ano, há 20 anos, se reúne para proclamar o evangelho em meio as trevas.

    No ano de 2015, foram alcançadas mais de 15 mil pessoas com algum tipo de mensagem evangelística e mais de mil pessoas tomaram uma decisão ao lado de Jesus. No ano de 2016, estaremos sendo liderados pelo Pr. Miguel Kopanyshyn e continuaremos realizando cultos inspirativos e de comissionamento, capacitações em evangelismo, estratégias de abordagem com evangelismo pessoal, artes, música, esporte, evangelismo infantil e muito mais.

    Além de alcançarmos muitas pessoas com a Palavra do Senhor, aproveitamos o impacto para capacitar pessoas que, quando voltarem para as igrejas locais, estarão municiadas de estratégias e experiência prática.

    O Impacto de Carnaval acontece para que o evangelho seja proclamado, o crente seja preparado e a igreja local seja abençoada. Abençoe, seja abençoado e participe da expansão do Reino de Deus!

    *Coordenador de Missões Rio, o departamento missionário da Convenção Batista Carioca

    Acesse www.impactodecarnaval.com.br e inscreva-se para o Impacto 2016